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Cartas
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"A capa mais subliminar de VEJA que
já vi. Simplicidade com objetividade. Limpeza total na
política!"
Milton Santos
São Paulo, SP |
Crise
Ao receber o exemplar de VEJA
algo me chamou muito a atenção. Parecia que a capa
da revista era a embalagem de uma marca de sabão em pó
muito conhecida. Para tirar a prova, perguntei a minha esposa e
a minha filha, que prontamente responderam a mesma coisa. Não
tive dúvida: a intenção, acredito, foi mostrar
que é preciso lavar a lama e a sujeira de políticos
e empresários envolvidos com os desvios de verba pública.
Só mesmo muito sabão, de boa qualidade, para remover
a sujeira instalada em nosso país ("O marketing e a corrupção",
31 de agosto).
Paulo Narciso Rodrigues
São José do Rio Preto, SP
Pensei comigo mesmo: que propaganda
é essa de capa de VEJA? É de sabão em pó?
Lendo a reportagem é que ficou clara realmente a intenção
de como foi produzida essa capa. O interessante é que vivemos
de alguma forma tendo de aceitar esse culto à imagem. Não
votei nesse governo necessariamente pela imagem, até porque
só agora entendo o que é fazer um marketing político
bem feito. Mas, sim, pelo simples fato de não ter escolha,
achando que estava fazendo algo certo, resolvi dar um voto de confiança
ao que se denomina "esquerda" neste país. Que decepção!
Espero que esse governo se dissolva realmente como um sabão
em pó barato, saia pelo ralo do esquecimento e nunca mais
volte com imagem disfarçada de algo promissor para o Brasil.
Ravel Inácio Costa Souza
João Pessoa, PB
Assim como pode trocar a marca
de um produto por outra mais adequada, o eleitor também pode
trocar os políticos que não correspondem. E tudo indica
que as próximas "compras" terão muitos produtos novos
no "carrinho-urna".
Roberto Szabunia
Joinville, SC
Parabéns pela capa, semelhante
à famosa marca de sabão em pó. A revista tem
mostrado que, mais do que se sujar, limpar a sujeira faz bem, e
muito.
Paulo Sombra
Fortaleza, CE
Mesmo que se usasse todo o sabão
em pó produzido no Brasil, não se conseguiria limpar
o lamaçal que o atual sistema eleitoral gera na política
brasileira, sendo esse um dos pilares da corrupção,
como bem demonstrou a excelente matéria de capa da edição
de 31 de agosto.
Wallace Costa
Natal, RN
Políticos que são
exibidos como mercadorias e vendidos pela aparência, e não
pela essência, deveriam estar submetidos ao Código
de Defesa do Consumidor, como propaganda enganosa. O consumidor-eleitor,
nesse caso, teria o direito de exigir a substituição
do produto ou a reparação dos vícios de origem,
a qualquer tempo durante o seu mandato.
Ângela Luiza S. Bonacci
Pindamonhangaba, SP
Nós, eleitores, temos
de deixar de ser levados por essas idéias fabricadas pelo
marketing, precisamos ter noções bem claras para decidir
o nosso voto. Depois de eleitos, é difícil tirar os
políticos de lá.
Henrique Kiko Nakada
Utsunomiya, Japão
Depois de ler a detalhada matéria
de VEJA a respeito do cerco dos lobistas ao ministro Palocci
como morador de Ribeirão Preto já há 23 anos
e mesmo sendo semileigo em política , eu acho de bom
alvitre que o senhor Vladimir Poleto, ex-funcionário da Secretaria
da Fazenda de Ribeirão Preto (chefe da Contadoria) na primeira
gestão do então prefeito Palocci e "braço-direito
de Ralf Barquete", seja convocado a depor na CPI dos Bingos para
colaborar com informações, no sentido de esclarecer
melhor o que vem a ser a já consagrada turma de Ribeirão
Preto, dentre outras inúmeras "coisinhas" mais. Sem habeas
corpus, ele teria muito a esclarecer.
Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP
Ministro Celso de Mello
De todos os segmentos da sociedade
que participam do conturbado processo político provocado
pelo governo e pelo PT, o jornalismo tem tido papel de destaque,
permitindo-nos tomar conhecimento dos fatos e formar uma opinião
sobre cada episódio. Num volume crescente de denúncias
em que, antes de assimilarmos as conseqüências de um
episódio, surge outro mais contundente, não é
difícil imaginar a dificuldade de não perder o rumo
com notícias falsas. Nesse contexto, VEJA tem sobressaído
como a mais importante fonte de informação e servido
de citação em todas as instâncias, como um monumento
de credibilidade. É o nosso grito em boas mãos. Estamos
de parabéns por contar com vocês ("Decisão histórica",
Carta ao leitor, 31 de agosto).
Élio Edson Miranda de Oliveira
Por e-mail
A decisão do ministro
Celso de Mello, mandando arquivar o pedido de punição
de jornalistas da revista VEJA, merece o reconhecimento de todo
o povo brasileiro, pois só com a liberdade de imprensa nós,
assinantes de VEJA, poderemos passar aos nossos filhos as notícias
de tanta corrupção no partido que diz que "não
rouba nem deixa roubar".
José Silame Gomes
Mariana, MG
Peter Lindert
Excelente a entrevista com o
professor americano Peter Lindert (Amarelas, 31 de agosto), falando
da questão social do Brasil. É vergonhosa a situação
e acho que estamos longe de resolver o problema, pois os Robin Hood
do Brasil sempre tiraram dos pobres e deram aos ricos. Pensou-se
que o governo Lula iria reverter tal situação. Muito
pelo contrário, apareceram mais Robin Hood da política
que estão tirando ainda mais dos pobres.
Vitor Moreira Vargas
Brasília, DF
O senhor Peter Lindert conhece
muito pouco da destinação dos recursos sociais no
Brasil, principalmente em razão de afirmar que quase todo
o dinheiro dos programas sociais é destinado ao sistema previdenciário
dos militares e juízes. É que as aposentadorias dos
juízes são custeadas com recursos destes, pois cada
um paga a título de contribuição para o plano
de previdência social do servidor público, ao longo
de sua carreira de, aproximadamente, 35 anos, a média de
1 milhão de reais. Eles recolhem, mensalmente, cerca de 2.000
reais aos cofres da Previdência. Assim, não usam dinheiro
público para custear suas aposentadorias, haja vista que
o que pagam já é suficiente. O montante pago por um
juiz, se fosse vertido para um plano de previdência privada,
proporcionaria uma aposentadoria equivalente à que tem direito
a receber dos cofres públicos. Dessa forma, o problema social
do Brasil não reside na destinação de recursos
à aposentadoria dos juízes, mas sim na má gestão
do Poder Executivo, que arrecada mal, pois não consegue cobrar
imposto de renda de profissionais liberais e pecuaristas, só
a título de exemplo, e gasta mal, pois é impotente
até mesmo para fazer uma licitação, em geral
comprando produtos e serviços superfaturados.
Clorisvaldo Rodrigues dos Santos
Juiz federal
Cuiabá, MT
China
É demasiado tênue
a linha que separa a China real do dragão imaginário
que povoa os pesadelos de muitos de nós, os arrogantes ocidentais.
A forma mais eficaz de domar o mito, e de apreciar-lhe a singular
beleza, passa pela leitura apaixonada da verdadeira saga humana
que protagonizam no dia-a-dia os aguerridos moradores do Império
do Meio. Ademais, entender que o diferente não
é necessariamente hostil se firma como um novo mote
orientativo para todos aqueles que tiveram o privilégio de
conhecer a China, de admirá-la e de respeitá-la. Tales
Alvarenga conseguiu esse raro equilíbrio em sua inspirada
viagem-reportagem, pelo que VEJA está de parabéns
("China: o vôo do dragão, da miséria à
riqueza", 31 de agosto).
Fernando Dourado
São Paulo, SP
Esperava mais da reportagem "China:
o vôo do dragão, da miséria à riqueza".
Dá a sensação, após o término
da leitura, de que a Xangai moderna e opulenta é a melhor
representação da evolução que a China
teve nas últimas décadas. Pode ser uma das representações,
mas não é a única. Faltou fazer menção
a outras realidades do dragão chinês, como, por exemplo,
as diferenças econômicas e sociais entre as populações
urbanas e rurais (tiveram direito a poucas linhas no fim do texto).
E onde ficou a baixa remuneração da mão-de-obra,
fora a quantidade média de horas trabalhadas semanais? E
algumas outras facetas do regime autoritário chinês?
Não se desmerece a visão de quem esteve lá
em diversas situações e pôde perceber, in loco,
o crescimento econômico da China, assim como não se
podem negar os progressos quanto à redução
da pobreza (como pode ser visto no último relatório
da ONU sobre desigualdade). Todavia, em vez de uma avaliação
crítica (e democrática) da evolução
do dragão, fiquei com a impressão de ter lido uma
propaganda oficial, com umas leves pinceladas dos "outros lados".
Fabiano Larentis
Bento Gonçalves, RS
Velhinha de Taubaté
Tomei conhecimento com muita
tristeza do falecimento da Velhinha de Taubaté (Datas, 31
de agosto). Sugiro que seu velório seja realizado na rampa
do Palácio do Planalto, em Brasília. Certamente uma
multidão irá acompanhar esse enterro. Pelas pesquisas
de popularidade do presidente Lula, que deveria, agora, estar com
0%, causa-me espécie haver ainda no país tantas pessoas
que pensam como a Velhinha falecida.
Sérgio Borba
Novo Hamburgo, RS
Radar
Ao ler a nota "Que crise?" (Radar, 31 de agosto),
não pude deixar de comparar a situação de "Lulla"
com a famosa fábula da roupa nova do rei. Parece estar cercado
por serviçais bajuladores e ele mesmo nos leva a crer que
não quer ver a realidade que está ao seu redor. Alguém
precisa avisar ao nosso presidente que ele está nu!
Guilherme Steckelberg
Por e-mail
A decisão de vender nossa casa da Rua
Grécia nada tem a ver com o que possa ocorrer com a escola
(Estadual Martim Francisco), e não sei por que ligaram
uma coisa à outra. Fiquei indignado porque o assunto acabou
sendo objeto de ilação descabida. Mas reafirmo que
continuarei a fazer as coisas com correção e transparência,
mesmo no âmbito privado ("Negócios de Marta", Radar,
31 de agosto).
Eduardo Matarazzo Suplicy
Senador
Brasília, DF
Claudio de Moura Castro
Li os dois últimos ensaios de Claudio
de Moura Castro. Tenho 44 anos e sou professora de educação
básica, formada em pedagogia e concursada da rede pública
estadual de Minas Gerais. Não fiquei indignada com a leitura
das tabulações da Saeb. Concordo, pois convivo com
professores desmotivados e apáticos. Não me incluo,
mas gostaria de informar qual o meu salário-base: R$ 231,28
(27 anos de profissão). Com esse salário é
possível ao professor ter motivação? Ter acesso
a informações? Revistas (compro a revista VEJA quando
sobra alguns trocados), livros, seminários, congressos, enfim,
tudo o que um professor precisaria ter. A revista que compro esporadicamente
levo para a escola e vários colegas a lêem. E estão
ainda mais apáticos com tanta sujeira e tanto descaso. Isso
é calamitoso. Haverá alguma conexão?
Lucidey de Araujo Assis
Pouso Alegre, MG
Apenas chamo atenção para duas
questões a ser consideradas, referentes às evidências
dos fatos. 1) Em que condições trabalham os profissionais
em educação nos sistemas públicos em nosso
país? 2) Por quais motivos os sistemas têm de recorrer
a profissionais diversos para suprir a falta de professores? ("Educação
baseada em palpites", Ponto de vista, 31 de agosto.)
Silvio de Souza
Diretor de comunicação da Apeoesp (Sindicato dos Professores
do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
São Paulo, SP
A péssima remuneração
do professor vem servindo de álibi nas escolas públicas
para justificar a má qualidade dos serviços prestados.
É comum nessas entidades ouvir a frase: "O Estado finge que
paga, o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende".
Sabemos que o salário do educador é incompatível
com a importância da função, mas nada justifica
o menosprezo do mestre. É preciso compreender, no entanto,
que essa má remuneração gera um círculo
vicioso que realimenta o próprio fato gerador.
Adair Antero Teles
Betim, MG
A criança nasce livre de qualquer preconceito
e pronta para aprender o que lhe transmitirem; portanto, as que
saem da escola sem compreender o que lêem não o fazem
por culpa delas próprias, mas do profissional que lhes transmite
o ensino. Lamento que professores como os que eu tive nos quatro
primeiros anos de escola não possam ser clonados para ajudar
nossas crianças a ser adultos cultos e com discernimento
crítico.
Rosângela Aparecida Zanquetta
Natal, RN
Amigo, você se meteu num vespeiro! Num
vespeiro azedo. Os professores se julgam os revolucionários
de verdade. Os formadores de opinião dos formadores de opinião.
Os educadores dos mandatários do amanhã. Eles são
hoje o que o país será amanhã. Em suma, de
todas as profissões "Deus" que temos hoje, o professor é
o profissional Deus de verdade.
Fernando E. Correia
São Paulo, SP
Especial A Melhor Idade
Presente antecipado, esse belo encarte que
VEJA me deu (especial A Melhor Idade, 31 de agosto). Faço
50 anos no próximo mês e garanto que fazer 40 foi muito
mais difícil. Hoje tenho a segurança de planejar,
executar e vencer com muito mais firmeza e prazer nos resultados.
Vendo as declarações dos entrevistados, constato que
sem pieguice se pode hoje afirmar que a velhice tem os seus caprichos
que nos castigam, como as doenças, mas tem as compensações
dos sentimentos verdadeiros e do sexo realizado. Publicações
como essa abrem um espaço no Brasil para vencer o medo dos
velhos e o preconceito dos jovens. Ambos os grupos não devem
perder essa publicação.
Mara Narciso
Montes Claros, MG
Podemos perceber quanto a mídia está
consciente desse novo caminho que pode ser percorrido pelas pessoas
que têm mais de 50 anos. VEJA mostrou, de forma brilhante
e muito séria, a força e os recursos que elas têm.
Dorli Kamkhagi
São Paulo, SP
Claro e muito pertinente o especial A Melhor
Idade. O que tantos sabemos na teoria, em minha família
se sabe na prática. Meu pai, Salim Achôa, completou
80 anos no último dia 29 de julho e acaba de ganhar mais
um Torneio de Tênis, em Bauru (que por sinal foi em homenagem
a ele), e minha avó, Julieta Furtado, que tem 101 anos, faz
ginástica todos os dias. Eles têm alimentação
saudável, atividade de memória intensiva, sono regular
e paixão pela vida. Os mais "jovens" da família seguem
o exemplo desde cedo, e esperamos vida longa, cheia de sonhos e
qualidade.
Karina Achôa
São Paulo, SP
Muito bom o especial A Melhor Idade.
Apenas senti falta da menção ao fato de que homens
na casa dos 50 anos (mesmo antes, aos 40) em busca de um relacionamento
afetivo duradouro focam sua atenção e interesse exclusivamente
em mulheres no mínimo quinze anos mais jovens.
Cecilia Rezende
São Paulo, SP
Belo trabalho! Realmente um excelente guia
a ser explorado e seguido por aqueles que queiram viver bem essa
idade tão maravilhosa. No Campo Belo, em São Paulo,
está nascendo um projeto diferenciado para essas pessoas,
e o especial A Melhor Idade veio a calhar, pois esse projeto
tentará focar anseios das pessoas que queiram, realmente,
redescobrir a vida e vivê-la na sua plenitude. Tenho 65 anos.
Amo a vida e exercito a cartilha apregoada por VEJA há muito
tempo. Por isso sou antenada, atualizada, amada e feliz na vida
e num casamento que dura quarenta anos. Obrigada a vocês por
confirmarem aquilo em que acredito.
Maria Antônia de Mattos Hamada
São Paulo, SP
Intelectuais petistas
Inadmissíveis as afirmações
de Marilena Chaui sobre o assunto que há cerca de três
meses vem polarizando as atenções de todos ("Intelectuais
sem causa", 31 de agosto). As afirmações "Não
tenho informação suficiente" e "Nunca me senti tão
desinformada quanto agora" seriam plenamente aceitas caso fossem
feitas por um brasileiro comum, desses que não têm
acesso a revistas, jornais e TV. Além do mais, a crise não
foi criada pelos "ideólogos tucanos", pelos pefelistas, tampouco
fomentada pelos corintianos ou flamenguistas. Foi urdida e realizada
por petistas de alto coturno, que foram sempre abençoados
por ela. Quanto mais se lê (ou se escuta) Marilena Chaui,
mais se admira Hélio Bicudo.
Fábio Carneiro Corrêa
Belo Horizonte, MG
Como dizia minha santa avó: quando
se mantém calado, até o mais completo idiota passa
por inteligente.
Rafael A. Deieno Jr.
São Paulo, SP
Três palavras caracterizam melhor esses
cegos, surdos, mudos: conivência, omissão e vergonha.
Carlos Grossi
Belo Horizonte, MG
Há, no momento, preocupação
com o silêncio dos intelectuais. Quem aderiu a essa quadrilha
merece o desprezo na classificação de Eça de
Queiroz: "Intelectual acéfalo".
Waldomiro Moreira Filho
São Paulo, SP
Diogo Mainardi
Quero me manifestar contra a morte do petismo
defendida pelo senhor na última revista VEJA. Imagine só
essa turma dispersa, contaminando todo organismo ou partido disposto
a acomodá-la. A existência do PT tem essa vantagem;
pelo menos nós, brasileiros, sabemos identificar onde está
essa quadrilha que em nome do trabalhador está assaltando
o Estado ("O bom de blog", 31 de agosto).
Onofre Corrêa
Imperatriz, MA
Perfeita a avaliação de Diogo
Mainardi sobre o blogueiro Cesar Maia. Ele é realmente ágil,
sagaz, investigador e merecedor de muitos outros adjetivos que o
colocam no topo da lista dos seus pares blogueiros. Só que
o Diogo Mainardi, lá de São Paulo, ao exaltar as qualidades
de Cesar como prefeito deve estar brincando conosco, cariocas, que
o elegemos (eu votei nele), caindo no conto do bom administrador.
Ronalldo Gomes Ferraz
Rio de Janeiro, RJ
André Petry
Sou leitor habitual da coluna semanal do senhor
Petry, pessoa a quem passei a admirar por seu conhecimento e sensatez.
Seu artigo "Nós, o vexame mundial" (31 de agosto) traz de
forma clara e sucinta parte dos dados divulgados pela ONU e que
mais uma vez comprovam o que nós, privilegiados deste país,
já sabíamos de longa data. Concordo com sua opinião
sobre o problema da distribuição de renda e o conseqüente
aumento da desigualdade, que, por sua vez, alimenta a criminalidade
e a informalidade. No entanto, acredito que o senhor Petry não
foi muito sábio em seus exemplos de preocupação
nacional, citando alguns fatos recentes envolvendo grupos de camelôs
e de sem-teto que, definitivamente, não são exemplos
de ética, integridade e muito menos de respeito ao próximo.
O Brasil está onde está por sempre abrir exceções,
seja a privilegiados ou a grupos não privilegiados. Chega
de exceções!
Eduardo Savordelli
São Paulo, SP
Vovó espiã
Como seria gratificante para todo o povo brasileiro
se nessas CPIs em andamento, no Congresso Nacional e no governo,
tivéssemos várias donas Vitória (essa idosa
que filmou e entregou traficantes e policiais corruptos na Ladeira
dos Tabajaras, em Copacabana), para mostrar com provas todos os
políticos que participaram de mensalões, de falcatruas,
de acordão e se beneficiaram do dinheiro público.
Políticos de bem deste nosso Brasil, mirem-se no exemplo
e na obstinação da dona Vitória, que sem aparecer,
durante dois anos, mostrou a sua indignação com tudo
que acontecia ao seu redor, correndo total risco de vida. Aliás,
um bom exemplo para o nosso presidente ("É tudo verdade",
31 de agosto).
Tadeu Vinagre
Rio de Janeiro, RJ
Ainda tenho esperança no Brasil por
existirem pessoas como a aposentada que gravou e denunciou policiais
corruptos e traficantes que atuavam na Ladeira dos Tabajaras. Parabéns,
querida! Só restará uma dúvida: se o fato tivesse
sido gravado em Brasília, quem iria para trás das
grades?
José Junior Vendrame
Londrina, PR
Música
Não só os gêneros musicais
têm seu ciclo de vida. Tudo o que é humano é
perecível, até os valores morais e éticos,
como estamos testemunhando no Brasil atual. No entanto, a busca
vazia pela inovação, pura e simplesmente, pode nos
conduzir aos abomináveis cursos de alfabetização
sonora das bandas baianas que, a cada ano, nos entopem os ouvidos
com novidades como a dança da galinha, a dança da
garrafa etc. ("Troca de guarda na MPB", 31 de agosto).
Maria das Vitórias de Lima Rocha
João Pessoa, PB
Televisão
O romance que o jornalista considera o melhor
da novela América é simplesmente o pior que
a televisão poderia oferecer aos jovens brasileiros ("O 'tio'
se deu muito bem", 24 de agosto). O mal que cenas dessa novela estão
fazendo envenena a educação de nossos jovens e estimula
os homens de meia-idade, e mesmo os mais velhos, a trair a esposa
em favor de um romance no mínimo próximo ao incesto
ou perto da pedofilia.
Ignez Martins Tollini
Brasília, DF
Propaganda
Li a reportagem "Agora em cartaz: a mulher
normal" (31 de agosto), sobre as marcas que resolveram usar modelos
"normais" em suas campanhas publicitárias. Concordo plenamente
com a mudança, pois os padrões de beleza atuais estão
muito aquém da realidade. O que me incomodou foi tratar as
mulheres da campanha do Dove como "gordinhas". Esse é um
termo pejorativo. Na campanha aparecem mulheres como a maioria,
e não "esqueléticas" como as modelos. Aliás,
dentre as "gordinhas" do Dove estão mulheres que não
são gordinhas, mas têm um corpo normal, com bumbum
um pouco maior ou pernas grossas.
Natalí Araujo
São Paulo, SP
Duas matérias de 31 de agosto chamaram
atenção por expor a força do marketing, tanto
para o mal quanto para o bem. Como nossa sociedade é permissiva
e ingênua, aceita tudo o que vê na TV como verdade absoluta.
Na política, qualquer pessoa que invista grandes somas de
dinheiro, contratando um marqueteiro famoso, pode ser eleita a algum
cargo público. Na era da ilusão criada por publicitários,
grande parte da população quer ser o que vê
na imagem idealizada de um comercial ou revistas de moda. Muito
animadora foi a notícia de que finalmente os próprios
publicitários optam por apresentar pessoas de aspecto comum
como personagens de suas propagandas. Espero que finalmente seja
revertida a tendência atual de buscar a imagem inatingível,
muitas vezes através de comportamentos neuróticos
e angustiantes. Quanto à política, todos desejam que
maus políticos não sejam "maquiados" pelos marqueteiros
e percam todas as eleições que disputarem.
Humberto Cavaliere
São Paulo, SP
Games
A reportagem "Capa-e-espada virtual" (24 de
agosto) foi especial, pois o Ragnarök é um jogo
delicioso. Só não concordo com a faixa etária
mencionada por VEJA. Tenho 54 anos, sou aposentada, gosto de jogar
e não raro encontro pessoas também na minha faixa
etária para conversar.
Sonia Beatriz Montanari
Por e-mail
John McGrath
Parabéns pela publicação
da entrevista com o doutor John McGrath (Auto-retrato, 24 de agosto),
colega dermatologista com enorme reconhecimento científico.
Concordo totalmente com ele e louvo a coragem de VEJA em publicar
informações científicas corretas, importantes
e substanciadas. Chega de autopromoção, sensacionalismo
e falsas promessas à população.
Doutor Samuel Henrique Mandelbaum
Professor de dermatologia da Universidade de Taubaté e conselheiro
da Sociedade Brasileira de Dermatologia
São José dos Campos, SP
Inteligência
Gostaria de tecer algumas considerações
sobre a pesquisa referente ao quociente de inteligência (QI)
de homens e mulheres ("Eles vão ficar impossíveis",
31 de agosto). O QI se encontra vinculado às primeiras tentativas
de medir objetivamente o intelecto, no início do século
XX. Expressa a razão estabelecida entre a idade mental e
a cronológica a partir de testes de conteúdo matemático
e verbal. No período, considerava-se a inteligência
uma faculdade inata e estável, indiferente, portanto, aos
estímulos ambientais. Na atualidade, os testes de QI são
considerados uma medida de desempenho escolar e avaliam, dessa forma,
um aspecto da cognição. Outras habilidades, como a
destreza motora e a capacidade de se relacionar socialmente, integram
concepções atuais sobre a temática, presentes,
por exemplo, no modelo das inteligências múltiplas
de Gardner. Os estudos do professor Flynn, da Universidade de Otago,
contestam ainda a estabilidade do QI, assinalando um acréscimo
de 20 pontos em cada geração de 30 anos devido ao
aumento da escolaridade nas nações industrializadas
e à reorganização familiar em número
menor de membros, com mais atenção aos questionamentos
infantis. Com efeito, uma diferença de 5 pontos atesta melhor
desempenho escolar dos sujeitos masculinos, resultado provável
de maior estimulação ambiental. Esses elementos, entretanto,
constituem apenas uma parcela da inteligência e não
se pode afirmar que o homem seja, por causa disso, mais inteligente.
Tania Vicente Viana
Psicóloga, doutora em educação
Fortaleza, CE
James Watson
Algumas declarações do cientista
James Watson (Amarelas, 24 de agosto) são polêmicas
porque podem incomodar os mais conservadores, mas as formas de enxergar
doenças ou anomalias devem ser mudadas à medida que
os estudos no campo da genética progridem, já que
futuramente eles vão contribuir de maneira fundamental no
tratamento ou até mesmo na cura de vários problemas
que sempre foram objeto de pesquisas mas só a partir dos
estudos genéticos mais aprofundados começaram a ser
mais bem esclarecidos.
Mariana Busanelli
Jundiaí, SP
CORREÇÕES: Na nota "A
locomotiva do Brasil" (31 de agosto), o correto é bilhões,
e não milhões, para os valores dos PIBs.
A companhia aérea que transporta milhões de
chineses em viagens internas pelo país é a Air China,
e não a China Airlines empresa sediada em Taiwan que
aparece na foto da reportagem "China: o vôo do dragão,
da miséria à riqueza" (31 de agosto).
O escritor Edgar Rice Burroughs (1875-1950) era americano,
e não britânico, como informou a seção
VEJA Recomenda (24 de agosto).
O nome do proprietário do bar Era Só o
que Faltava é Odilon Merlin, e não Jorge Ferlin (O
Melhor da Cidade de Curitiba, agosto de 2005).
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CAMINHO PARA DORMIR EM PAZ
Uma
dezena de leitores se interessou pelo equipamento que
evita o bloqueio da respiração durante
o sono, citado na reportagem "Ronco e apnéia:
o que fazer" (Guia, 3 de agosto). A prótese intra-oral
é indicada para certos tipos de roncadores e
para quem sofre de apnéia leve do sono. O aparelhinho
móvel deve ser confeccionado por um dentista
habilitado para esse tipo específico de prótese.
Mas, antes de pensar em adquiri-lo, deve-se procurar
um médico especialista em sono para, por meio
de exames, constatar se a prótese intra-oral
é a melhor indicação para o caso.
Se for recomendado seu uso, o médico indicará
o dentista capacitado. Antes de tirar o molde, o dentista
avaliará se não existe contra-indicação
e se a arcada dentária suporta seu uso. Cada
aparelho é personalizado, feito com base em um
molde da arcada dentária do paciente. O tratamento
acaba com o ronco em grande parte dos casos. A prótese
custa de 1 000 a 3 000 reais.
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DIREITA E ESQUERDA
Leitores
questionaram a origem dos termos "direita" e "esquerda"
na política, que segundo o ensaio "A mesma e
triste direita de sempre" (Roberto Pompeu de Toledo,
17 de agosto) surgiram na França. Paulo Ricardo
Levacov, de Porto Alegre, acha que "essas expressões
tiveram origem na Rússia de 1917, época
da República de Kerensky. No Parlamento de então,
os bolcheviques sentavam-se à esquerda e os mencheviques,
à direita". Na verdade esses termos passaram
a integrar o vocabulário político numa
referência à posição que
os parlamentares ocupavam na Assembléia Nacional,
em Paris, logo depois da Revolução Francesa
(1789). Na votação da Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão, por exemplo,
os aristocratas sentaram-se à direita e os republicanos
e democratas à esquerda do presidente. E, durante
o período revolucionário que vai de 1791
a 1799, os girondinos, grupo conservador que reunia
a alta burguesia, sentavam-se à direita e os
jacobinos, que queriam radicalizar a revolução,
à esquerda, na Assembléia Legislativa.
Daí as expressões "direita" e "esquerda"
utilizadas até hoje na política.
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