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Governo
O PT marchou rumo
às vagas no governo...
...e produziu a maior ocupação
de cargos
públicos da história. Os maus resultados já
aparecem

Ronaldo França
Antonio Milena
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| Petistas em festa: falta experiência na administração
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O governo brasileiro tem 460.000
funcionários civis trabalhando no Poder Executivo. É
uma máquina de dimensões continentais e, por isso
mesmo, de difícil gerenciamento. Nunca foi fácil governá-la.
Mas, desde o ano passado, essa tarefa ficou ainda mais difícil
em razão de uma característica própria do governo
Lula. Ao chegar ao poder, o PT operou uma troca de cadeiras jamais
vista na Esplanada dos Ministérios. Acomodou, em cargos de
confiança, milhares de filiados e indicados por partidos
da base aliada, nem sempre levando em conta a devida experiência
administrativa. Oficialmente, a isso se chamou acolhimento das diversas
tendências partidárias e articulação
política do governo. Para os que estão mais preocupados
com o país que com as acomodações internas
petistas, tem outro nome atende por aparelhamento do Estado,
cujo significado é a utilização da máquina
governamental a serviço de interesses de um grupo político,
não necessariamente afinados com o chamado interesse público.
A ocupação da máquina não seria um problema
se a já comumente rarefeita eficiência administrativa
do governo fosse mantida em níveis razoáveis. No governo
do PT, a máquina engasgou, justamente em alguns de seus órgãos
vitais e de desempenho mais notável no passado.
Roberto Stuckert Filho/Ag. O Globo
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| Lessa, do BNDES: juros mais altos para o bom
pagador são apenas uma de suas invenções
e retrocessos |
Existem no país 19.000
cargos de direção e assessoramento superiores, os
chamados DAS. São aquelas vagas comissionadas usadas para
contratar pessoas de fora dos quadros do funcionalismo ou para oferecer
gratificação a um funcionário público
enquanto ele exerce um cargo de confiança. Quando se muda
o governo, não há mais de 1.500
postos de confiança a ser removidos. Incluem-se aí
com folga os ministros, secretários executivos de ministérios,
presidentes de autarquias, cargos na área econômica
e fundações públicas. Ainda que se quisesse
trocar todas literalmente todas as assessorias técnicas,
essa mudança chegaria a já temerosas 4.000
trocas de cadeira. O governo admite que nomeou 15 000 pessoas. Dessas,
pelo menos 8 000 são do PT.
Lançar mão de cargos de confiança
quando se chega ao poder é um direito legítimo do
governante. É graças a isso que se pode ter um executivo
de reconhecimento internacional, como Henrique Meirelles, à
frente do Banco Central. O problema se dá quando as nomeações
não respeitam o limite do bom senso. No livro Transição
e Democracia, Institucionalizando a Passagem do Poder, editado
pela Casa Civil da Presidência em 2002, o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso descreveu a importância de saber manejar
a máquina pública. "Penso que constitui um risco para
uma nova equipe (...) minimizar a importância desse setor
do Estado brasileiro, porque sem ele não se governa. E se
o presidente não tiver percepção clara desse
fenômeno (...) o que pode acontecer é que a máquina
acabe por conduzir os destinos do governo por conta própria,
não apenas na rotina administrativa, mas até mesmo
nas decisões fundamentais", escreveu. Uma intervenção
de magnitude como essa que foi feita traz consigo um efeito colateral
adicional. Perde-se a memória das rotinas e procedimentos
de cada área. "Criou-se um efeito dominó perverso
quando se substituiu do ministro ao chefe de almoxarifado do subsolo",
afirma a cientista política e especialista em serviço
público Lúcia Hipólito. "São novas caras,
novas diretrizes, reinventando a roda e fazendo terra arrasada da
gestão anterior."
Rafael Neddermeyer/AE
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| Campanhola: companheiros no poder e paralisia
na Embrapa |
O mais danoso exemplo de emperramento de um
órgão de primeira linha no Brasil vem do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a única
fonte de empréstimos de longo prazo no país. O economista
Carlos Lessa, que o PT colocou na direção do BNDES
e vem mantendo apesar das repetidas demonstrações
de inadequação ao posto, desmontou a competente equipe
técnica do banco. Técnicos de qualidade foram substituídos
por outros escolhidos por Lessa. A equipe do novo presidente, entre
outras desventuras, está em briga contra o bom senso econômico
mais banal. No BNDES dos sonhos de Lessa, os bons pagadores que
se candidatam a um empréstimo pagam uma taxa de risco maior
que a cobrada dos inadimplentes. Como as jabuticabas, essa é
uma coisa que só existe no Brasil. "O BNDES tem hoje uma
administração incompetente", disse o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso.
O Ibama é outro exemplo de esfacelamento.
O governo do PT trocou quase todos os gerentes executivos, que são
os responsáveis nos Estados, fazendo uma clara opção
por militantes do partido. O desempenho do Ibama ficou aquém
do esperado. Em 2002, último ano do governo FHC, foram lavrados
37.000 autos de infração.
No ano passado, apenas 20 000 autos foram emitidos. Segundo o Ibama,
2002 foi um ano atípico. Ainda assim, a fiscalização
ficou abaixo da média no ano passado. O ritmo do licenciamento
também foi reduzido. "O problema deste governo é que
trocaram o zagueiro pelo roupeiro em diversos setores. Assim não
se ganha jogo", afirma Alexandre Camanho, procurador regional da
República no Distrito Federal.
Na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), a troca de diretores e chefes de unidades também
obedeceu a um indisfarçável critério partidário.
Assim que chegou, o novo presidente, Clayton Campanhola, trocou
dezenove dos 37 chefes de centros de pesquisa. Desses novos, pelos
menos dez eram militantes do PT ou tinham ligação
com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento
Agropecuário (Sinpaf). Para conseguir trocar os chefes das
unidades regionais, a nova diretoria promoveu uma mudança
nas regras do processo de seleção. Até o governo
passado, a experiência administrativa anterior contava pontos
preciosos como ocorre em qualquer empresa privada. Para que
se desse chance aos "companheiros", a experiência teve seu
peso reduzido na avaliação.
A mudança na Embrapa que nos
últimos anos se tornara uma espécie de modelo de eficiência
em pesquisa também promoveu um processo de desmonte.
A começar pelas diretrizes que tornaram a empresa uma mola
propulsora do desenvolvimento agropecuário brasileiro. Assim
que chegou, Campanhola definiu como prioridade número 1 de
sua administração "as atividades de pesquisa e desenvolvimento
direcionadas aos agricultores familiares, assentados da reforma
agrária e pequenos empreendedores rurais". O agronegócio
passou para segundo lugar. O PT não esconde objetivos políticos
em sua ocupação do Estado. A explicação
mais crua e singela é a de que o partido precisa do dízimo
o porcentual sobre o salário dos militantes que ocupam
cargos para ajudar a financiar as campanhas eleitorais. Segundo
os cálculos feitos com base nos números do próprio
PT, o partido deverá arrecadar 14,4 milhões de reais
neste ano somente com a cobrança do dízimo, cujo pagamento
é obrigatório. Ao inverter a lógica do serviço
público, tornando-o uma fonte de receita partidária,
o PT desidratou as equipes dos órgãos de excelência,
prejudicando duramente seu desempenho. Explica o deputado e ex-ministro
do Meio Ambiente José Sarney Filho: "É preciso gente
competente para fazer acontecer as coisas. O governo do PT trocou
esse pessoal por seus militantes".
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