Edição 1921 . 7 de setembro de 2005

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Comportamento
A segunda vida

Na idade-limite, modelos
brasileiras voltam para casa
e buscam outro rumo


Roberta Salomone

 

Fotos Fabiano Accorsi/Brainpix/divulgação
Ana (à esq.) e Mariana: desfiles e campanhas, só de vez em quando; na hora da guinada na carreira, o maior sonho é dar certo na televisão

Elas têm quase dez anos de profissão, viajaram o mundo inteiro a trabalho e estão com um pé na aposentadoria – isso tudo aos 20 e poucos anos. Estamos falando, claro, de modelos: grandes nomes da geração de brasileiras que invadiu as passarelas do mundo na década passada estão desembarcando no Brasil de mala e cuia, empurradas do alto do pódio por uma nova leva de menininhas altas, magras e muito mais novas (veja quadro). Nos últimos dois anos, vieram para ficar Caroline Ribeiro, Ana Hickmann, Mariana Weickert e, mais recentemente, Letícia Birkheuer. Deixaram Nova York, Paris e Milão ainda bem-sucedidas, ainda convocadas por Gucci e Chanel, mas sentindo ter chegado a hora de reciclar – implacável rito de passagem do qual só estão livres modelos excepcionais como Gisele Bündchen, celebridade de 15 milhões de dólares só em 2004 e luz própria, que independe de idade e competição para continuar crescendo e aparecendo. "Já estava me preparando e estudando interpretação fazia quase um ano. É difícil, mas bem mais inteligente, planejar um afastamento quando está tudo ainda dando certo", diz a gaúcha Letícia Birkheuer, que está de casamento marcado com um empresário carioca, vai estrear como atriz na próxima novela das 8 e pretende ter um spa e uma marca de cosméticos com seu nome.

 

Jacques Dequeker
Letícia, a mais recente modelo a anunciar que vai voltar: casamento e papel na novela das 8

A primeira a voltar foi a gaúcha Ana Hickmann, 24 anos, que no ano passado fincou âncora em São Paulo. Desde então, persegue uma carreira de apresentadora, aparece em campanhas e desfiles esporádicos e virou uma fábrica de assinar produtos – empresta o nome a sapatos, roupas, óculos, jóias, guarda-chuvas, e até o fim de 2005 sua marca deve faturar mais de 100 milhões de reais em licenciamentos. Ana acorda todos os dias às 5 da manhã para apresentar o programa matutino Hoje em Dia, na Rede Record, e trabalha até as 4 da tarde. Garante que está encantada com a rotina. "Eu tinha horror só de pensar que alguém pudesse dizer que estava acabada para as passarelas", revela. A catarinense Mariana Weickert, 23 anos, foi mais impulsiva: depois de morar cinco anos nos Estados Unidos, veio participar da São Paulo Fashion Week no ano passado e simplesmente resolveu ficar. Fez um trabalho ou outro como modelo, pensou em estudar direito e marketing e em montar restaurante. Agora, acha que se encontrou no talk-show Saca-Rolha, na Rede 21, que comanda ao lado de Marcelo Tas e Lobão. "Ganho muito menos, mas nunca estive tão feliz", afirma.

Com o pé-de-meia que acumularam nos tempos áureos, as modelos retornadas podem se dar ao luxo de sacrificar ganhos enquanto tentam emplacar novos negócios na pátria-mãe. Calcula-se que, depois que a carreira lá fora deslanchou, Ana e Letícia tenham faturado cerca de 3 milhões de dólares cada uma e Mariana, 2 milhões. Há dez anos no exterior, a paraense Caroline Ribeiro, 24 anos, 4 milhões de dólares no cofre, também resolveu voltar quando soube que estava grávida. Depois de perder os 24 quilos que engordou na gravidez (seu filho, João Felipe, tem 1 ano e meio), ainda desfila e participa de campanhas fora, mas acaba de comprar uma ampla casa em São Paulo, onde pretende "viajar menos e curtir minha família", e faz tratamento com fonoaudióloga de olho em um programa na TV. A transição é difícil, mas necessária. "Gisele é a única que poderia parar de trabalhar agora, se quisesse", afirma Sérgio Mattos, que já atuou nas principais agências do país e é dono da 40 Graus Models.

 

Na fila para o sucesso

No grupo das menininhas do Brasil que ganham espaço na moda destaca-se a loirinha Caroline Trentini, 18 anos, 13ª colocada no ranking das principais modelos do mundo do site models.com. Em plena ascensão estão Camila Finn, 13 anos, Caroline Francischini, 16, e Liliane Ferrarezi, 17.

 
Fotos André Schiliro e divulgação

 
 
 
 
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