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Música Os
roqueiros nerds Nada de sexo e drogas:
a banda americana Weezer faz sucesso apenas com o seu rock existencial
 Sérgio
Martins
Divulgação
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roqueiros com Hugh Heffner e as coelhinhas da Playboy: Cuomo (o segundo,
em pé, da esq. para a dir.) está há mais de dois anos
sem sexo |
O manual de comportamento
do bom roqueiro já não é o mesmo. Nas décadas de 60
e 70, os adeptos do gênero tinham a tríade "sexo, drogas e rock'n'roll"
em alta conta. Muitos deles, aliás, levaram o lema tão a sério
que hoje são incapazes de articular uma frase com sujeito e predicado.
A partir dos anos 90, porém, a figura do astro de rock sofreu uma mutação.
Os artistas atuais são figuras introspectivas e com problemas para se envolver
com o sexo oposto em suma, tipos que os americanos chamam de nerds. Um
dos grupos mais simbólicos dessa geração é o quarteto
americano Weezer, a principal atração do Curitiba Rock Festival,
que acontece nos dias 24 e 25. Liderado pelo cantor e guitarrista Rivers Cuomo,
o grupo vendeu 6,5 milhões de cópias de seus cinco álbuns
e gerou um batalhão de imitadores. Inclusive no Brasil, onde bandas como
Los Hermanos aderiram à imagem de rapazes tímidos e sensíveis.
Cuomo é uma figura singular.
Recentemente, a revista americana Rolling Stone revelou numa matéria
que ele não faz sexo há mais de dois anos. Segundo o artigo, o astro
decidiu virar celibatário de uma hora para outra. "A vida sexual de Rivers
é problema dele. Estou bem satisfeito com a minha", disse o baterista Patrick
Wilson, temeroso de ser confundido com o amigo, em entrevista a VEJA. Cuomo formou
o Weezer em 1993, com Wilson e o baixista Matt Sharp que largou a banda
há sete anos. Lançado no ano seguinte, o disco de estréia
foi um sucesso, com mais de 1 milhão de CDs vendidos. Desde então,
o grupo é refém das manias do cantor. Pouco tempo depois do lançamento
do álbum, ele anunciou o fim da banda porque queria concluir seus estudos
na Universidade Harvard. A resolução durou só alguns meses,
e Cuomo retomou a música. Anos depois, destruiu uma sessão inteira
de gravações porque achou que o material não estava à
altura do seu talento. "Hoje em dia ele anda mais calmo", diz Wilson. Mas ainda
faz das suas. Às vésperas da turnê de lançamento de
Make Believe, último disco do quarteto, Cuomo cancelou uma série
de shows para se internar num templo budista.
O segredo de Cuomo é atrair um público que se identifica com suas
dificuldades de relacionamento que não são poucas. Uma das
canções mais famosas do Weezer é Pink Triangle, em
que ele descobre que a garota pela qual se apaixonou é lésbica.
Beverly Hills, do novo disco, fala de um sujeito sem sorte na vida que
sonha em morar naquele bairro luxuoso de Los Angeles. O clipe foi gravado na Mansão
Playboy e contou com a participação de Hugh Heffner, dono da revista
Playboy, coelhinhas estonteantes e 150 fãs do Weezer, todos adeptos
do visual desengonçado de Cuomo. "Pensando bem, nossos fãs são
esquisitos mesmo", reconhece Wilson. |