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Música
Concertos para joystick
A música para videogames está se
tornando um gênero à parte e
já tem até seus "clássicos"

Sérgio Martins
AFP
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Divulgação
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| O roqueiro Peter Gabriel e uma
personagem do jogo Final Fantasy: indústria bilionária
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Roqueiro japonês de carreira obscura
até poucos anos atrás, Nobuo Uematsu, de 45 anos,
viveu em maio passado seu momento de consagração.
Em apresentação na Walt Disney Concert Hall, uma das
casas de concertos mais modernas do mundo, a Orquestra Filarmônica
de Los Angeles executou as composições que catapultaram
Uematsu para a fama: as trilhas sonoras que ele vem criando desde
o fim dos anos 80 para um dos videogames mais populares do mundo,
o Final Fantasy. Detalhe: como os 2 265 assentos estavam
esgotados havia dois meses, uma multidão disputava, do lado
de fora, ingressos vendidos por 500 dólares no paralelo.
Por mais que despertem arrepios de prazer nos fãs de Final
Fantasy, as trilhas de Uematsu não têm graça
fora do contexto do jogo. Ainda assim, o concerto foi uma demonstração
de que a indústria dos videogames, que movimenta 28 bilhões
de dólares por ano, já é capaz de dar poder
àqueles que se ocupam de compor trilhas para ela.
Até recentemente, a relação
entre o mundo da música e o mundo dos games era de mão
única. Artistas de sucesso permitiam que suas canções
fossem parte de certos jogos em troca de belos royalties. A lista
de nomes que fizeram isso vai dos roqueiros do Blur e do Aerosmith
aos brasileiros dos Tribalistas, cujo hit Já Sei Namorar
consta do game Fifa Soccer 2004. Cada vez mais, no entanto,
a música de videogame firma-se como um gênero à
parte. Uma parcela dessa evolução se deve à
melhoria dos próprios equipamentos. Se na era do ancestral
Atari, no começo dos anos 80, eles não produziam mais
que alguns bipes rudimentares, agora computadores e consoles têm
som com qualidade de CD. Além disso, os jogos dispõem
de mais cenários e situações, o que faz deles
um campo fértil para a imaginação dos compositores.
O veterano do rock inglês Peter Gabriel curvou-se aos jogos
e está compondo uma trilha para uma nova versão do
enigmático Myst.
Ainda existe outra maneira de os games interagirem
com a música. Há garotos hoje em dia para os quais
os temas de Mario Bros. são clássicos que merecem
"releituras" para exibição no palco. É o caso
de bandas americanas como Minibosses e The Advantage. Os componentes
dessa última especializaram-se em recriar os temas dos principais
jogos da Nintendo, em ritmo de rock. Por que a escolha desse repertório?
Ele faz os roqueiros lembrarem dos tempos de adolescência.
"Tocamos as músicas e nos vemos comendo hambúrgueres
e jogando a tarde inteira", diz o baterista Spencer Seim, de 23
anos. Em certa medida, trata-se de um fenômeno semelhante
ao que ocorreu com temas de desenhos animados e seriados de televisão
dos anos 60 e 70, que passaram a ocupar um lugar na memória
afetiva daqueles que assistiam a esses programas na juventude.
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