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Comportamento A
segunda vida Na idade-limite, modelos
brasileiras voltam para casa e buscam outro rumo
 Roberta
Salomone Fotos
Fabiano Accorsi/Brainpix/divulgação
 | | Ana
(à esq.) e Mariana: desfiles e campanhas, só de vez em quando;
na hora da guinada na carreira, o maior sonho é dar certo na televisão
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Elas têm quase dez
anos de profissão, viajaram o mundo inteiro a trabalho e estão com
um pé na aposentadoria isso tudo aos 20 e poucos anos. Estamos falando,
claro, de modelos: grandes nomes da geração de brasileiras que invadiu
as passarelas do mundo na década passada estão desembarcando no
Brasil de mala e cuia, empurradas do alto do pódio por uma nova leva de
menininhas altas, magras e muito mais novas (veja quadro).
Nos últimos dois anos, vieram para ficar Caroline Ribeiro, Ana Hickmann,
Mariana Weickert e, mais recentemente, Letícia Birkheuer. Deixaram Nova
York, Paris e Milão ainda bem-sucedidas, ainda convocadas por Gucci e Chanel,
mas sentindo ter chegado a hora de reciclar implacável rito de passagem
do qual só estão livres modelos excepcionais como Gisele Bündchen,
celebridade de 15 milhões de dólares só em 2004 e luz própria,
que independe de idade e competição para continuar crescendo e aparecendo.
"Já estava me preparando e estudando interpretação fazia
quase um ano. É difícil, mas bem mais inteligente, planejar um afastamento
quando está tudo ainda dando certo", diz a gaúcha Letícia
Birkheuer, que está de casamento marcado com um empresário carioca,
vai estrear como atriz na próxima novela das 8 e pretende ter um spa e
uma marca de cosméticos com seu nome. Jacques
Dequeker
 | | Letícia,
a mais recente modelo a anunciar que vai voltar: casamento e papel na novela das
8 |
A primeira a voltar foi
a gaúcha Ana Hickmann, 24 anos, que no ano passado fincou âncora
em São Paulo. Desde então, persegue uma carreira de apresentadora,
aparece em campanhas e desfiles esporádicos e virou uma fábrica
de assinar produtos empresta o nome a sapatos, roupas, óculos, jóias,
guarda-chuvas, e até o fim de 2005 sua marca deve faturar mais de 100 milhões
de reais em licenciamentos. Ana acorda todos os dias às 5 da manhã
para apresentar o programa matutino Hoje em Dia, na Rede Record, e trabalha
até as 4 da tarde. Garante que está encantada com a rotina. "Eu
tinha horror só de pensar que alguém pudesse dizer que estava acabada
para as passarelas", revela. A catarinense Mariana Weickert, 23 anos, foi mais
impulsiva: depois de morar cinco anos nos Estados Unidos, veio participar da São
Paulo Fashion Week no ano passado e simplesmente resolveu ficar. Fez um trabalho
ou outro como modelo, pensou em estudar direito e marketing e em montar restaurante.
Agora, acha que se encontrou no talk-show Saca-Rolha, na Rede 21, que comanda
ao lado de Marcelo Tas e Lobão. "Ganho muito menos, mas nunca estive tão
feliz", afirma. Com o pé-de-meia
que acumularam nos tempos áureos, as modelos retornadas podem se dar ao
luxo de sacrificar ganhos enquanto tentam emplacar novos negócios na pátria-mãe.
Calcula-se que, depois que a carreira lá fora deslanchou, Ana e Letícia
tenham faturado cerca de 3 milhões de dólares cada uma e Mariana,
2 milhões. Há dez anos no exterior, a paraense Caroline Ribeiro,
24 anos, 4 milhões de dólares no cofre, também resolveu voltar
quando soube que estava grávida. Depois de perder os 24 quilos que engordou
na gravidez (seu filho, João Felipe, tem 1 ano e meio), ainda desfila e
participa de campanhas fora, mas acaba de comprar uma ampla casa em São
Paulo, onde pretende "viajar menos e curtir minha família", e faz tratamento
com fonoaudióloga de olho em um programa na TV. A transição
é difícil, mas necessária. "Gisele é a única
que poderia parar de trabalhar agora, se quisesse", afirma Sérgio Mattos,
que já atuou nas principais agências do país e é dono
da 40 Graus Models.
Na fila para o sucesso
No grupo das menininhas do Brasil que ganham espaço na moda destaca-se
a loirinha Caroline Trentini, 18 anos, 13ª colocada no ranking das principais
modelos do mundo do site models.com. Em plena ascensão estão Camila
Finn, 13 anos, Caroline Francischini, 16, e Liliane Ferrarezi, 17. Fotos
André Schiliro e divulgação
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