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Edição 1 763 - 7 de agosto de 2002
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CINEMA

Fotos divulgação
A bela Paz Vega, em Lucia e o Sexo: e o sexo, e o sexo, e o sexo...


Lucia e o Sexo
(Lucía y el Sexo, Espanha/França, 2001. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo) – A Lucia do título (a belíssima Paz Vega) é uma garçonete que vai a uma ilha agreste do Mediterrâneo onde anos antes seu namorado – um escritor que ela julga morto – viveu uma experiência cujas repercussões não param de vir à tona. Para que a platéia possa deslindar esse acontecimento junto com Lucia, o diretor espanhol Julio Medem, de O Esquilo Vermelho e Os Amantes do Círculo Polar, realiza uma volta ao passado e ao início de toda a trama – dos primeiros dias de romance entre os protagonistas (que incluem cenas de sexo muito sedutoras, e também um bocado explícitas) à obsessão crescente do escritor, que cada vez mais se perde na fronteira entre a realidade e a ficção que ele cria a partir dela. Medem tem uma queda por coincidências implausíveis, o que prejudica a coerência de seus roteiros. Mas aquilo que lhe falta em solidez lhe sobra em talento para criar imagens evocativas e em habilidade para enredar o espectador.



Sophia e Mastroianni: obra-prima

Um Dia Muito Especial (Una Giornata Particolare, Itália/Canadá, 1977. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo) – O diretor italiano Ettore Scola é um mestre sem rival na arte de comentar temas imensos e complexos – fascismo, perseguição, alienação – através dos dramas humanos mais miúdos. Um Dia Muito Especial, relançado agora em cópia restaurada, talvez seja sua obra-prima. No dia em que Adolf Hitler vai a Roma celebrar seu pacto com Benito Mussolini, duas pessoas estão à margem das comemorações: a dona-de-casa interpretada por Sophia Loren e o homossexual vivido por Marcello Mastroianni. Ele sabe que nos novos tempos não há lugar para ele, e contempla o suicídio. Ela ignora sua própria infelicidade até conhecer seu vizinho e se dar conta de que há um mundo que ela nem conheceu e que está para desaparecer. Sophia e Mastroianni estão soberbos, e a sutileza com que Scola acompanha a aproximação dos dois só torna mais dolorosa a tragédia da situação.

 

DISCO

 
The Vines: estréia vibrante

Highly Evolved, The Vines (EMI) – Esse quarteto australiano é responsável pelo álbum de estréia mais vibrante do rock desde Definitely Maybe (1994), do Oasis. Formado por ex-funcionários de uma rede de lanchonetes, o Vines começou tocando covers do Nirvana em festas de amigos. No ano passado bancaram um single com a música Factory e chamaram a atenção da gravadora EMI, que gastou uma fortuna com a banda. Highly Evolved foi gravado em Los Angeles com o mesmo produtor de Foo Fighters e Beck. Os integrantes são bonitinhos, o vocalista Craig Nicholls já tem pose de rock star e as composições são muito boas. As faixas Highly Evolvede Outtathaway! vão fazer sucesso em festas, enquanto as baladas Homesick, Autumn Shade e Mary Jane são ótimas para ouvir no carro com a namorada.

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Para ouvir: faixa Highly Envolved



DVD

Duelo ao Sol (Duel in the Sun, Estados Unidos, 1946. Classicline) – O lendário produtor David O. Selznick, de ...E o Vento Levou, quase foi à falência com essa tentativa de transformar a morena Jennifer Jones – que acabara de se tornar sua amante – numa estrela do primeiro escalão. Só assim, com o apoio incondicional do produtor, uma atriz pode dar-se ao luxo de ser tão desavergonhadamente canastrona quanto Jennifer. Mas a sua atuação até que empresta charme ao faroeste. Ela interpreta aqui uma garota mestiça muito ingênua que será a causa de uma rixa trágica entre dois irmãos, o certinho Joseph Cotten e o devasso Gregory Peck. A direção desenvolta de King Vidor assegura o interesse até em momentos potencialmente ridículos, como aquele em que Jennifer, já seduzida por Peck, grita: "Eu não presto, eu não presto". Um clássico do camp.

 

LIVROS

 
Leo Feltran
Brandão: a fama como tema

O Anônimo Célebre, de Ignácio de Loyola Brandão (Global; 380 páginas; 39 reais) – Em seu novo livro, o autor de O Verde Violentou o Muro e Veia Bailarina debruça-se sobre um tema atualíssimo: a indústria da fama. Embora seja sósia de um ator famoso, freqüente as melhores festas e siga a cartilha das celebridades, o protagonista não consegue desfrutar a mesma projeção do artista com quem se parece. Isso é motivo para angústias e reflexões sobre um tempo calcado em aparências. Brandão não conta a história de maneira linear, quebrando-a em vários fragmentos saborosos – muitos com cenas lúbricas. A literatura brasileira não produziria algo melhor.
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Trecho do livro



Hammett: clássico em nova tradução

Seara Vermelha, de Dashiell Hammett (tradução de Alexandre Hubner; Companhia das Letras; 260 páginas; 33,50 reais) – Se Dashiell Hammett é um dos pais do noir americano, essa sua primeira novela pode ser considerada uma espécie de tábua dos dez mandamentos do gênero. Lançada originalmente como folhetim, no fim dos anos 20, contém os ingredientes que se tornariam clássicos nesse tipo de romance – entre eles, um detetive durão e anti-herói, uma personagem feminina tão sensual quanto ambígua e uma sociedade imersa na corrupção. O livro, que estava fora de catálogo, ganha agora uma nova tradução. Inspirado em sua própria experiência como investigador particular, Hammett ambienta a história numa cidade de mineradores. Ao chegar lá para encontrar um cliente, o detetive descobre que o sujeito foi assassinado – e precisa desviar da sujeira que vem em sua direção de todos os lados.

Veja também
Trecho do livro


City, de Alessandro Baricco (tradução de Roberta Barni; Rocco; 316 páginas; 38,50 reais) – Alessandro Baricco é uma das figuras mais festejadas da literatura italiana atual. Além de escrever obras de sucesso, ele faz barulho como agitador cultural: é ator, dono de livraria e promove cursos de incentivo à leitura em sua terra, Turim. City, seu mais recente romance, gira em torno de dois personagens. De um lado está um garoto tido como gênio precoce. Enquanto padece nas mãos de professores ambiciosos, ele divide sua solidão interior com dois amigos imaginários. Na outra ponta está uma telefonista que cultiva certas manias, como a de criar histórias de faroeste. O encontro da dupla é o ponto de partida para aventuras nada convencionais pelas ruas de uma cidade imaginária.

Veja também
Trecho do livro

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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