Edição 1921 . 7 de setembro de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"A capa mais subliminar de VEJA que já vi. Simplicidade com objetividade. Limpeza total na política!"
Milton Santos
São Paulo, SP

Crise

Ao receber o exemplar de VEJA algo me chamou muito a atenção. Parecia que a capa da revista era a embalagem de uma marca de sabão em pó muito conhecida. Para tirar a prova, perguntei a minha esposa e a minha filha, que prontamente responderam a mesma coisa. Não tive dúvida: a intenção, acredito, foi mostrar que é preciso lavar a lama e a sujeira de políticos e empresários envolvidos com os desvios de verba pública. Só mesmo muito sabão, de boa qualidade, para remover a sujeira instalada em nosso país ("O marketing e a corrupção", 31 de agosto).
Paulo Narciso Rodrigues
São José do Rio Preto, SP

Pensei comigo mesmo: que propaganda é essa de capa de VEJA? É de sabão em pó? Lendo a reportagem é que ficou clara realmente a intenção de como foi produzida essa capa. O interessante é que vivemos de alguma forma tendo de aceitar esse culto à imagem. Não votei nesse governo necessariamente pela imagem, até porque só agora entendo o que é fazer um marketing político bem feito. Mas, sim, pelo simples fato de não ter escolha, achando que estava fazendo algo certo, resolvi dar um voto de confiança ao que se denomina "esquerda" neste país. Que decepção! Espero que esse governo se dissolva realmente como um sabão em pó barato, saia pelo ralo do esquecimento e nunca mais volte com imagem disfarçada de algo promissor para o Brasil.
Ravel Inácio Costa Souza
João Pessoa, PB

Assim como pode trocar a marca de um produto por outra mais adequada, o eleitor também pode trocar os políticos que não correspondem. E tudo indica que as próximas "compras" terão muitos produtos novos no "carrinho-urna".
Roberto Szabunia
Joinville, SC

Parabéns pela capa, semelhante à famosa marca de sabão em pó. A revista tem mostrado que, mais do que se sujar, limpar a sujeira faz bem, e muito.
Paulo Sombra
Fortaleza, CE

Mesmo que se usasse todo o sabão em pó produzido no Brasil, não se conseguiria limpar o lamaçal que o atual sistema eleitoral gera na política brasileira, sendo esse um dos pilares da corrupção, como bem demonstrou a excelente matéria de capa da edição de 31 de agosto.
Wallace Costa
Natal, RN

Políticos que são exibidos como mercadorias e vendidos pela aparência, e não pela essência, deveriam estar submetidos ao Código de Defesa do Consumidor, como propaganda enganosa. O consumidor-eleitor, nesse caso, teria o direito de exigir a substituição do produto ou a reparação dos vícios de origem, a qualquer tempo durante o seu mandato.
Ângela Luiza S. Bonacci
Pindamonhangaba, SP

Nós, eleitores, temos de deixar de ser levados por essas idéias fabricadas pelo marketing, precisamos ter noções bem claras para decidir o nosso voto. Depois de eleitos, é difícil tirar os políticos de lá.
Henrique Kiko Nakada
Utsunomiya, Japão

Depois de ler a detalhada matéria de VEJA a respeito do cerco dos lobistas ao ministro Palocci – como morador de Ribeirão Preto já há 23 anos e mesmo sendo semileigo em política –, eu acho de bom alvitre que o senhor Vladimir Poleto, ex-funcionário da Secretaria da Fazenda de Ribeirão Preto (chefe da Contadoria) na primeira gestão do então prefeito Palocci e "braço-direito de Ralf Barquete", seja convocado a depor na CPI dos Bingos para colaborar com informações, no sentido de esclarecer melhor o que vem a ser a já consagrada turma de Ribeirão Preto, dentre outras inúmeras "coisinhas" mais. Sem habeas corpus, ele teria muito a esclarecer.
Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

 

Ministro Celso de Mello

De todos os segmentos da sociedade que participam do conturbado processo político provocado pelo governo e pelo PT, o jornalismo tem tido papel de destaque, permitindo-nos tomar conhecimento dos fatos e formar uma opinião sobre cada episódio. Num volume crescente de denúncias em que, antes de assimilarmos as conseqüências de um episódio, surge outro mais contundente, não é difícil imaginar a dificuldade de não perder o rumo com notícias falsas. Nesse contexto, VEJA tem sobressaído como a mais importante fonte de informação e servido de citação em todas as instâncias, como um monumento de credibilidade. É o nosso grito em boas mãos. Estamos de parabéns por contar com vocês ("Decisão histórica", Carta ao leitor, 31 de agosto).
Élio Edson Miranda de Oliveira
Por e-mail

A decisão do ministro Celso de Mello, mandando arquivar o pedido de punição de jornalistas da revista VEJA, merece o reconhecimento de todo o povo brasileiro, pois só com a liberdade de imprensa nós, assinantes de VEJA, poderemos passar aos nossos filhos as notícias de tanta corrupção no partido que diz que "não rouba nem deixa roubar".
José Silame Gomes
Mariana, MG

 

Peter Lindert

Excelente a entrevista com o professor americano Peter Lindert (Amarelas, 31 de agosto), falando da questão social do Brasil. É vergonhosa a situação e acho que estamos longe de resolver o problema, pois os Robin Hood do Brasil sempre tiraram dos pobres e deram aos ricos. Pensou-se que o governo Lula iria reverter tal situação. Muito pelo contrário, apareceram mais Robin Hood da política que estão tirando ainda mais dos pobres.
Vitor Moreira Vargas
Brasília, DF

O senhor Peter Lindert conhece muito pouco da destinação dos recursos sociais no Brasil, principalmente em razão de afirmar que quase todo o dinheiro dos programas sociais é destinado ao sistema previdenciário dos militares e juízes. É que as aposentadorias dos juízes são custeadas com recursos destes, pois cada um paga a título de contribuição para o plano de previdência social do servidor público, ao longo de sua carreira de, aproximadamente, 35 anos, a média de 1 milhão de reais. Eles recolhem, mensalmente, cerca de 2.000 reais aos cofres da Previdência. Assim, não usam dinheiro público para custear suas aposentadorias, haja vista que o que pagam já é suficiente. O montante pago por um juiz, se fosse vertido para um plano de previdência privada, proporcionaria uma aposentadoria equivalente à que tem direito a receber dos cofres públicos. Dessa forma, o problema social do Brasil não reside na destinação de recursos à aposentadoria dos juízes, mas sim na má gestão do Poder Executivo, que arrecada mal, pois não consegue cobrar imposto de renda de profissionais liberais e pecuaristas, só a título de exemplo, e gasta mal, pois é impotente até mesmo para fazer uma licitação, em geral comprando produtos e serviços superfaturados.
Clorisvaldo Rodrigues dos Santos
Juiz federal
Cuiabá, MT

 

China

É demasiado tênue a linha que separa a China real do dragão imaginário que povoa os pesadelos de muitos de nós, os arrogantes ocidentais. A forma mais eficaz de domar o mito, e de apreciar-lhe a singular beleza, passa pela leitura apaixonada da verdadeira saga humana que protagonizam no dia-a-dia os aguerridos moradores do Império do Meio. Ademais, entender que o diferente não é necessariamente hostil se firma como um novo mote orientativo para todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer a China, de admirá-la e de respeitá-la. Tales Alvarenga conseguiu esse raro equilíbrio em sua inspirada viagem-reportagem, pelo que VEJA está de parabéns ("China: o vôo do dragão, da miséria à riqueza", 31 de agosto).
Fernando Dourado
São Paulo, SP

Esperava mais da reportagem "China: o vôo do dragão, da miséria à riqueza". Dá a sensação, após o término da leitura, de que a Xangai moderna e opulenta é a melhor representação da evolução que a China teve nas últimas décadas. Pode ser uma das representações, mas não é a única. Faltou fazer menção a outras realidades do dragão chinês, como, por exemplo, as diferenças econômicas e sociais entre as populações urbanas e rurais (tiveram direito a poucas linhas no fim do texto). E onde ficou a baixa remuneração da mão-de-obra, fora a quantidade média de horas trabalhadas semanais? E algumas outras facetas do regime autoritário chinês? Não se desmerece a visão de quem esteve lá em diversas situações e pôde perceber, in loco, o crescimento econômico da China, assim como não se podem negar os progressos quanto à redução da pobreza (como pode ser visto no último relatório da ONU sobre desigualdade). Todavia, em vez de uma avaliação crítica (e democrática) da evolução do dragão, fiquei com a impressão de ter lido uma propaganda oficial, com umas leves pinceladas dos "outros lados".
Fabiano Larentis
Bento Gonçalves, RS

 

Velhinha de Taubaté

Tomei conhecimento com muita tristeza do falecimento da Velhinha de Taubaté (Datas, 31 de agosto). Sugiro que seu velório seja realizado na rampa do Palácio do Planalto, em Brasília. Certamente uma multidão irá acompanhar esse enterro. Pelas pesquisas de popularidade do presidente Lula, que deveria, agora, estar com 0%, causa-me espécie haver ainda no país tantas pessoas que pensam como a Velhinha falecida.
Sérgio Borba
Novo Hamburgo, RS

 

Radar

Ao ler a nota "Que crise?" (Radar, 31 de agosto), não pude deixar de comparar a situação de "Lulla" com a famosa fábula da roupa nova do rei. Parece estar cercado por serviçais bajuladores e ele mesmo nos leva a crer que não quer ver a realidade que está ao seu redor. Alguém precisa avisar ao nosso presidente que ele está nu!
Guilherme Steckelberg
Por e-mail

A decisão de vender nossa casa da Rua Grécia nada tem a ver com o que possa ocorrer com a escola (Estadual Martim Francisco), e não sei por que ligaram uma coisa à outra. Fiquei indignado porque o assunto acabou sendo objeto de ilação descabida. Mas reafirmo que continuarei a fazer as coisas com correção e transparência, mesmo no âmbito privado ("Negócios de Marta", Radar, 31 de agosto).
Eduardo Matarazzo Suplicy

Senador
Brasília, DF

 

Claudio de Moura Castro

Li os dois últimos ensaios de Claudio de Moura Castro. Tenho 44 anos e sou professora de educação básica, formada em pedagogia e concursada da rede pública estadual de Minas Gerais. Não fiquei indignada com a leitura das tabulações da Saeb. Concordo, pois convivo com professores desmotivados e apáticos. Não me incluo, mas gostaria de informar qual o meu salário-base: R$ 231,28 (27 anos de profissão). Com esse salário é possível ao professor ter motivação? Ter acesso a informações? Revistas (compro a revista VEJA quando sobra alguns trocados), livros, seminários, congressos, enfim, tudo o que um professor precisaria ter. A revista que compro esporadicamente levo para a escola e vários colegas a lêem. E estão ainda mais apáticos com tanta sujeira e tanto descaso. Isso é calamitoso. Haverá alguma conexão?
Lucidey de Araujo Assis
Pouso Alegre, MG

Apenas chamo atenção para duas questões a ser consideradas, referentes às evidências dos fatos. 1) Em que condições trabalham os profissionais em educação nos sistemas públicos em nosso país? 2) Por quais motivos os sistemas têm de recorrer a profissionais diversos para suprir a falta de professores? ("Educação baseada em palpites", Ponto de vista, 31 de agosto.)
Silvio de Souza
Diretor de comunicação da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
São Paulo, SP

A péssima remuneração do professor vem servindo de álibi nas escolas públicas para justificar a má qualidade dos serviços prestados. É comum nessas entidades ouvir a frase: "O Estado finge que paga, o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende". Sabemos que o salário do educador é incompatível com a importância da função, mas nada justifica o menosprezo do mestre. É preciso compreender, no entanto, que essa má remuneração gera um círculo vicioso que realimenta o próprio fato gerador.
Adair Antero Teles
Betim, MG

A criança nasce livre de qualquer preconceito e pronta para aprender o que lhe transmitirem; portanto, as que saem da escola sem compreender o que lêem não o fazem por culpa delas próprias, mas do profissional que lhes transmite o ensino. Lamento que professores como os que eu tive nos quatro primeiros anos de escola não possam ser clonados para ajudar nossas crianças a ser adultos cultos e com discernimento crítico.
Rosângela Aparecida Zanquetta
Natal, RN

Amigo, você se meteu num vespeiro! Num vespeiro azedo. Os professores se julgam os revolucionários de verdade. Os formadores de opinião dos formadores de opinião. Os educadores dos mandatários do amanhã. Eles são hoje o que o país será amanhã. Em suma, de todas as profissões "Deus" que temos hoje, o professor é o profissional Deus de verdade.
Fernando E. Correia
São Paulo, SP

 

Especial A Melhor Idade

Presente antecipado, esse belo encarte que VEJA me deu (especial A Melhor Idade, 31 de agosto). Faço 50 anos no próximo mês e garanto que fazer 40 foi muito mais difícil. Hoje tenho a segurança de planejar, executar e vencer com muito mais firmeza e prazer nos resultados. Vendo as declarações dos entrevistados, constato que sem pieguice se pode hoje afirmar que a velhice tem os seus caprichos que nos castigam, como as doenças, mas tem as compensações dos sentimentos verdadeiros e do sexo realizado. Publicações como essa abrem um espaço no Brasil para vencer o medo dos velhos e o preconceito dos jovens. Ambos os grupos não devem perder essa publicação.
Mara Narciso
Montes Claros, MG

Podemos perceber quanto a mídia está consciente desse novo caminho que pode ser percorrido pelas pessoas que têm mais de 50 anos. VEJA mostrou, de forma brilhante e muito séria, a força e os recursos que elas têm.
Dorli Kamkhagi
São Paulo, SP

Claro e muito pertinente o especial A Melhor Idade. O que tantos sabemos na teoria, em minha família se sabe na prática. Meu pai, Salim Achôa, completou 80 anos no último dia 29 de julho e acaba de ganhar mais um Torneio de Tênis, em Bauru (que por sinal foi em homenagem a ele), e minha avó, Julieta Furtado, que tem 101 anos, faz ginástica todos os dias. Eles têm alimentação saudável, atividade de memória intensiva, sono regular e paixão pela vida. Os mais "jovens" da família seguem o exemplo desde cedo, e esperamos vida longa, cheia de sonhos e qualidade.
Karina Achôa
São Paulo, SP

Muito bom o especial A Melhor Idade. Apenas senti falta da menção ao fato de que homens na casa dos 50 anos (mesmo antes, aos 40) em busca de um relacionamento afetivo duradouro focam sua atenção e interesse exclusivamente em mulheres no mínimo quinze anos mais jovens.
Cecilia Rezende
São Paulo, SP

Belo trabalho! Realmente um excelente guia a ser explorado e seguido por aqueles que queiram viver bem essa idade tão maravilhosa. No Campo Belo, em São Paulo, está nascendo um projeto diferenciado para essas pessoas, e o especial A Melhor Idade veio a calhar, pois esse projeto tentará focar anseios das pessoas que queiram, realmente, redescobrir a vida e vivê-la na sua plenitude. Tenho 65 anos. Amo a vida e exercito a cartilha apregoada por VEJA há muito tempo. Por isso sou antenada, atualizada, amada e feliz na vida e num casamento que dura quarenta anos. Obrigada a vocês por confirmarem aquilo em que acredito.
Maria Antônia de Mattos Hamada
São Paulo, SP

 

Intelectuais petistas

Inadmissíveis as afirmações de Marilena Chaui sobre o assunto que há cerca de três meses vem polarizando as atenções de todos ("Intelectuais sem causa", 31 de agosto). As afirmações "Não tenho informação suficiente" e "Nunca me senti tão desinformada quanto agora" seriam plenamente aceitas caso fossem feitas por um brasileiro comum, desses que não têm acesso a revistas, jornais e TV. Além do mais, a crise não foi criada pelos "ideólogos tucanos", pelos pefelistas, tampouco fomentada pelos corintianos ou flamenguistas. Foi urdida e realizada por petistas de alto coturno, que foram sempre abençoados por ela. Quanto mais se lê (ou se escuta) Marilena Chaui, mais se admira Hélio Bicudo.
Fábio Carneiro Corrêa
Belo Horizonte, MG

Como dizia minha santa avó: quando se mantém calado, até o mais completo idiota passa por inteligente.
Rafael A. Deieno Jr.
São Paulo, SP

Três palavras caracterizam melhor esses cegos, surdos, mudos: conivência, omissão e vergonha.
Carlos Grossi
Belo Horizonte, MG

Há, no momento, preocupação com o silêncio dos intelectuais. Quem aderiu a essa quadrilha merece o desprezo na classificação de Eça de Queiroz: "Intelectual acéfalo".
Waldomiro Moreira Filho
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

Quero me manifestar contra a morte do petismo defendida pelo senhor na última revista VEJA. Imagine só essa turma dispersa, contaminando todo organismo ou partido disposto a acomodá-la. A existência do PT tem essa vantagem; pelo menos nós, brasileiros, sabemos identificar onde está essa quadrilha que em nome do trabalhador está assaltando o Estado ("O bom de blog", 31 de agosto).
Onofre Corrêa
Imperatriz, MA

Perfeita a avaliação de Diogo Mainardi sobre o blogueiro Cesar Maia. Ele é realmente ágil, sagaz, investigador e merecedor de muitos outros adjetivos que o colocam no topo da lista dos seus pares blogueiros. Só que o Diogo Mainardi, lá de São Paulo, ao exaltar as qualidades de Cesar como prefeito deve estar brincando conosco, cariocas, que o elegemos (eu votei nele), caindo no conto do bom administrador.
Ronalldo Gomes Ferraz
Rio de Janeiro, RJ

 

André Petry

Sou leitor habitual da coluna semanal do senhor Petry, pessoa a quem passei a admirar por seu conhecimento e sensatez. Seu artigo "Nós, o vexame mundial" (31 de agosto) traz de forma clara e sucinta parte dos dados divulgados pela ONU e que mais uma vez comprovam o que nós, privilegiados deste país, já sabíamos de longa data. Concordo com sua opinião sobre o problema da distribuição de renda e o conseqüente aumento da desigualdade, que, por sua vez, alimenta a criminalidade e a informalidade. No entanto, acredito que o senhor Petry não foi muito sábio em seus exemplos de preocupação nacional, citando alguns fatos recentes envolvendo grupos de camelôs e de sem-teto que, definitivamente, não são exemplos de ética, integridade e muito menos de respeito ao próximo. O Brasil está onde está por sempre abrir exceções, seja a privilegiados ou a grupos não privilegiados. Chega de exceções!
Eduardo Savordelli
São Paulo, SP

 

Vovó espiã

Como seria gratificante para todo o povo brasileiro se nessas CPIs em andamento, no Congresso Nacional e no governo, tivéssemos várias donas Vitória (essa idosa que filmou e entregou traficantes e policiais corruptos na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana), para mostrar com provas todos os políticos que participaram de mensalões, de falcatruas, de acordão e se beneficiaram do dinheiro público. Políticos de bem deste nosso Brasil, mirem-se no exemplo e na obstinação da dona Vitória, que sem aparecer, durante dois anos, mostrou a sua indignação com tudo que acontecia ao seu redor, correndo total risco de vida. Aliás, um bom exemplo para o nosso presidente ("É tudo verdade", 31 de agosto).
Tadeu Vinagre
Rio de Janeiro, RJ

Ainda tenho esperança no Brasil por existirem pessoas como a aposentada que gravou e denunciou policiais corruptos e traficantes que atuavam na Ladeira dos Tabajaras. Parabéns, querida! Só restará uma dúvida: se o fato tivesse sido gravado em Brasília, quem iria para trás das grades?
José Junior Vendrame
Londrina, PR

 

Música

Não só os gêneros musicais têm seu ciclo de vida. Tudo o que é humano é perecível, até os valores morais e éticos, como estamos testemunhando no Brasil atual. No entanto, a busca vazia pela inovação, pura e simplesmente, pode nos conduzir aos abomináveis cursos de alfabetização sonora das bandas baianas que, a cada ano, nos entopem os ouvidos com novidades como a dança da galinha, a dança da garrafa etc. ("Troca de guarda na MPB", 31 de agosto).
Maria das Vitórias de Lima Rocha
João Pessoa, PB

 

Televisão

O romance que o jornalista considera o melhor da novela América é simplesmente o pior que a televisão poderia oferecer aos jovens brasileiros ("O 'tio' se deu muito bem", 24 de agosto). O mal que cenas dessa novela estão fazendo envenena a educação de nossos jovens e estimula os homens de meia-idade, e mesmo os mais velhos, a trair a esposa em favor de um romance no mínimo próximo ao incesto ou perto da pedofilia.
Ignez Martins Tollini
Brasília, DF

 

Propaganda

Li a reportagem "Agora em cartaz: a mulher normal" (31 de agosto), sobre as marcas que resolveram usar modelos "normais" em suas campanhas publicitárias. Concordo plenamente com a mudança, pois os padrões de beleza atuais estão muito aquém da realidade. O que me incomodou foi tratar as mulheres da campanha do Dove como "gordinhas". Esse é um termo pejorativo. Na campanha aparecem mulheres como a maioria, e não "esqueléticas" como as modelos. Aliás, dentre as "gordinhas" do Dove estão mulheres que não são gordinhas, mas têm um corpo normal, com bumbum um pouco maior ou pernas grossas.
Natalí Araujo
São Paulo, SP

Duas matérias de 31 de agosto chamaram atenção por expor a força do marketing, tanto para o mal quanto para o bem. Como nossa sociedade é permissiva e ingênua, aceita tudo o que vê na TV como verdade absoluta. Na política, qualquer pessoa que invista grandes somas de dinheiro, contratando um marqueteiro famoso, pode ser eleita a algum cargo público. Na era da ilusão criada por publicitários, grande parte da população quer ser o que vê na imagem idealizada de um comercial ou revistas de moda. Muito animadora foi a notícia de que finalmente os próprios publicitários optam por apresentar pessoas de aspecto comum como personagens de suas propagandas. Espero que finalmente seja revertida a tendência atual de buscar a imagem inatingível, muitas vezes através de comportamentos neuróticos e angustiantes. Quanto à política, todos desejam que maus políticos não sejam "maquiados" pelos marqueteiros e percam todas as eleições que disputarem.
Humberto Cavaliere
São Paulo, SP

 

Games

A reportagem "Capa-e-espada virtual" (24 de agosto) foi especial, pois o Ragnarök é um jogo delicioso. Só não concordo com a faixa etária mencionada por VEJA. Tenho 54 anos, sou aposentada, gosto de jogar e não raro encontro pessoas também na minha faixa etária para conversar.
Sonia Beatriz Montanari
Por e-mail

 

John McGrath

Parabéns pela publicação da entrevista com o doutor John McGrath (Auto-retrato, 24 de agosto), colega dermatologista com enorme reconhecimento científico. Concordo totalmente com ele e louvo a coragem de VEJA em publicar informações científicas corretas, importantes e substanciadas. Chega de autopromoção, sensacionalismo e falsas promessas à população.
Doutor Samuel Henrique Mandelbaum
Professor de dermatologia da Universidade de Taubaté e conselheiro da Sociedade Brasileira de Dermatologia
São José dos Campos, SP

 

Inteligência

Gostaria de tecer algumas considerações sobre a pesquisa referente ao quociente de inteligência (QI) de homens e mulheres ("Eles vão ficar impossíveis", 31 de agosto). O QI se encontra vinculado às primeiras tentativas de medir objetivamente o intelecto, no início do século XX. Expressa a razão estabelecida entre a idade mental e a cronológica a partir de testes de conteúdo matemático e verbal. No período, considerava-se a inteligência uma faculdade inata e estável, indiferente, portanto, aos estímulos ambientais. Na atualidade, os testes de QI são considerados uma medida de desempenho escolar e avaliam, dessa forma, um aspecto da cognição. Outras habilidades, como a destreza motora e a capacidade de se relacionar socialmente, integram concepções atuais sobre a temática, presentes, por exemplo, no modelo das inteligências múltiplas de Gardner. Os estudos do professor Flynn, da Universidade de Otago, contestam ainda a estabilidade do QI, assinalando um acréscimo de 20 pontos em cada geração de 30 anos devido ao aumento da escolaridade nas nações industrializadas e à reorganização familiar em número menor de membros, com mais atenção aos questionamentos infantis. Com efeito, uma diferença de 5 pontos atesta melhor desempenho escolar dos sujeitos masculinos, resultado provável de maior estimulação ambiental. Esses elementos, entretanto, constituem apenas uma parcela da inteligência e não se pode afirmar que o homem seja, por causa disso, mais inteligente.
Tania Vicente Viana
Psicóloga, doutora em educação
Fortaleza, CE

 

James Watson

Algumas declarações do cientista James Watson (Amarelas, 24 de agosto) são polêmicas porque podem incomodar os mais conservadores, mas as formas de enxergar doenças ou anomalias devem ser mudadas à medida que os estudos no campo da genética progridem, já que futuramente eles vão contribuir de maneira fundamental no tratamento ou até mesmo na cura de vários problemas que sempre foram objeto de pesquisas mas só a partir dos estudos genéticos mais aprofundados começaram a ser mais bem esclarecidos.
Mariana Busanelli
Jundiaí, SP

CORREÇÕES: Na nota "A locomotiva do Brasil" (31 de agosto), o correto é bilhões, e não milhões, para os valores dos PIBs. A companhia aérea que transporta milhões de chineses em viagens internas pelo país é a Air China, e não a China Airlines – empresa sediada em Taiwan que aparece na foto da reportagem "China: o vôo do dragão, da miséria à riqueza" (31 de agosto). O escritor Edgar Rice Burroughs (1875-1950) era americano, e não britânico, como informou a seção VEJA Recomenda (24 de agosto). O nome do proprietário do bar Era Só o que Faltava é Odilon Merlin, e não Jorge Ferlin (O Melhor da Cidade de Curitiba, agosto de 2005).

 

CAMINHO PARA DORMIR EM PAZ

Uma dezena de leitores se interessou pelo equipamento que evita o bloqueio da respiração durante o sono, citado na reportagem "Ronco e apnéia: o que fazer" (Guia, 3 de agosto). A prótese intra-oral é indicada para certos tipos de roncadores e para quem sofre de apnéia leve do sono. O aparelhinho móvel deve ser confeccionado por um dentista habilitado para esse tipo específico de prótese. Mas, antes de pensar em adquiri-lo, deve-se procurar um médico especialista em sono para, por meio de exames, constatar se a prótese intra-oral é a melhor indicação para o caso. Se for recomendado seu uso, o médico indicará o dentista capacitado. Antes de tirar o molde, o dentista avaliará se não existe contra-indicação e se a arcada dentária suporta seu uso. Cada aparelho é personalizado, feito com base em um molde da arcada dentária do paciente. O tratamento acaba com o ronco em grande parte dos casos. A prótese custa de 1 000 a 3 000 reais.

 

DIREITA E ESQUERDA

Leitores questionaram a origem dos termos "direita" e "esquerda" na política, que segundo o ensaio "A mesma e triste direita de sempre" (Roberto Pompeu de Toledo, 17 de agosto) surgiram na França. Paulo Ricardo Levacov, de Porto Alegre, acha que "essas expressões tiveram origem na Rússia de 1917, época da República de Kerensky. No Parlamento de então, os bolcheviques sentavam-se à esquerda e os mencheviques, à direita". Na verdade esses termos passaram a integrar o vocabulário político numa referência à posição que os parlamentares ocupavam na Assembléia Nacional, em Paris, logo depois da Revolução Francesa (1789). Na votação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, por exemplo, os aristocratas sentaram-se à direita e os republicanos e democratas à esquerda do presidente. E, durante o período revolucionário que vai de 1791 a 1799, os girondinos, grupo conservador que reunia a alta burguesia, sentavam-se à direita e os jacobinos, que queriam radicalizar a revolução, à esquerda, na Assembléia Legislativa. Daí as expressões "direita" e "esquerda" utilizadas até hoje na política.

 

 
 
 
 
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