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Virando na tumba
Novo Disque
M para Matar deixaria Hitchcock furioso
Os fãs de
Hitchcock devem passar longe de Um Crime Perfeito
(A Perfect Murder, EUA, 1998), que estréia
nesta sexta-feira em circuito nacional. Embora pretenda
ser uma refilmagem de Disque M para Matar, não
lembra em nada o estilo do cineasta inglês. Hitchcock
colocava suspense em cada detalhe de suas obras, para
manter a narrativa sob constante tensão. Nesta
adaptação, dirigida por Andrew Davis (de O
Fugitivo), o principal objetivo é pregar sustos no
espectador. Nem a trama original, tirada de uma peça de
teatro, sobreviveu ao novo roteiro, que fundiu
personagens e criou situações diferentes para tornar a
fita mais movimentada. Só o ponto de partida é o mesmo:
um plano de assassinato, aparentemente infalível, que
dá errado. Hitchcock apresentava a elaboração
minuciosa do crime e as investigações para descobrir o
culpado explorando os elementos psicológicos da
história. Na versão de Andrew Davis, tudo isso tem
pouca importância. O vilão (Michael Douglas), um
empresário falido que quer herdar a fortuna da esposa
milionária, não gasta mais que um dia bolando a
estratégia para se livrar da mulher (Gwyneth Paltrow).
Ninguém entende como ele chegou ao plano. Em vez de
explicar passagens como essa, o diretor prefere mostrar a
relação da personagem de Gwyneth com seu amante (Viggo
Mortensen), um artista plástico jovem, pobre e sujo de
tinta. E tome cenas de cama. O filme funciona apenas nos
raros momentos em que se mantém fiel ao original. No
resto do tempo, perde-se em clichês que caberiam melhor
numa novela de TV.
Luiz
Sampaio

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