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Guia A
onda dos orgânicos
Vidal Cavalcante/AE  |
O interesse das grandes redes de hipermercados
pelos alimentos orgânicos, aqueles produzidos sem agrotóxicos ou
fertilizantes artificiais, é uma demonstração do potencial
desse mercano Brasil. Supermercados de todo o país aderem neste mês
à Semana dos Alimentos Orgânicos e prometem repeti-la todos os anos.
O Carrefour tem uma fazenda em Mato Grosso para abastecer suas lojas brasileiras
de orgânicos certificados. O Pão de Açúcar criou uma
quinta-feira "orgânica" e gôndolas exclusivas em boa parte de seus
mercados. A demanda cresce 30% ao ano, de acordo com uma das entidades que certificam
esse tipo de alimento. A produção
de orgânicos, segundo conceitos internacionais, usa solos desintoxicados
e água sem risco de poluição e atende também a normas
quanto à qualidade de vida dos trabalhadores rurais. Como é impossível
para o consumidor fiscalizar pessoalmente a produção de orgânicos,
uma forma de avaliá-los é o selo de uma entidade certificadora.
Há vinte delas atuando no Brasil. Elas ainda não são reconhecidas
pelo Ministério da Agricultura, que oficializará a certificação
apenas em 2006. Algumas têm o respaldo de entidades internacionais. O preço
costuma ser entre 30% e 100% mais alto que o de produtos convencionais, mas o
aumento da procura vem reduzindo a diferença. Deve-se atentar para termos
como "biodinâmico" e "hidropônico", que não se referem a orgânicos.
Nos supermercados
Geralmente
associados apenas a frutas, legumes e verduras, os alimentos orgânicos começam
a ser apresentados sob outras formas nas gôndolas dos supermercados. Eis
alguns desses novos produtos, todos certificados. PRATOS
CONGELADOS Almôndegas de soja, berinjela à parmigiana e
feijoada vegetariana estão entre os orgânicos que a empresa paulista
Refazenda Grumo lançará no mês que vem em grandes supermercados.
Já estão disponíveis em feiras e lojas paulistas. www.bairrodemetria.com.br/refazenda.htm
CHOCOLATE EM PÓ
A Native criou um achocolatado com 100% de ingredientes orgânicos e mais
cacau que nos produtos convencionais. Já está em supermercados,
lojas e feiras especializadas. www.native.com.br
SORVETE A sorveteria
carioca La Glacerie lançou orgânicos com sabores de morango, chocolate
e banana, que chegam neste mês a supermercados do Rio de Janeiro e em breve
a São Paulo. www.laglacerie.com.br
Efeitos sobre a saúde Por
ser relativamente recente, o interesse pelos orgânicos ainda não
gerou estudos conclusivos quanto às vantagens para a saúde. O que
se pode afirmar é que evitam os efeitos de longo prazo de substâncias
nocivas. "Eles reduzem o risco de ingerir cancerígenos", explica Elizabeth
Torres, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade
de São Paulo. Um estudo da Universidade de Washington mostrou que crianças
que comem orgânicos têm menos subprodutos de pesticidas no organismo.
É bom lembrar, porém, que os produtores de alimentos convencionais
seguem limites quanto à quantidade de aditivos, determinada por lei com
base nos níveis considerados seguros para a saúde. Por esse aspecto,
a adoção de orgânicos é uma questão de opção
pessoal. Algumas pesquisas mostraram que os orgânicos têm quantidades
maiores de vitamina C, polifenóis e ácido salicílico, benéficos
à saúde. Críticos afirmam, porém, que as amostragens
pequenas impedem uma conclusão definitiva. Quando
os médicos erram Diante
do crescimento do número de casos de erro médico, o Conselho Regional
de Medicina de São Paulo propôs recentemente a criação
de um exame de habilitação para formandos em medicina, a exemplo
do que já existe para a profissão de advogado. A cada dia, a entidade
recebe dez reclamações. Nem todas se encaixam na definição
jurídica. "Confunde-se erro com resultado insatisfatório", diz Henrique
Carlos Gonçalves, primeiro-secretário do conselho. A obrigação
do profissional não é curar, e sim tratar o paciente com os meios
e conhecimentos disponíveis. O erro é caracterizado apenas por imprudência,
negligência ou imperícia danosas ao paciente. Nesses casos, o profissional
pode ser punido e os danos, reparados. Quando o caso é responsabilidade
da clínica ou hospital, o paciente deve processar o estabelecimento (ou
o Estado, no caso do SUS), e não o médico. Se a falha foi do enfermeiro,
a queixa deve ser levada ao Conselho Regional de Enfermagem. Eis os casos mais
comuns, como minimizar o risco e o que fazer se for vítima. Casos
mais comuns
Falta de cuidados durante o parto.
Anestesia
sem teste de alergia.
Maus resultados em cirurgias plásticas.
Uso
inadequado de aparelhagens ou instrumentos de cauterização.
Esquecimento de compressa ou instrumento cirúrgico no interior do paciente.
Falta de higiene nos procedimentos clínicos.
Prescrição
de remédio inadequado.
Alta hospitalar indevida. Como
reduzir o risco
Pode-se checar se o profissional é habilitado no Conselho Federal de Medicina.
O site www.portalmedico.org.br
presta informações.
Sobretudo
em caso de cirurgia, convém informar-se se o médico possui título
de especialista ou residência na área em que atua.
Deve-se
perguntar tudo: explicação detalhada dos riscos do tratamento, previsão
de recuperação de uma cirurgia, efeitos colaterais do medicamento
receitado. Um profissional qualificado deve ser capaz de tirar todas as dúvidas
em linguagem clara.
Médicos que realizam a consulta sem pressa e fazem muitas perguntas tendem
a errar menos. Em emergências, deve-se dar preferência ao médico
que já conhece o histórico do paciente.
Pedir
indicação a um médico de confiança, mesmo que de outra
especialidade, ajuda a garantir um bom atendimento.
O que fazer quando se julgar vítima de erro médico
Dar queixa no Conselho Regional de Medicina. A denúncia não pode
ser anônima. A punição, quando comprovado o erro, vai de advertência
a cassação do registro profissional.
O prazo
para buscar reparação, pelo novo Código Civil, é de
três anos, contados a partir do momento em que o paciente percebe o erro
médico. Em casos de cirurgia em clínicas de estética, os
tribunais têm aceitado cinco anos.
Só
se recomenda entrar com o processo quando há certeza de que houve negligência,
imperícia ou imprudência. Um advogado especializado saberá
estimar as chances de êxito. Quem perde a causa arca com as custas do processo,
incluindo a perícia, a não ser quando tiver sido utilizada a assistência
jurídica gratuita. Editado
por André Fontenelle. Colaboraram Roberta Abreu Lima e Tatiana Vaz
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