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Pesquisas
O Ibope errou?
Em oito dias, a sucessão
paulistana se embaralhou
Marlene Bergamo/Folha Imagem
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| Os candidatos Serra e Maluf, com números bem
diferentes |
Em qualquer eleição, as pesquisas
de opinião pública costumam gerar alguma algaravia,
quase sempre por iniciativa do candidato menos cotado. Na semana
passada, o próprio Ibope, o mais antigo instituto de pesquisa
do país, deu munição à polêmica.
Na segunda-feira, por encomenda da Rede Globo, o Ibope divulgou
pesquisa mostrando o tucano José Serra com 30% na disputa
pela prefeitura de São Paulo, com quase o dobro da pontuação
da petista Marta Suplicy, que ficou com 16%. Oito dias antes, por
encomenda do PT, o Ibope fizera uma pesquisa em que Serra aparecia
com 22% só 1 ponto porcentual à frente de Marta,
com 21%. A imensa discrepância dos resultados, incomum num
intervalo de apenas oito dias e em pesquisas com a mesma metodologia,
gerou desconfiança sobre a credibilidade dos números.
O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, diz que a conjunção
de vários fatores produziu a alteração.
A primeira pesquisa foi precedida pela exibição
de um programa do PT na televisão e pela divulgação
dos documentos sobre contas do ex-prefeito Paulo Maluf na Suíça,
o que teria ajudado a aproximar os índices de preferência
de Serra e Marta. Na segunda pesquisa, o PSDB divulgara comerciais
na TV, Maluf se defendera das acusações sobre contas
no exterior em programas populares e o governo federal concedera
um salário mínimo de apenas 260 reais. É sabido
que pesquisas são retrato da hora, e, como não há
uma hora idêntica a outra, é natural que haja diferença.
O que chamou atenção, nesse caso, foi o grau de diferença.
Talvez o problema seja o fato de um instituto ter dois patrões.
Explica o cientista político Antônio Lavareda: "A desconfiança
acontece porque os mesmos institutos trabalham para os partidos
e, outras vezes, apenas para informação do público.
É preciso diferenciar com clareza uma coisa da outra". Parece
sensato.
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