Edição 1921 . 7 de setembro de 2005

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Música
Os roqueiros nerds

Nada de sexo e drogas: a banda
americana Weezer faz sucesso
apenas com o seu rock existencial


Sérgio Martins

 
Divulgação
Os roqueiros com Hugh Heffner e as coelhinhas da Playboy: Cuomo (o segundo, em pé, da esq. para a dir.) está há mais de dois anos sem sexo

O manual de comportamento do bom roqueiro já não é o mesmo. Nas décadas de 60 e 70, os adeptos do gênero tinham a tríade "sexo, drogas e rock'n'roll" em alta conta. Muitos deles, aliás, levaram o lema tão a sério que hoje são incapazes de articular uma frase com sujeito e predicado. A partir dos anos 90, porém, a figura do astro de rock sofreu uma mutação. Os artistas atuais são figuras introspectivas e com problemas para se envolver com o sexo oposto – em suma, tipos que os americanos chamam de nerds. Um dos grupos mais simbólicos dessa geração é o quarteto americano Weezer, a principal atração do Curitiba Rock Festival, que acontece nos dias 24 e 25. Liderado pelo cantor e guitarrista Rivers Cuomo, o grupo vendeu 6,5 milhões de cópias de seus cinco álbuns e gerou um batalhão de imitadores. Inclusive no Brasil, onde bandas como Los Hermanos aderiram à imagem de rapazes tímidos e sensíveis.

Cuomo é uma figura singular. Recentemente, a revista americana Rolling Stone revelou numa matéria que ele não faz sexo há mais de dois anos. Segundo o artigo, o astro decidiu virar celibatário de uma hora para outra. "A vida sexual de Rivers é problema dele. Estou bem satisfeito com a minha", disse o baterista Patrick Wilson, temeroso de ser confundido com o amigo, em entrevista a VEJA. Cuomo formou o Weezer em 1993, com Wilson e o baixista Matt Sharp – que largou a banda há sete anos. Lançado no ano seguinte, o disco de estréia foi um sucesso, com mais de 1 milhão de CDs vendidos. Desde então, o grupo é refém das manias do cantor. Pouco tempo depois do lançamento do álbum, ele anunciou o fim da banda porque queria concluir seus estudos na Universidade Harvard. A resolução durou só alguns meses, e Cuomo retomou a música. Anos depois, destruiu uma sessão inteira de gravações porque achou que o material não estava à altura do seu talento. "Hoje em dia ele anda mais calmo", diz Wilson. Mas ainda faz das suas. Às vésperas da turnê de lançamento de Make Believe, último disco do quarteto, Cuomo cancelou uma série de shows para se internar num templo budista.

O segredo de Cuomo é atrair um público que se identifica com suas dificuldades de relacionamento – que não são poucas. Uma das canções mais famosas do Weezer é Pink Triangle, em que ele descobre que a garota pela qual se apaixonou é lésbica. Beverly Hills, do novo disco, fala de um sujeito sem sorte na vida que sonha em morar naquele bairro luxuoso de Los Angeles. O clipe foi gravado na Mansão Playboy e contou com a participação de Hugh Heffner, dono da revista Playboy, coelhinhas estonteantes e 150 fãs do Weezer, todos adeptos do visual desengonçado de Cuomo. "Pensando bem, nossos fãs são esquisitos mesmo", reconhece Wilson.

 
 
 
 
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