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VEJA Recomenda
DVDs
Divulgação
 | | Zona
de Risco: tensão e lirismo na fronteira
entre as duas Coréias |
Zona
de Risco (Joint Security Area, Coréia do Sul, 2000. Europa)
Na zona desmilitarizada entre as duas Coréias, um incidente acirra a tensão.
Um sargento sul-coreano diz que foi seqüestrado e levado até o posto
fronteiriço do inimigo, onde teve de matar dois dos três soldados
que o ameaçavam para escapar. O norte-coreano sobrevivente alega que o
adversário é que invadiu seu posto atirando. Uma investigadora neutra
é chamada para deslindar o impasse e encontra uma história
não de hostilidade, mas de profunda amizade. Conhecido pelo violento Oldboy,
o diretor Chanwook Park trata aqui com dramaticidade impecável do rompimento
que se impôs aos coreanos no último meio século, e faz por
esse país dividido mais ou menos aquilo que Wim Wenders fez pela Berlim
do Muro em Asas do Desejo: mostrar o que há de lírico e pessoal
onde todos só enxergam o político. Veja
cenas. O
Escondido (The Hidden, Estados Unidos, 1987. PlayArte) O começo
sugere que esse é um típico filme de ação dos anos
80: um sujeito assalta um banco, mata indiscriminadamente e foge numa Ferrari,
sem dar a mínima para os balaços que os policiais disparam contra
ele. Logo, porém, o segredo de tanta disposição se revela.
O assaltante não passa de um hospedeiro para um alienígena, que
se transfere de um corpo para outro com uma velocidade que detetive nenhum é
capaz de acompanhar. Por sorte, um estranho agente do FBI (Kyle MacLachlan), que
parece ter o dom de adivinhar quais os próximos passos da criatura, oferece
seus préstimos. Dirigido pelo de resto inexpressivo Jack Sholder, O
Escondido é barato, enxuto e muito divertido. Merece com todas as honras
sua reputação de clássico B.
DISCOS Flat-Pack
Philosophy, Buzzcocks (Deckdisc) O quarteto inglês é
a prova de que os punks também eram sujeitos sensíveis. Surgido
em Manchester, o Buzzcocks se destacava pelas letras quase-românticas do
guitarrista e vocalista Pete Shelley. Uma amostra desse viés é Even
Fallen in Love, canção que estourou nas paradas dos anos 80
ao ser regravada pelo grupo pop Fine Young Cannibals. A primeira encarnação
do Buzzcocks durou de 1975 a 1981. Oito anos depois, Shelley e o guitarrista Steve
Diggley retomaram a carreira para lançar discos com a mesma energia, mas
agora temperados pela maturidade. Se antes Shelley falava de amor como um adolescente,
hoje ele discorre sobre as dores adultas. Reconciliation e I've Had
Enough, duas das melhores faixas do CD, são exemplos desse avanço
lírico.
The
Shine of Dried Electric Leaves, Cibelle (ST2) Radicada em Londres,
a cantora paulista Cibelle segue a cartilha de intérpretes como Bebel Gilberto
e Fernanda Porto, lançando mão de ritmos e barulhinhos eletrônicos
para rejuvenescer a MPB. O que a diferencia das colegas, no entanto, é
que Cibelle deu um passo adiante ao trocar o surrado repertório da bossa
nova pelos ícones do tropicalismo. Shine of Dried Electric Leaves
tem participação do guitarrista Lanny Gordin, que tocou nos álbuns
mais simbólicos daquele período, além de duas regravações
de Caetano Veloso, para Cajuína e London, London esta
última com participação especial do cantor e hippie de butique
Devendra Banhart. De voz pequena porém delicada, Cibelle interpreta ainda
músicas próprias, como City People.
LIVROS Houghton
Miflin/AP
 |  | Philip
Roth: o sexo e a velhice vistos com ironia | |
O
Animal Agonizante, de Philip Roth (tradução de Paulo Henriques
Britto; Companhia das Letras; 128 páginas; 29 reais) Na trilogia
formada pelos romances Pastoral Americana, Casei com um Comunista e A
Marca Humana, Philip Roth montou um corrosivo painel da sociedade americana
das últimas décadas. O Animal Agonizante veio logo em seguida.
Embora seja uma obra menos ambiciosa, é uma bela amostra do estilo incisivo
e irônico com que Roth desvenda a sexualidade de seus personagens. A narrativa
acompanha a velhice do professor aposentado David Kepesh, personagem que Roth
já usou em livros dos anos 70. Depois de uma vida inteira de casos ligeiros
com alunas bem mais jovens do que ele, Kepesh tem uma relação intensa
com uma rica e sensual filha de imigrantes cubanos. Leia
trecho. Os
Animais de Todo Mundo, de Jacques Roubaud (tradução de Paula
Glenadel e Marcos Siscar; Cosac Naify; 152 páginas; 35 reais) O
poeta francês Jacques Roubaud fez parte do OuLiPo, um dos mais originais
grupos de vanguarda da literatura de seu país nos anos 60. Dirigido às
crianças, esse livro é um pequeno bestiário, com poemas dedicados
aos mais diversos animais, de gatos e vacas a texugos e mangustos. Matemático
de formação, Roubaud gosta de brincar com os números
aqui, por exemplo, ele joga com os catorze versos que formam o soneto tradicional
para compor formas poéticas inovadoras. Em edição bilíngüe,
o livro traz ainda uma carta na qual o autor explica a composição
de seus poemas a um ouriço. Leia
trecho. Lemyr
Martins
 |  | Pelé:
relato sem surpresas de uma brilhante carreira esportiva | |
Pelé
A Autobiografia, de Pelé (tradução de Henrique
Amat Rêgo Monteiro; Sextante; 298 páginas; 29,90 reais) "Posso
dizer que sou um homem feliz", diz Edson Arantes do Nascimento, o Pelé,
na primeira frase do prefácio dessa autobiografia. Editado originalmente
na Inglaterra, o livro não traz grandes surpresas ou revelações
para o leitor brasileiro. Mas é uma boa reconstituição de
uma das mais brilhantes trajetórias esportivas do século XX. Nascido
em uma casa humilde em Três Corações, em Minas Gerais, Pelé
se tornaria o maior ícone do futebol mundial. Do início da carreira
no Santos à experiência como ministro dos Esportes, das três
vitórias em Copas do Mundo ao traumático envolvimento de seu filho
Edinho com as drogas, Pelé cobre aqui os principais momentos de sua vida.
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