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Diogo
Mainardi
Bush não é um Saddam
"O que importa é que a brutalidade
americana coincidiu com a necessidade
dos iraquianos. O Iraque tem uma pequena
chance de dar certo. Com Saddam Hussein,
não tinha chance nenhuma"
Lula considerou "ilegítimo" o ataque
americano ao Iraque. Declarou que George Bush não tinha "o
direito de decidir o que era bom e o que era ruim para o mundo".
João Paulo Cunha foi mais longe. Acusou o presidente americano
de "ordenar um massacre". Chamou-o de "déspota". Déspota
era Saddam Hussein. Comparar George Bush a Saddam Hussein é
insultar os milhões de iraquianos mortos ou torturados pelo
ditador. João Paulo Cunha é como Madonna. Madonna
disse recentemente que George Bush e Saddam Hussein eram iguais
porque "se comportavam de maneira irresponsável". Ela anunciou
também que, de agora em diante, prefere ser chamada de Esther.
O nome tem um significado cabalístico. João Paulo
Cunha é nossa Esther. Lula é nossa Esther.
A linha adotada por Lula durante o conflito
no Iraque foi defender o papel da ONU. Claro que se trata de uma
enganação. A política da ONU para o Iraque,
na última década, baseou-se no embargo comercial.
Como se sabe, Lula e seus partidários sempre condenaram o
embargo comercial. Queriam o fim das sanções impostas
a Saddam Hussein. Lula e seus partidários denunciaram também
todas as outras intervenções militares americanas,
muitas das quais contaram com o apoio da ONU. Foram contra a primeira
guerra no Iraque. Foram contra a guerra na Iugoslávia. Foram
contra a guerra no Afeganistão. Se dependesse de Lula, Saddam
Hussein ainda estaria no Kuwait, Milosevic teria prosseguido o genocídio
na Bósnia e no Kosovo, os talibãs continuariam a dar
abrigo a Osama bin Laden. José Dirceu acusou George Bush
de deflagrar a guerra no Afeganistão apenas para contentar
os interesses dos "círculos mais reacionários" dos
Estados Unidos, que queriam construir um gasoduto na região.
Onde está o tal gasoduto? O Afeganistão agora tem
até eleições democráticas, mas não
um gasoduto. A verdade é que os círculos mais reacionários
dos Estados Unidos não tinham o menor interesse pelo Afeganistão,
tanto que, na primeira oportunidade, se mandaram para o Iraque.
A maioria dos americanos está arrependida
de ter apoiado a invasão do Iraque. O que é um bom
sinal. Demonstra que os custos foram maiores do que os benefícios.
Os americanos derrubaram Saddam Hussein e, ao contrário do
que imaginavam, saíram perdendo com isso. Danem-se os americanos.
Eles são ricos o bastante para cobrir o gasto. O único
argumento cabível para invadir o Iraque era enfiar Saddam
Hussein na cadeia. E foi o que aconteceu. Digamos que um tirano
assumisse o poder no Brasil. Digamos que ele bombardeasse com gás
mostarda a população de Teresina. Uma força
imperial que o destituísse seria bem-vinda. Pouco importa
que os americanos tenham agido no Iraque com vinte anos de atraso.
Ou que tenham contado um monte de mentiras. Ou que tenham pensado
unicamente em pilhar os recursos naturais do país. O que
importa é que a brutalidade americana coincidiu com a necessidade
dos iraquianos. O Iraque tem uma pequena chance de dar certo. Com
Saddam Hussein, não tinha chance nenhuma. Independentemente
do que pensam João Paulo Cunha, Lula e Esther.
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