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Foto Antonio Milena
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| Ciro,
o candidato: as pesquisas só lhe trazem boas notícias, mas seus aliados
só trazem dor de cabeça |
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Policarpo
Junior

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Veja também |
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Ciro Gomes
está em lua-de-mel com a opinião pública, há
mais de um mês vem crescendo nas pesquisas de intenção
de voto, o eleitorado lhe atribui as características essenciais
para ser presidente da República mas há duas pedras
no meio do caminho. Ciro está enfrentando dificuldades com seus
aliados, e não se trata de problema político. É problema
ético. Um é Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que deixou
o comando da Força Sindical para candidatar-se a vice ao lado de
Ciro. O outro é o deputado José Carlos Martinez, presidente
do PTB, que exercia a função de coordenador nacional da
campanha presidencial até a semana passada. Os dois são
aliados de primeira hora de Ciro. Apostaram em sua candidatura quando
ela patinava nos estratos inferiores das pesquisas, sem perspectiva real
de sucesso. De lá para cá, Ciro ganhou músculos e
suas chances de chegar ao Planalto tornaram-se tão robustas quanto
as de Luís Inácio Lula da Silva, do PT. E, exatamente neste
bom momento, a dupla Paulinho e Martinez virou alvo de denúncias,
numa maré que chegou ao ponto de ebulição na semana
passada.
Divulgação
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Robson Fernandjes/AE
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| Martinez,
que renunciou ao comando da campanha, e Paulinho: maré de suspeitas
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O
vice está sendo alvejado por suspeitas que, até agora, se
mostraram inconclusivas, extremamente vagas e frágeis, quase beirando
a leviandade mas que já se transformaram em fato político.
Em vez de mergulhar na campanha, apresentando propostas e conquistando
eleitores, Paulinho tem sido obrigado a dar explicações
diárias à imprensa. O desgaste já está levando
até aliados a discutir sua substituição na chapa.
O caso de Martinez, cuja fortuna, segundo um processo, cresceu de 100
000 reais em 1990 para 30 milhões no ano seguinte, é muito
mais cabeludo. Sua renúncia ao comando da campanha de Ciro aconteceu
depois da exposição pública de suas obscuras relações
financeiras com Paulo Cesar Farias, o PC, célebre tesoureiro do
ex-presidente Fernando Collor. Há três semanas, VEJA publicou
uma reportagem mostrando detalhes de uma investigação feita
pela Receita Federal. A investigação concluiu que Martinez
forjou ter recebido um empréstimo de cerca de 10 milhões
de dólares de PC Farias para comprar a TV Corcovado, em 1991
e também forjou a venda de uma fazenda na Amazônia para simular
que havia saldado o empréstimo. A revelação provocou
suspeitas de que Martinez, na verdade, era sócio oculto de PC.
De lá para cá, começaram as pressões para
que o deputado abandonasse a coordenação da campanha. Na
segunda-feira da semana passada, Martinez deu novas explicações
sobre o tal empréstimo, foi pouquíssimo convincente e, três
dias depois, renunciou ao cargo de coordenador. Ficou a impressão
de que o rolo do empréstimo é a única ligação
de Martinez com PC Farias. A história da relação
financeira de ambos é mais profunda e mais constrangedora. O caso
ajudou a empurrá-lo para fora da campanha de Ciro, mas a parte
rombuda do iceberg ficou escondida abaixo da linha-d'água.
Eduardo Knapp/Folha Imagem
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| Ciro
Gomes, com ACM: sua candidatura cresce nas pesquisas e ganha musculatura
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Na semana
passada, VEJA teve acesso a um conjunto de documentos depoimentos,
cheques, bilhetes mostrando que as relações de Martinez
com PC Farias, estreitadas no início dos anos 90, foram muito além
de um empréstimo fraudado e desaguaram numa rede de negócios
nebulosos. O mais contundente é um depoimento tomado por auditores
da Receita Federal em abril de 1994. O depoente é Carlos Augusto
de Oliveira, produtor artístico que trabalhou como superintendente
do grupo de comunicação de Martinez entre fevereiro e outubro
de 1992. O depoimento de Guga, como é conhecido no meio televisivo,
foi resumido pelos fiscais da Receita e traz afirmações
incisivas. Numa delas, diz que PC Farias "era sócio oculto de José
Carlos Martinez na rede de televisão OM", conglomerado que, mais
tarde, seria rebatizado de CNT. Diz o depoimento que "PC Farias representava
o presidente da República na época, Fernando Collor". Em
seguida, detalha as cotas de cada um: "O porcentual de participação
na rede de televisão de PC era de 70% e o de Martinez era de 30%.
Essa participação foi feita através de contrato particular
entre as partes".
A afirmação
do ex-superintendente do grupo televisivo de Martinez coincide com uma
especulação corriqueira que circulava durante o governo
Collor segundo a qual Martinez e PC estavam empenhados em construir um
império de comunicação destinado a dar sustentação
política à turma de Alagoas, que tinha lá seus planos
de se eternizar no poder em Brasília. É um despropósito
imaginar que um político com tais ligações se mantivesse
como coordenador nacional da campanha de Ciro Gomes, se todos os detalhes
da história fossem do conhecimento do candidato. Mas também
é preciso reconhecer que uma parte do envolvimento de Martinez
com PC Farias já era sabida quando o deputado ganhou o cargo. O
episódio deixa a impressão de que, para a Frente Trabalhista
de Ciro, não importava tanto a biografia de Martinez. Ao que parece,
o problema estaria muito mais na divulgação dessa biografia.
Há mais: Martinez saiu do comando central da campanha, mas até
a última sexta-feira permanecia atrelado ao grupo criado em torno
da campanha de Ciro, embora mais distante dos holofotes. De agora em diante,
o presidente do PTB, o primeiro partido a se aliar ao PPS de Ciro Gomes,
terá suas atividades restritas ao Paraná. Mas, como é
presidente de um dos partidos da aliança que apóia Ciro,
continua participando do jogo, agora sem a faixa de capitão da
equipe.
Claudio Rossi
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| Cinchetto,
que diz ter recebido uma proposta de suborno, e o anúncio cifrado
que mandou publicar: uma pândega em que todos se acusam |
Foi intensa
a negociação para a saída de Martinez. Após
três dias de discussões, o deputado paranaense acabou vencido
pelas evidências. Ocorre que a ligação de Martinez
com PC Farias já começara a aparecer de forma negativa nas
pesquisas qualitativas que o instituto Vox Populi vinha fazendo para Ciro.
Marcos Coimbra, um dos donos do Vox Populi, informou assessores do candidato
de que a dobradinha Martinez-PC dava os primeiros sinais de que poderia
prejudicar a campanha do presidenciável. Há duas semanas,
a assessoria de Ciro encomendara pesquisas qualitativas para avaliar o
peso dessas denúncias. Após reunir grupos de eleitores em
capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, o Vox Populi concluiu
que a tentativa de vinculação de Ciro à imagem do
ex-presidente Fernando Collor, feita pelo tucanato, não estava
afetando a credibilidade do candidato. No entanto, a ligação
de PC com Martinez, que é desconhecido na maior parte do Brasil,
poderia vir a se revelar bombástica. As novas histórias
despertavam nos entrevistados as lembranças de que PC coordenava
a corrupção no governo Collor.
Por gratidão
ao apoio que recebeu de Martinez desde a primeira hora de sua candidatura,
Ciro se sentia impedido de exigir o afastamento do presidente do PTB.
Quando surgiram as primeiras denúncias, Martinez ensaiou uma tentativa
de se afastar, mas sem maior insistência. Como sua presença
ainda não havia acendido o sinal vermelho nas pesquisas qualitativas,
acabou mantido no comando da campanha. Mas, na segunda-feira da semana
passada, o relatório do Vox Populi foi apresentado ao pessoal de
Ciro, em São Paulo. No dia seguinte, o grupo do candidato acionou
Marcos Coimbra para informar Martinez sobre o resultado dos levantamentos
realizados pelo instituto. A reação do deputado não
tardou: pediu à equipe de Ciro que lhe preparasse uma saída
honrosa. Na noite de quarta-feira, Martinez viajou para São José
do Rio Preto, interior de São Paulo, para falar pessoalmente com
o candidato. Disse que sairia da campanha porque não queria prejudicá-lo.
Dessa vez, Ciro aceitou a retirada. Na tarde do dia seguinte, o deputado
passou quatro horas reunido com assessores de Ciro num hotel em São
Paulo para definir os termos da carta em que anunciaria sua renúncia.
Por trás de tudo, continuava a existir uma história mal
contada, cujos detalhes ainda não tinham sido revelados.
O depoimento
do ex-superintendente do grupo televisivo de Martinez, Carlos Augusto
de Oliveira, não fala apenas de sociedade de Martinez com PC Farias.
Traz outras acusações. Em sua conversa com os auditores
da Receita Federal, Guga diz que PC e Martinez trabalhavam juntos na intermediação
de verba pública. PC, com sua monumental influência sobre
órgãos públicos, conseguiria as verbas oficiais.
Martinez as intermediaria embolsando comissão. Guga cita
um caso concreto. Aconteceu com o SBT, o grupo do empresário Silvio
Santos. Em 1992, Martinez ofereceu ao SBT um contrato de publicidade da
então estatal telefônica Telebrás. Em troca, cobrou
do grupo televisivo uma comissão de 25% sobre a verba publicitária.
Orlando Brito
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Antonio Milena
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Em
depoimento a fiscais da Receita Federal, um ex-superintendente do
grupo de Martinez, Carlos Augusto de Oliveira, afirma que o deputado
tinha uma sociedade com PC Farias. Nessa sociedade oculta, Martinez
possuía 30% e PC ficava com 70%, na condição de representante do
ex-presidente Fernando Collor
Clique
na imagem para vê-la ampliada
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Como indício
de que a transação foi realizada, Guga exibiu um bilhete
redigido em março de 1992. O bilhete é assinado por Mário
Tadani Seo, então responsável pela contabilidade do SBT,
e endereçado a Guilherme Stoliar, na época vice-presidente
do grupo. No bilhete, Seo comunica que a Telebrás pagara 3,5 milhões
de reais, em valores de hoje, e informa que a parcela de 25% corresponderia
a 875 000 reais, em valores atuais. É uma forte sugestão
de que a verba da Telebrás se desdobrou no pagamento de uma comissão.
Comissões pagas em contratos publicitários são uma
rotina. Da mesma forma que corretores de imóveis recebem um porcentual
pela venda de casas ou apartamentos, há recompensa financeira pela
colocação de anúncios no mercado publicitário.
O problema aqui, no entanto, é duplo: nem PC Farias tinha mandato
para aplicar verbas de órgãos federais, já que nem
funcionário público era, nem Martinez trabalhava como agente
publicitário do governo.
No mesmo
depoimento, o produtor artístico Guga de Oliveira apresentou cópia
de um cheque do Banco Panamericano, que pertence até hoje ao grupo
empresarial de Silvio Santos. O cheque, de 274.000
reais, em valores atualizados, é dirigido ao conglomerado de comunicação
de Martinez, a Televisão OM Brasil, que mais tarde viraria CNT.
No depoimento, Guga esclarece que esse cheque do Banco Panamericano saldou
uma parte da comissão de 25%. Ele informa, ainda, que, para resolver
o problema do registro na contabilidade, Martinez emitia notas fiscais
frias como se tivesse prestado "serviços de merchandising" ou "venda
de arquivos". Sobre isso, o produtor não exibiu nenhuma prova,
mas é certo que sua posição de superintendente na
empresa de Martinez lhe permitia ter acesso a esse tipo de informação.
Na semana passada, procurado por VEJA, Guga não quis manifestar-se
sobre o assunto. "Prefiro não falar sobre isso que, para mim, é
caso encerrado", disse ele.
Luizinho Coruja
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| O
produtor artístico Carlos Augusto de Oliveira, o Guga, que trabalhou
oito meses como superintendente do grupo de Martinez, prestou um depoimento
explosivo à Receita Federal: sociedade e traficâncias com verba pública
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As investigações sobre as relações de Martinez
com PC Farias começaram no início dos anos 90, logo que
estourou o escândalo envolvendo o então presidente Fernando
Collor e seu tesoureiro. O primeiro sinal surgiu quando uma investigação
revelou que Martinez comprara a TV Corcovado usando cheques emitidos pelo
esquema de PC Farias. Na época, os cheques eram assinados por "fantasmas"
criados por PC. Tratava-se de correntistas fictícios, que não
existiam na vida real, cujos nomes eram usados em cheques que movimentavam
grandes somas de dinheiro sem deixar rastro. Quando se descobriu que os
fantasmas pagaram uma parte do preço da TV Corcovado, Martinez
saiu-se com a história do tal empréstimo que teria recebido
de PC Farias. Ele, no entanto, nunca conseguiu provar que o empréstimo
realmente existiu, pois não havia contrato nem registro em cartório.
Também não conseguiu convencer os fiscais da Receita Federal
de que o empréstimo foi saldado. Martinez informou que vendera
uma fazenda no município de Silves, no Amazonas, mas os fiscais
descobriram que o negócio nunca existiu e que o imóvel
permanecia como propriedade de Martinez.
Juntando
todas as pontas cheques fantasmas, empréstimo fraudado,
intermediação de verba pública , constata-se
que Martinez tinha uma relação muito mais intrincada com
PC Farias. E há sinais de que havia outras conexões. Na
semana passada, VEJA teve acesso a gravações de conversas
telefônicas mantidas entre três altos executivos do grupo
de Martinez durante um breve período de 1995. Todos trabalhavam
no Paraná. Pelo conteúdo dos diálogos, fica-se com
a impressão de que Martinez também participou da famosa
Operação Uruguai, farsa montada pelo ex-presidente Fernando
Collor para justificar a existência de 5 milhões de dólares.
Um dos executivos, quando indagado por um colega sobre se poderia dar
detalhes da participação de Martinez na operação,
demonstra muito receio em falar sobre o caso. "Não, esse não
dá", responde ele. "Envolve muita gente, envolve morte. Nego manda
matar. Envolve gente de Brasília, é muito pesado." Perguntado
sobre se conhece outras irregularidades cometidas por Martinez, além
da Operação Uruguai, o executivo afirma: "Tenho muitas coisas.
Tem 500.000 coisas". A conversa, em si, não
prova nada contra o deputado, mas aumenta a névoa de suspeita que
paira em torno dele.
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| Martinez
tinha duas contas não declaradas à Receita no exterior. Ele admite
só uma e que, nela, o saldo era de apenas 3.000 dólares. O cheque
mostra que a conta era mais farta que isso |
Além
do envolvimento com PC Farias, a própria biografia financeira de
Martinez traz passagens complicadas. No rastro das investigações
promovidas pela Receita Federal, descobriu-se que o deputado tinha duas
contas bancárias no exterior, que não apareciam em suas
declarações de renda. Uma delas fora aberta no Manufactor
Hannover-Banco Bamerindus, em Nova York, e outra no National Bank of Florida,
em Miami. No depoimento à Receita Federal, o produtor Carlos Augusto
de Oliveira diz que a conta de Nova York era utilizada para realizar transações
internacionais da empresa de Martinez. Consultado por VEJA, Martinez confirmou
a existência de apenas uma conta no exterior a de Miami.
"Esqueci de declarar porque era coisa pouca. Tinha lá uns 3.000
dólares que eu usava para pagar despesas de cartão de crédito
internacional", disse Martinez. Um único cheque localizado pela
Receita mostra que a conta de Miami era mais farta do que o deputado admite.
Em novembro de 1991, ele emitiu um cheque de 20.000
dólares.
Claudio Versiani
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Marcos Issa
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| Rogério
Magri (à esq.), um sindicalista que chegou a ser ministro e
caiu sob uma nuvem de suspeitas. Paulinho, o vice, durante suas atividades
sindicais: no papel de candidato a vice responde a denúncias |
Esse é
o homem que durante tanto tempo atuou como coordenador nacional da campanha
de Ciro Gomes. Na campanha presidencial de Fernando Collor, Martinez desempenhou
função de menor relevo, mas semelhante. Na época,
ele pertencia ao partido de Collor, o PRN. Foi no Paraná, como
coordenador estadual de Collor, que Martinez começou a construir
o sonho de eleger um aliado para o Palácio do Planalto. E foi o
próprio Martinez que, sem querer, deu início à destruição
de tal sonho. A derrocada de Collor começou quando PC comprou o
título A Tribuna de Alagoas para montar um jornal que concorreria
com o diário comandado por Pedro Collor, A Gazeta de Alagoas.
Irado com a audácia de PC em tornar-se seu concorrente em Maceió,
a gota d'água numa seqüência de desentendimentos com
Fernando Collor e PC Farias, Pedro desatou as denúncias que acabariam
por derrubar o irmão da Presidência. E quem vendeu A Tribuna
de Alagoas a PC? Ele mesmo: José Carlos Martinez. Na companhia
de um grupo de amigos, o paranaense havia comprado o título do
jornal, com o maquinário, em 1986. Em 1991, sem interesse pela
exploração do negócio, Martinez vendeu o jornal a
PC pelo valor simbólico de 100 cruzeiros, o equivalente a 1 real.
Ao terremoto
Martinez vêm juntar-se agora as dificuldades enfrentadas pelo vice,
Paulo Pereira da Silva, homem saído do meio sindical, um universo
que já produziu Rogério Magri, que chegou a ser ministro
do Trabalho no governo Collor, e Luiz Antonio de Medeiros, hoje deputado,
antecessor de Paulinho no comando da Força Sindical. Na semana
passada, Paulinho foi chamado a prestar depoimento ao Ministério
Público Federal, em São Paulo, sob a suspeita de que, durante
sua gestão, a Força Sindical teria comprado uma fazenda
com sobrepreço de 1 milhão de reais. O vice também
foi acusado de ter usado um testa-de-ferro na compra de um sítio,
por 65.000 reais, no interior de São
Paulo. São suspeitas extremamente aéreas, mas, na semana
passada, deixaram de ser as únicas. A ministra Anadyr Rodrigues,
da Controladoria-Geral da União, enviou ao sindicalista um documento
de trinta páginas pedindo esclarecimentos sobre o destino de recursos
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O dinheiro do FAT, repassado
pelo governo a entidades sindicais, deve ser empregado em cursos de qualificação
de mão-de-obra. Só no ano passado a Força Sindical
recebeu 38 milhões de reais para treinar 250.000
trabalhadores. A suspeita igualmente vaga é de que
a central sindical tenha qualificado menos gente e embolsado a diferença.
Paulo Pinto/AE
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| José
Serra: "Toda vez que Ciro Gomes abre a boca, o dólar sobe e uma fábrica
fecha" |
Há
mais. Na semana passada, um ex-assessor da Força Sindical, Wagner
Cinchetto, que coleciona denúncias de irregularidades na central
sindical, contou ter recebido uma proposta de suborno do pessoal de Paulinho.
Cinchetto afirma que teve dois encontros com Marcos Cará, um ex-assessor
sindical de Luiz Antonio de Medeiros, que lhe ofereceu 3 milhões
de reais em troca de seu silêncio. Chegou até a publicar
isso em anúncios cifrados em jornais. Diz que o ex-assessor se
apresentou em nome de Paulinho. "É coisa para 3 milhas", teria
falado o ex-assessor. Marcos Cará, por sua vez, alega o contrário.
Conta que foi procurado por Cinchetto, que estava interessado em leiloar
seu silêncio. Nos dois encontros, Cinchetto teria relatado que estava
trabalhando para tucanos e petistas mas que, caso Paulinho pagasse
mais, se disporia a mudar de lado. Cará afirma que, diante disso,
resolveu sondar Paulinho sobre o assunto. Consultado por VEJA, Paulinho
mandou dizer, por intermédio de sua assessoria, que ouviu a história
de Cará, porém se recusou a pagar qualquer suborno. Mas
não tomou a precaução de chamar a polícia.
Ficou, assim, à mercê do acusador, porque seu único
argumento é sua palavra contra a do outro. O caso se assemelha
a uma tremenda patuscada, em que todos se acusam de bandidagem com ares
de indignação. Só faltava uma história rocambolesca
como essa ter acontecido num restaurante popular de esfihas ou numa engordurada
pastelaria de São Paulo. Pois foi exatamente isso que ocorreu.
Um encontro de Cará e Cinchetto deu-se num restaurante árabe,
pertinho da zona do meretrício, no centro de São Paulo.
O outro foi numa pastelaria japonesa, cuja decoração inclui
paredes espelhadas. E pensar que esses personagens transitaram ou transitam
nos círculos freqüentados por um candidato a vice-presidente
da República. Só faltava essa.
Com
reportagem de
Felipe Patury,
Sandra Brasil e Alexandre Oltramari
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