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Eles
vão fundo
Os riscos e as maravilhas do
mergulho em águas
profundas
na costa brasileira
Adriana
Negreiros
Guy Marcovaldi
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A
visibilidade além da plataforma continental pode alcançar
até 60 metros |

Veja também |
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Há
muita beleza e alguns perigos na modalidade de mergulho que vem sendo
descoberta na costa brasileira. Chamada de mergulho no azul, essa aventura
é praticada numa região em que o mar parece não ter
fundo. Trata-se do ponto em que termina a área conhecida como plataforma
continental, a mais rasa do oceano. Nesse local, há uma encosta
que desce até profundidades abissais, de milhares de metros. Das
praias até lá, a distância pode variar de 20 quilômetros,
na Bahia, a 400, no Rio Grande do Sul. Por isso, e também em razão
da temperatura das águas, das correntes oceânicas e das condições
meteorológicas, é no litoral baiano que mais se vê
gente se iniciando na nova prática, tanto em mergulhos de observação
quanto na caça submarina.
Nos costões e lajes próximos do continente, os mergulhadores
descem até cerca de 25 metros e vêem muitos badejos, garoupas
e arraias. Em alto-mar, mergulhando a até 65 metros de profundidade,
o cenário é bem diferente. Não há recifes,
corais nem pedras. Só o imenso e cristalino azul característico
da refração da luz na água daí o nome
dado à prática. Mas a fauna é rica. Cardumes imensos
se movimentam junto ao talude, atraindo espécies maiores. Não
é difícil avistar baleias ou tubarões. "Vi ao vivo
o processo da cadeia alimentar ao encontrar um cardume de sardinhas sendo
atacado por peixes grandes e estes devorados por outros ainda maiores",
descreve o chefe de cozinha paulista Alex Atala. Algumas vezes, Atala
pega carona com empresários de seu Estado que mandam barcos e tripulações
na frente, para localizar bons pontos de mergulho, e depois seguem até
lá de helicóptero, caindo direto na água.
Todos devem ter muita experiência embaixo d'água. Principalmente
porque não há ponto de referência quanto à
profundidade do mergulho. Abaixo dos 10 metros, a tendência do corpo,
quando parado, é afundar e é possível que
o mergulhador nem perceba essa situação. As correntes marinhas
nessa área também podem ser fortes. "A pessoa corre o risco
de se perder no meio do mar", avisa o cinegrafista baiano Dylton Portella,
que pratica o esporte há quatro anos. Outra ameaça são
os tubarões e as baleias, mais pelo susto que pela probabilidade
de algum ataque. Passar perto demais de uma baleia é mais um perigo
da modalidade. "O turbilhão que ela produz ao nadar pode até
arrancar a máscara de quem está muito próximo", conta
o oceanógrafo Guy Marcovaldi, coordenador do Projeto Tamar, voltado
para a preservação das tartarugas marinhas. Com tantos riscos,
vale mesmo a pena? "Nada é igual a flutuar na imensidão
azul, como se estivesse no espaço", responde Atala.
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