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Campo
de testes em Goiás: sinal verde |
Na aparência, é uma soja como qualquer outra. O sabor também é o mesmo. Mas as plantas de 60 centímetros de altura, com folhagem saudável, que crescem no campo de testes da empresa de biotecnologia Monsanto, em Goiatuba (GO), pertencem a um novo grupo do reino vegetal, o das plantas transgênicas. Elas são chamadas assim porque receberam, em laboratório, a adição de um gene de outra espécie para ganhar alguma característica preciosa. No caso da soja, o gene vem de uma bactéria e confere à planta resistência a um dos herbicidas mais usados na agricultura. A novidade, que recebeu parecer favorável da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, CTNBio, que regula os frutos da biotecnologia, agora deve ser aprovada pelo Ministério da Agricultura. Em junho do próximo ano, os agricultores brasileiros devem receber os primeiros sacos com as supersementes.
Elas representam o passaporte para o país entrar em uma nova era da agricultura. As maiores empresas do setor estão investindo 20 bilhões de dólares por ano no desenvolvimento de uma linha que inclui plantas resistentes a pragas, tolerantes à escassez de água, adaptadas a solos pobres e até mesmo variedades com adição de vitaminas. As pesquisas mais impressionantes incluem maneiras de inocular vacinas em batatas ou bananas. "Existe uma revolução em curso", avisa Rodrigo Almeida, diretor de assuntos corporativos da Monsanto. "E quem vai ganhar é o consumidor." A experiência internacional mostra que a soja transgênica reduz em 5% os custos de produção, o que pode baixar o preço final. Por isso, os Estados Unidos, o maior produtor de soja, já cultivam 13 milhões de hectares com as novas variedades, mais do que toda a área ocupada por essa cultura no Brasil. "A tendência é clara", aponta Alberto Portugal, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa. "Se não dominarmos essa tecnologia, vamos perder terreno."
O principal
obstáculo para a soja transgênica no país é uma
ação judicial do Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor, Idec. A entidade alega que os riscos para a
saúde e o meio ambiente ainda são pouco estudados. É
uma desconfiança internacional ancorada em pressões de
grupos ambientalistas na Europa, onde duas redes de
supermercados declararam que não vão vender ou fabricar
produtos transgênicos. Por trás disso está o medo de
que a presença de um gene animal em uma planta
comestível acabe produzindo substâncias tóxicas ao
seres humanos. "A soja está sendo aprovada às
pressas", critica Marijane Lisboa, do Greenpeace,
uma das organizações que se opõem às plantas
transgênicas. Os técnicos argumentam que os ganhos
superam os riscos. Além disso, toda nova tecnologia
costuma despertar desconfiança até que se revele mais
útil do que perigosa. Ainda hoje, por exemplo, se
discutem os possíveis efeitos cancerígenos dos campos
gerados pelos aparelhos elétricos. Mas ninguém, no
final do século XX, pensa em desligar o interruptor.
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