VEJA Recomenda
CINEMA
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CINEMA
Os Vigaristas: visão oblíqua do que é fato ou ficção |
OS VIGARISTAS (The Brothers Bloom, Estados Unidos, 2008.
Estreia na próxima sexta-feira no país)
Desde a infância, os irmãos Bloom e Stephen (Adrien Brody e Mark
Ruffalo) têm apenas um ao outro, e o seu talento para aplicar golpes intrincados
e sempre bem-sucedidos. Bloom, porém, está farto disso. Stephen,
então, planeja um último golpe, de fim tortuosamente humanitário:
Bloom deverá seduzir a milionária e solitária herdeira
Penelope. Eles ficarão com o dinheiro e ela, com a alegria de ter vivido
a vida. Este segundo trabalho do diretor americano Rian Johnson perde por um
nadinha para seu filme de estreia, o instigante noir juvenil A Ponta de um
Crime. Mas é encantador na sua visão oblíqua do que
é fato e do que é ficção, na imaginação
rebuscada dos golpes criados por Stephen e na maneira como desenvolve a adorável
personagem de Penelope, interpretada por Rachel Weisz.
DVD
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DVD
Desonra: retrato devastador da violência na África do Sul
pós-apartheid |
DESONRA (Disgrace, África do Sul/ Austrália, 2008. Flashstar)
Na Cidade do Cabo, o professor David Lurie (John Malkovich) seduz uma aluna
- ou melhor, faz uso dela, numa coerção sutil que tem tudo a ver
com o fato de ela ser mulata. O caso é descoberto, ele cai em desgraça
e vai morar com a filha (Jessica Haines) no sítio em que ela cultiva
flores. Lá, uma situação similar vai ocorrer, mas com cores
trocadas e violência devastadora. Adaptado do soberbo romance homônimo
do ganhador do Nobel J.M. Coetzee, o filme do diretor Steve Jacobs lança
um olhar inquietante sobre a África do Sul pós-apartheid: um país
tão viciado na opressão que nada, muito menos o fim do regime
segregacionista, pode fazê-lo funcionar de outra maneira. Uma inversão
dessa opressão, potencializada pelo desejo de vingança, é
tudo o que o escritor, o diretor e a excelente roteirista Anna Maria Monticelli
veem em seu futuro.
LIVROS
SOBRE OS ESCRITORES, de Elias Canetti (tradução de Kristina
Michahelles; José Olympio; 210 páginas; 32 reais)
Autor de um único e definitivo romance, Auto-de-Fé, e de
um ensaio clássico sobre a psicologia do fascismo, Massa e Poder, Elias Canetti (1905-1994) nasceu na Bulgária, passou parte da
infância na Inglaterra e escrevia em alemão. Parte do acervo que
ele deixou aos cuidados de uma filha para edição póstuma, Sobre os Escritores mostra a abrangência de seus interesses culturais.
O livro reúne textos mais longos, escritos para conferências -
mas o mais interessante são as notas breves sobre os mais diversos escritores,
do grego Ésquilo ao americano Mark Twain. Canetti mostra seu talento
para o aforismo, como nesta provocação: "Se eu fosse Freud, sairia
correndo de mim mesmo" (Canetti conheceu Freud, mas não era amigo de
suas ideias). Ou sobre o engajamento do francês Jean-Paul Sartre: "Ele
tinha logo uma resposta, que existia já antes da pergunta".
Trecho do livro.
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VIOLETAS E PAVÕES, de Dalton Trevisan (Record; 128 páginas;
32,90 reais)
Um dos melhores escritores brasileiros contemporâneos, Dalton Trevisan,
de 84 anos, persegue como um obcecado uns poucos temas: a vida marginal, o cotidiano
dos subúrbios de sua Curitiba natal e os aspectos mais sombrios (ou cafajestes)
do sexo. Com 22 contos, Violetas e Pavões serve o mesmíssimo
cardápio - e, como sempre, deixa o leitor satisfeito. A concisão
exemplar do autor mostra-se cada vez mais eficiente ao equilibrar-se na tênue
linha entre a objetividade fria e certa ternura por seus personagens. É
o que se observa, por exemplo, em A Desgraça de Zeno (título
que é uma citação irônica de A Consciência
de Zeno, do italiano Italo Svevo). O drama miserável do viciado em
crack que é assassinado por causa de uma dívida com os traficantes
acaba com uma frágil nota de esperança para o irmão do
morto.
Trecho do livro.
DISCOS
ADRIANA PARTIMPIM - DOIS, Adriana Partimpim (SONY MUSIC)
Em 2005, Adriana Calcanhoto inventou um alter ego: Adriana Partimpim. Com esse
nome artístico, a cantora, até então conhecida por baladas
como Devolva-me, dedicou-se a compor e cantar para as crianças.
O primeiro Adriana Partimpim vendeu 187 000 cópias no Brasil e
fez sucesso também em Portugal, com 87 000 discos comercializados. Neste
segundo álbum, a cantora deu um ar mais juvenil a antigas canções
de Roberto e Erasmo (Gatinha Manhosa) e João Gilberto (Bim
Bom). Também fez uma bela gravação de O Trenzinho
do Caipira, música das Bachianas Brasileiras, de Heitor Villa-Lobos,
com letra de Ferreira Gullar. E ainda compôs três músicas
especialmente para o público infantil - como Menina Menino, canção
romântica que tem potencial para conquistar também o ouvinte crescidinho.
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DISCO
Sabrina Starke: ela é holandesa e nasceu no Suriname - mas, felizmente,
não faz world music |
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YELLOW BRICK ROAD, Sabrina Starke (EMI)
Sabrina Starke nasceu no Suriname, tem nacionalidade holandesa e gravou Yellow
Brick Road nos Estados Unidos. Parece uma receita para uma daquelas misturas
duvidosas de tecno e ritmos caribenhos que costumam ser rotuladas de "world
music" - mas não é nada disso: com uma voz poderosa e precisa,
Sabrina é uma grande cantora de soul e jazz. Ela foi descoberta, no ano
passado, pelo empresário Billy Man, presidente artístico da EMI
mundial, quando a canção Do for Love, sua primeira gravação,
apareceu entre as mais executadas na Holanda. Sabrina passou alguns meses em
Nova York compondo com Billy canções que estão presentes
neste disco, como Its Time, sobre o ritmo frenético da vida,
e Womans Gonna Try, sobre a perseverança de uma mulher.
Apesar de um ou outro toque melancólico, que evoca o blues americano, Yellow Brick Road é um disco ensolarado e otimista.
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[A|B#] - A] posição do livro na semana anterior
B] há
quantas semanas o livro aparece na lista
#] semanas não consecutivas
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