Desenganados

Pesquisa confirma que médicos têm letra ruim

A oftalmologista
Míriam: caligrafia
Foto: Antonio Milena  

Está provado cientificamente: letra de médico costuma, sim, ser incompreensível. Um estudo publicado na última edição da revista British Medical Journal confirma que, entre os profissionais de saúde, os médicos apresentam a pior caligrafia. A pesquisa foi feita com 92 médicos, enfermeiros e funcionários administrativos de um hospital do País de Gales. Sem saber do que se tratava, eles foram convidados a escrever letras e números da maneira mais nítida possível. Um programa de computador analisou os formulários. No teste das letras, os médicos produziram duas vezes mais erros de legibilidade.

O folclore em torno dos garranchos dos doutores é antigo. Data do final do século XVIII, quando os médicos deixaram de produzir remédios. Surgiam então os receituários, a ser decifrados por terceiros. Os problemas criados por uma receita incompreensível podem ser grandes. Com 11.000 medicamentos industrializados à venda no Brasil, muitas vezes com nomes tão semelhantes quanto Teldane e Feldene, as confusões não são raras. Uma solução cada vez mais comum é a informatização dos consultórios. Há, contudo, aqueles médicos que tentam resolver o problema à moda antiga. É o caso da oftalmologista paulistana Míriam Komatsu, de 33 anos, que recentemente se inscreveu em um curso de caligrafia. "Eu mesma às vezes não consigo entender o que escrevo", penitencia-se.




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