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Diogo
Mainardi O resumo da ópera
"Daniel
Dantas foi achacado pelo PT. O achaque começou em 2002. Em maio daquele
ano, João Paulo Cunha pediu uma CPI para investigar a privatização da Telebrás.
Diante da ameaça, Dantas encarregou seu operador Marcos Valério de buscar
um canal com o PT" Estou
tentando encaixar os fatos. Pelo que li até agora, parece-me que houve
o seguinte: Daniel Dantas foi
achacado pelo PT. O achaque começou
em 2002. Em maio daquele ano, João Paulo Cunha pediu uma CPI para investigar
a privatização da Telebrás. Diante da ameaça de sofrer
uma perseguição num futuro governo Lula, por causa de sua ligação
com o governo FHC, Dantas encarregou seu operador Marcos Valério de buscar
um canal de negociação com o PT. Em meados de 2002, Marcos Valério
se aproximou de Delúbio Soares, que exigiu propina para financiar a campanha
eleitoral e domesticar o partido.
Quando Lula foi eleito, o deputado Júlio Delgado recolheu 189 assinaturas
para instalar uma CPI sobre a privatização da Telebrás. João
Paulo Cunha afundou-a imediatamente, obedecendo à orientação
de José Dirceu. De acordo com a agenda da secretária Fernanda Karina
Somaggio, poucos dias depois, em julho de 2003, Marcos Valério e Delúbio
Soares se reuniram com Carlos Rodenburg, sócio de Dantas no Opportunity.
Delúbio Soares cobrou ainda mais dinheiro de Dantas, porque o Palácio
do Planalto queria financiar a compra de parlamentares de outros partidos, com
o chamado "mensalão". Tudo
correu direitinho até julho de 2004, quando Dantas foi acusado de contratar
a empresa de espionagem Kroll para investigar seus adversários. Um dos
alvos de Dantas era Luiz Gushiken, que mantinha uma disputa com José Dirceu
pelo controle do PT. Gushiken retaliou por meio de seus subordinados nos fundos
de pensão estatais, que fizeram um acordo secreto com o Citibank para afastar
Dantas do comando da Brasil Telecom. Pelo acordo, sacramentado em janeiro de 2005,
os fundos de pensão comprariam a participação do Citibank
na Brasil Telecom por 1 bilhão de reais, o dobro do valor de mercado. A
operação foi negociada pela Angra Partners, gestora dos fundos de
pensão e formada por ex-funcionários do próprio Citibank.
O que se comenta no mercado é que o superfaturamento da Brasil Telecom
incluiria uma cota destinada ao PT, que permitiria desviar dinheiro dos fundos
de pensão e substituir Dantas como maior financiador do caixa dois do partido.
Em fevereiro de 2005, o Citibank cumpriu
sua parte do acordo e destituiu Dantas da gestão do fundo CVC, com o qual
ele controlava a Brasil Telecom. Exatamente no mesmo período, segundo Roberto
Jefferson, começaram a minguar os recursos do "mensalão". A explicação
é simples: Dantas, passado para trás pelo governo, interrompeu o
pagamento de propina aos parlamentares. O resultado foram a perda de controle
do Congresso e a eleição de Severino Cavalcanti. Em defesa de Dantas,
Roberto Jefferson procurou Lula e ameaçou denunciar o esquema de corrupção
do governo. José Dirceu colocou a Abin em seu encalço, para intimidá-lo.
Começou também a procurar outras fontes de financiamento para o
PT. A mais promissora previa a reestatização da Brasil Telecom e
da Telemar, com o dinheiro dos fundos de pensão, operação
bilionária que renderia uma boa comissão ao PT. José Dirceu
já tinha sobre a mesa um projeto de lei que permitiria a fusão das
duas empresas. Quando explodiu o caso de corrupção nos Correios,
Roberto Jefferson, em vez de tentar uma composição, partiu para
o ataque e melou o jogo do governo, revelando o esquema de que havia sido beneficiário.
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