Edição 1861 . 7 de julho de 2004

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Música
Concertos para joystick

A música para videogames está se
tornando um gênero à parte – e
já tem até seus "clássicos"


Sérgio Martins


AFP
Divulgação
O roqueiro Peter Gabriel e uma personagem do jogo Final Fantasy: indústria bilionária

EXCLUSIVO ON-LINE
Para ouvir: músicas dos games

Roqueiro japonês de carreira obscura até poucos anos atrás, Nobuo Uematsu, de 45 anos, viveu em maio passado seu momento de consagração. Em apresentação na Walt Disney Concert Hall, uma das casas de concertos mais modernas do mundo, a Orquestra Filarmônica de Los Angeles executou as composições que catapultaram Uematsu para a fama: as trilhas sonoras que ele vem criando desde o fim dos anos 80 para um dos videogames mais populares do mundo, o Final Fantasy. Detalhe: como os 2 265 assentos estavam esgotados havia dois meses, uma multidão disputava, do lado de fora, ingressos vendidos por 500 dólares no paralelo. Por mais que despertem arrepios de prazer nos fãs de Final Fantasy, as trilhas de Uematsu não têm graça fora do contexto do jogo. Ainda assim, o concerto foi uma demonstração de que a indústria dos videogames, que movimenta 28 bilhões de dólares por ano, já é capaz de dar poder àqueles que se ocupam de compor trilhas para ela.

Até recentemente, a relação entre o mundo da música e o mundo dos games era de mão única. Artistas de sucesso permitiam que suas canções fossem parte de certos jogos em troca de belos royalties. A lista de nomes que fizeram isso vai dos roqueiros do Blur e do Aerosmith aos brasileiros dos Tribalistas, cujo hit Já Sei Namorar consta do game Fifa Soccer 2004. Cada vez mais, no entanto, a música de videogame firma-se como um gênero à parte. Uma parcela dessa evolução se deve à melhoria dos próprios equipamentos. Se na era do ancestral Atari, no começo dos anos 80, eles não produziam mais que alguns bipes rudimentares, agora computadores e consoles têm som com qualidade de CD. Além disso, os jogos dispõem de mais cenários e situações, o que faz deles um campo fértil para a imaginação dos compositores. O veterano do rock inglês Peter Gabriel curvou-se aos jogos e está compondo uma trilha para uma nova versão do enigmático Myst.

Ainda existe outra maneira de os games interagirem com a música. Há garotos hoje em dia para os quais os temas de Mario Bros. são clássicos que merecem "releituras" para exibição no palco. É o caso de bandas americanas como Minibosses e The Advantage. Os componentes dessa última especializaram-se em recriar os temas dos principais jogos da Nintendo, em ritmo de rock. Por que a escolha desse repertório? Ele faz os roqueiros lembrarem dos tempos de adolescência. "Tocamos as músicas e nos vemos comendo hambúrgueres e jogando a tarde inteira", diz o baterista Spencer Seim, de 23 anos. Em certa medida, trata-se de um fenômeno semelhante ao que ocorreu com temas de desenhos animados e seriados de televisão dos anos 60 e 70, que passaram a ocupar um lugar na memória afetiva daqueles que assistiam a esses programas na juventude.

 

 
 
 
 
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