|
|
VEJA Recomenda
DVDS
Fotos
divulgação
 | | Bruno
S., como Kaspar Hauser: "Deus contra todos" |
O
Enigma de Kaspar Hauser (Jeden für Sich und Gott Gegen Alle, Alemanha,
1974. Versátil) Em 1828, o jovem Kaspar Hauser amanheceu numa praça
de Nuremberg, vindo do nada, com um bilhete nas mãos. Kaspar não
falava nem compreendia nenhum idioma, não sabia comer nem se vestir e,
quando aprendeu a se comunicar, afirmou ter passado toda a vida preso numa masmorra,
sem nenhum contato humano. Em sua obra-prima, o alemão Werner Herzog se
aproveita dessa história real para realizar um incômodo estudo antropológico
e um de seus filmes mais estranhos (o que, em se tratando do diretor, não
é dizer pouco). Especialmente brilhante é a sua escolha do protagonista.
O ator Bruno S., uma figura trágica, recém-saída de um manicômio,
é a própria encarnação do título original do
filme: "Cada um por si e Deus contra todos".
 | | Kung
Fu Futebol Clube: sem seriedade nem gravidade |
Kung
Fu Futebol Clube (Shaolin Soccer, Hong Kong/China, 2001. Buena Vista)
Nessa que já foi a comédia recordista de bilheteria de Hong
Kong, o diretor, ator e astro das artes marciais Stephen Chow interpreta um lutador
de kung fu que, ansioso por popularizar sua filosofia entre o público,
tem a idéia de montar um time de futebol com seus irmãos
todos, como ele, treinados num templo shaolin. É claro que a lei da gravidade
e todas as outras leis associadas ao bom senso serão imediatamente revogadas.
Mas Chow em cartaz nos cinemas com Kung-Fusão tem
tanta confiança no seu humor, e faz o que faz com tanto prazer, que é
impossível não se divertir com seu filme e suas palhaçadas.
Um ótimo programa, enfim. Veja
cenas. FILME A Batalha
de Alger (La Battaglia di Algeri, Itália/Algéria, 1966.
Em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro) Em 1964, o diretor Gillo
Pontecorvo, comunista de carteirinha, recebeu uma visita curiosa: Saadi Yacef,
chefe militar da Frente de Libertação Nacional argelina, procurou-o
com dinheiro e um roteiro (panfletário e horroroso, segundo o cineasta)
em mãos. Yacef queria um filme sobre sua guerrilha, que dois anos antes
pusera fim a décadas de ocupação francesa em seu país.
Conseguiu mas só em termos. A Batalha de Alger, um dos mais
espetaculares filmes políticos já feitos, não é um
panfleto. É, sim, um drama documental (entre os mais de 100 atores, só
um, que faz o chefe de polícia francês, é profissional), transbordante
de suspense e tensão, sobre os atos terroristas e as insurreições
que levantaram a casbah de Alger no período entre 1954 e 1957. É
perda de tempo ficar procurando paralelos com a atual situação no
Iraque: o que torna o filme único é sua sensacional recriação,
feita a quente, de um momento histórico específico tarefa
para poucos e bons, como Pontecorvo. Veja
cenas. LIVROS Ada
ou Ardor, de Vladimir Nabokov (tradução de Jorio Dauster;
Companhia das Letras; 466 páginas; 58 reais) O russo Vladimir Nabokov
(1899-1977) publicou seus primeiros livros em seu idioma natal, mas, graças
a obras como Lolita, consagrou-se como um dos grandes estilistas da língua
inglesa. Ada ou Ardor é um dos romances mais elaborados desse mestre
dos jogos literários. O livro é uma paródia de crônica
familiar que se passa na Antiterra, um planeta onde Rússia e América
são lugares contíguos, sem um oceano a separá-los. No centro
da história, há um trágico caso de amor incestuoso. O apêndice
do livro traz notas de uma tal Vivian Darkbloom, uma brincadeira do autor: o nome
é um anagrama de Vladimir Nabokov. Leia
trecho. Biologia,
Ciência Única, de Ernst Mayr (tradução de Marcelo
Leite; Companhia das Letras; 266 páginas; 41 reais) O objetivo central
do livro é defender a especificidade da biologia entre as outras ciências,
como a química e a física. Apesar dessas intenções
acadêmicas, a obra é também um apanhado claro e acessível
dos avanços da biologia desde que Charles Darwin desvendou os princípios
da evolução, no século XIX. Ninguém mais qualificado
do que o alemão naturalizado americano Ernst Mayr para proceder a essa
revisão. Morto no ano passado, aos 100 anos, ele chegou a ser chamado de
"o Darwin do século XX". Os temas que examina são amplos e fascinantes
vão da origem do homem à possibilidade (remota, segundo Mayr)
de que um dia se encontre vida fora da Terra.
O
Círculo Fechado, de Jonathan Coe (tradução de Alexandre
Raposo; Record; 496 páginas; 49,90 reais) Em Bem-Vindo ao Clube,
o inglês Jonathan Coe traçou um retrato humorístico dos anos
70 em seu país, com suas greves, seus atentados do IRA e suas chatíssimas
bandas de rock progressivo. No novo livro, o leitor reencontra os personagens
adolescentes de Bem-Vindo ao Clube em sua maturidade, na virada do século
XX para o XXI. Com o mesmo espírito satírico de que se valeu para
retratar a bagunçada Inglaterra pré-Margaret Thatcher, Coe agora
revisa o país de Tony Blair. Paul Trotter, o menino-prodígio que
em Bem-Vindo ao Clube admirava a política de Thatcher e o punk dos
Sex Pistols, agora faz parte do Partido Trabalhista e apóia a guerra
no Iraque. Leia
trecho.
DISCO  |  | | Os
Stones: de novo em ótima forma | |
A
Bigger Bang, Rolling Stones (EMI) Uma das críticas recorrentes
ao trabalho atual dos Rolling Stones é a de que eles não fazem mais
discos de verdade: simplesmente jogam um punhado de canções toscas
num álbum e saem em turnê para faturar milhões. Mas A Bigger
Bang tem qualidades de sobra para redimir os trabalhos anteriores do grupo.
Primeiro disco do quarteto inglês em oito anos, traz todas as facetas dos
Stones na medida certa. Eles interpretam dezesseis canções, que
vão do blues e do rock de raiz ao funk. A faixa mais discutida é
Sweet Neo Con, que conteria críticas ao presidente George W. Bush.
Ela está, porém, longe de ser o destaque do CD. Esse mérito
é de Back of My Hand, com uma levada de banda de blues de beira
de estrada, ou de Oh No, Not You Again, em que Mick Jagger faz troça
de seus problemas amorosos. Já o parceiro Keith Richards dá sua
palinha nos vocais na balada This Place Is Empty. Um excelente aperitivo
para a turnê do grupo, que deve passar pelo Rio de Janeiro em fevereiro
do ano que vem. |