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Home  »  Revistas  »  Edição 2133 / 7 de outubro de 2009


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O cronômetro foi acionado

À luz do que ocorreu em Pequim 2008 e dos apuros de Londres 2012,
veja o que espera os organizadores do Rio 2016


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Vai dar certo. Mas não por milagre. Organizar uma Olimpíada, a primeira na América do Sul, é uma empreitada grandiosa, modernizadora e civilizatória. Em muitos aspectos, o Rio de Janeiro voltou na sexta-feira passada a ser a capital do Brasil, privilégio que perdeu para Brasília há 49 anos. Volta a ser o centro das atenções internacionais não mais por ter uma população refém do crime organizado, mas pela capacidade de seus moradores e governos de se organizar de tal forma que o crime passará a ser o que é em toda grande metrópole – uma moléstia urbana crônica, se não curável, pelo menos tratável. O melhor indicador de que uma cidade ficou pronta para sediar uma Olimpíada é ela estar pronta para viver bem e receber com segurança seus visitantes.

Quando espocarem os fogos da cerimônia de abertura da Rio 2016, daqui a pouco mais de 2 400 dias, a cidade estará sendo devolvida a seus moradores, a seu passado de glórias artísticas, culturais e esportivas. Os fogos celebrarão a paz entre o Rio de Janeiro e a natureza inigualável, dando fim a uma guerra de desgaste sem tréguas que vitimou a baía mais estonteante do planeta e fazia terra arrasada das matas que a emolduram. Os fogos, principalmente, marcarão o retorno do Rio de Janeiro à rota da normalidade medida pelos padrões mundiais de civilidade e progresso que foram sua grande força motriz até os anos 50. Como ocorreu antes com as cidades que retomaram sua vocação de grandeza histórica ao sediar uma Olimpíada, caso clássico de Barcelona em 1992, os prognósticos para o Rio são extraordinários. Desperdiçar essa chance entregue aos cariocas e a todos os brasileiros na sexta-feira passada em Copenhague não é uma opção. Agora é vencer ou vencer.

Como mostra a reportagem que se segue, o caminho para a vitória tem de ser contado em dias, e não em meses ou anos. Cada dia perdido na organização precisa ser compensado nas 24 horas seguintes – essa é a valiosa lição deixada por Barcelona e que agora pesa sobre os ombros de Londres. Existem muitas variáveis, mas nada pode mudar o fato de que os Jogos Olímpicos têm um dia para começar, e essa data não é negociável. O cronômetro foi acionado e a contagem regressiva já começou. O quadro das próximas páginas faz uma panorâmica sobre as vinte principais tarefas a ser enfrentadas pela organização dos Jogos, dispostas no tempo de acordo com a data de início e a de conclusão. O quadro mostra apenas as obras previstas. Cidades que sediaram as Olimpíadas modernas antes do Rio de Janeiro aprenderam a duras penas que boa parte dos obstáculos são aqueles que desafiam o planejamento – os imprevistos. Resta evidente que o Rio e o Brasil têm de correr. Correr não, voar!

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