Som de griffe

A MPB tipo exportação da gravadora Pau Brasil

Gil: o CD de música
nordestina
O Sol de
Oslo
é melhor do que
sua produção recente
Foto: Gal Oppido  

Longe das paradas de sucesso, a minúscula gravadora Pau Brasil, de São Paulo, conseguiu tornar-se um centro de exportação de MPB. Desde 1995, quando o baixista Rodolfo Stroeter criou o selo, seus discos vêm alcançando mais prestígio no exterior do que no mercado nacional. A Pau Brasil já recebeu até uma indicação ao Grammy, pelo CD de estréia da Banda Mantiqueira. Outro disco de seu catálogo, uma seleção de temas indígenas interpretados pela cantora Marlui Miranda, foi premiado na Alemanha e vendeu fora do Brasil o triplo de sua tiragem nacional. Apoiada numa estrutura que se resume a Stroeter, sua mulher e mais três funcionários, a gravadora acaba de lançar seu projeto mais ambicioso: o CD O Sol de Oslo, de Gilberto Gil. É seu primeiro título gravado por um figurão da MPB, mas segue a linha pouco comercial dos lançamentos anteriores. Gil canta só música nordestina, ao lado de Marlui Miranda. O resultado é bem melhor do que a produção recente do cantor. "Deixamos nossa marca em cada produto para criar uma espécie de griffe sonora", afirma Stroeter, produtor de quinze dos dezesseis discos do selo. A marca a que ele se refere, além da participação de músicos de primeiríssima linha, é a ênfase nos elementos brasileiros, estratégia responsável pela boa repercussão dos CDs na Europa e nos Estados Unidos. Com O Sol de Oslo, quem sabe, a gravadora talvez consiga repetir esse sucesso em casa.

Luiz Sampaio




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line