O infovilão

Um impiedoso dossiê mostra as trapaças que
Bill Gates teria feito em sua fabulosa escalada

Aí vai um conselho ao promotor americano Kenneth Starr, aquele que investiga o que o presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinsky fizeram no escurinho. Seu próximo alvo bem que poderia ser o magnata Bill Gates, dono da Microsoft — a maior fabricante mundial de programas para computadores — e homem mais rico dos Estados Unidos. Num livro recém-lançado naquele país, The Microsoft File (O Arquivo da Microsoft), Gates aparece em situações bem pouco edificantes com as mulheres. Uma das funcionárias graduadas de sua empresa, Stefanie Reichel, por exemplo, penou um bocado em suas mãos. Segundo o livro, durante vários anos ela foi alvo de incessantes cantadas do patrão. Chegou a passar uma noite com ele e a acompanhá-lo em festas e viagens de lazer, por medo de perder o emprego. Como se isso não bastasse, recebeu a tarefa de usar seu charme e beleza para convencer um executivo alemão a comprar equipamentos da Microsoft e não de uma empresa concorrente.

Trecho
"Não é à toa que os grandes empresários dizem que negociar com Bill Gates é como ter um encontro com Mike Tyson: há sérios riscos de se sofrer um estupro"

Episódios como esse representam apenas o tempero de The Microsoft File. O livro, na verdade, é um extenso dossiê, que mostra Bill Gates como um empresário desleal, sem caráter, obcecado em conquistar para sua empresa o monopólio no mundo dos softwares de computador. Desde o início da década, Gates vem sendo alvo de investigações por parte da Justiça americana, suspeito de usar métodos desonestos em seus negócios para eliminar a concorrência. A autora do livro, Wendy Goldman Rohm, jornalista especializada em informática, tenta provar que todas as acusações são rigorosamente verdadeiras. De um lado, ela descreve as investigações do Federal Trade Commission, órgão do governo americano encarregado de fiscalizar as relações comerciais. De outro, usando fontes da própria Microsoft e de outras empresas, traça um histórico desconcertante dos golpes e falcatruas que Gates e seus executivos teriam cometido nos últimos dez anos.

Segundo o livro, a Microsoft pirateava tecnologia, ameaçava clientes e forçava a falência de concorrentes. Num lance de incrível ousadia, teria instalado na primeira versão do programa Windows uma armadilha que empastelava as operações caso ele não fosse rodado num MS-DOS, também fabricado pela empresa. No terreno das pequenas trapaças, durante uma grande feira de informática em Las Vegas, mandou instalar microfones ocultos no quarto de hotel de um executivo de sua então arqui-rival IBM. Segundo o livro, todas essas operações tinham por trás o dedo do próprio Bill Gates, e não apenas de seus executivos. O empresário chegou a responder no tribunal a várias acusações desse tipo, mas até hoje nada se conseguiu provar legalmente contra ele e sua empresa.

A se confiar no perfil que Wendy Rohm traça de Bill Gates em seu livro, nada disso causa surpresa. Excessivamente influenciado pela mãe, Mary Gates, uma das locomotivas sociais de Seattle, ele parece ser um eterno adolescente rebelde e inseguro. Tanto que, antes de se casar, já adulto, famoso e bilionário, dependia dos amigos para lhe arrumarem encontros amorosos com mulheres bonitas — e bem pagas pelo serviço. Em outro episódio relatado no livro, numa viagem a Amsterdã no início dos anos 80, Gates se diverte comendo fatias de bolo de haxixe num bar da cidade. Em se tratando de alguém que controla uma das indústrias mais poderosas do mundo, o livro é um escândalo do início ao fim.




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