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Preocupadas
em só vestir quem
está
em forma, as marcas badaladas
reduzem
o tamanho do P, do M e do G
Bel
Moherdaui
Atire o primeiro cabide a mulher que nunca entrou em um provador e se
sentiu a última das mortais ao perceber que só cabe em um
número duas vezes maior do que o que costumava usar ou, pior, não
cabe em nenhum tamanho existente na loja. A calça 42, que sempre
caiu tão bem, não fecha. A camiseta M, que antes servia,
empaca no meio do caminho. Não se trata de um processo de aumento
de peso coletivo são as roupas que estão encolhendo.
Como não existe padrão de tamanho único e completo
no país, cada grife cria e usa sua própria tabela, adaptada
ao público que deseja atingir. Infelizmente para as cheinhas, esse
público cada vez mais se restringe a esguias em ótima forma.
"As grifes, para serem modernas, querem atingir um público muito
jovem. Por isso, a mulher de 30 anos, que tem mais corpo, enfrenta dificuldade
na hora de comprar roupa. Muitas marcas aboliram de vez o tamanho 46,
que algum tempo atrás era o início do G", confirma Emerson
Otsuka, professor de modelagem da Universidade Anhembi Morumbi.
Esse encolhimento faz parte de uma estratégia para valorizar as
grifes, baseada no princípio de que é melhor não
vender uma calça de cintura baixa do que vendê-la a alguém
que tem dobras na barriga. Segundo esse raciocínio, ter a roupa
exposta em quem não a valoriza pega mal para a imagem da marca.
O resultado é que os tamanhos maiores vão sumindo e os que
ficam são reduzidos. Pegue-se o exemplo da atriz Vera Fischer,
que vestia manequim 42 há cinco anos, fez dieta, exercícios
e conseguiu emagrecer 5 quilos nesse período. Agora veste o quê?
Manequim 42. Priscila Fantin, a Maria da novela Esperança,
mais roliça do que o padrão global habitual, encaixa-se
vagamente no tamanho 40, mas já se acostumou: a calça comprida
que lhe serve na coxa sobra na cintura, e vice-versa. "É raro eu
sair da loja carregando a roupa nova. Normalmente, precisa ajustar alguma
coisa", suspira.
A única tabela nacional (não obrigatória) de referência
para medidas de roupas, composta pela Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT), traz apenas definições
de cintura e busto, e pouca gente sabe de sua existência. Dispondo
de tamanha liberdade de criação, na rede de lojas populares
Riachuelo, por exemplo, a etiqueta 42 pode corresponder a três tamanhos
diferentes, dependendo do estilo da coleção (jovem, clássica
ou contemporânea). A ABNT e outros órgãos planejam
há anos realizar o Censo Antropométrico Brasileiro, para
conferir as medidas de pessoas de todas as regiões do país
e, a partir daí, elaborar uma tabela-padrão nacional. Mas
o projeto se encontra praticamente na estaca zero. Enquanto isso, as confecções
estabelecem tamanhos do jeito que lhes encomendam as grifes. A maioria
dos estilistas resiste a confessar que só faz roupa para magros
os outros, sim, é que discriminam. "Minha roupa é
um pouco mais democrática que a das confecções em
geral, porque tenho um público variado", declara o moderninho Marcelo
Sommer. Democracia, na sua visão, é vestir mulheres com
quadris de 91 a 112 centímetros, o que equivale aos tamanhos 36
a 44 em sua grife.
Uma justificativa comum no meio para a exigüidade dos manequins é
a mudança de estilos na moda. Os estilistas alegam que as roupas
largas de alguns anos atrás deram lugar a peças mais justas,
mais difíceis de ser adaptadas em qualquer corpo. Daí a
necessidade de caírem perfeitamente, sem sobras. "Às vezes,
a própria estética da peça estabelece o limite: ela
só vai vestir bem a pessoa que tiver as proporções
adequadas. Quem tiver medidas desproporcionais vai acabar depreciando
a roupa e a si mesmo", afirma Renato Kherlakian, dono da Zoomp. E completa:
"Determinados modelos e estilos se adaptam melhor a uma gama de expansões
limitada". Traduzindo: algumas roupas não caem bem em quem não
está em forma, e não tem choro. Se quiser vesti-las, emagreça.
Antonio Milena
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Você é assim?
A
paranaense Elisa Barboza, 25
anos, 1,76 metro, 59 quilos, passa o dia experimentando roupa. Ela
é "modelo de prova" de grifes badaladas, o que significa
que tem o corpo da média das mulheres que as marcas voltadas
para o público jovem querem como clientes.
No momento, trabalha para a Sommer: experimenta todas as peças
da coleção, para checar se tamanho e caimento estão
adequados. Confira suas medidas:
busto:
88 cm
cintura: 65 cm
quadril: 92 cm
coxa: 54 cm
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