Edição 1959 . 7 de junho de 2006

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Televisão
Torcedor em festa

A partir de agora, os canais de
esportes estão ao alcance de todos
os assinantes da TV paga

 

Na quarta-feira passada, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) tomou uma decisão que favorece o espectador brasileiro, pois melhora as condições de concorrência no setor de TV paga. Por meio de um termo de compromisso com o órgão, que zela pela livre concorrência no país, a programadora Globosat abriu mão da política de fornecimento exclusivo de seus canais de esportes para as operadoras afiliadas à Net Brasil – tal como ela, uma empresa controlada pela Rede Globo. A partir de agora, ela terá de disponibilizar esses canais também para as demais operadoras de TV paga. A decisão é um marco porque seus canais SporTV e SporTV2, bem como os de venda de jogos em sistema pay-per-view, são os únicos que transmitem os principais campeonatos de futebol brasileiros. A suspensão da exclusividade significa, na prática, que 1,5 milhão de espectadores, ou um terço dos assinantes da TV paga, agora terão direito a esse conteúdo. A mudança era reivindicada desde 2001 por 54 operadoras – entre elas a TVA, controlada pelo Grupo Abril, o mesmo que edita VEJA.

Para o público masculino, o futebol é um atrativo essencial na TV. Como os homens são maioria entre os assinantes das operadoras, trata-se de um nicho estratégico. Pelos termos do acordo, a Globosat será obrigada a disponibilizar seus canais para as outras operadoras até 2008, nas mesmas condições comerciais que proporciona à Net. O Cade também apontou para a origem do problema: por ser a maior rede de TV aberta do país, a Globo tem mais poder de barganha para negociar os direitos dos jogos com os clubes. Por isso, a partir de 2009, quando se revisarão esses contratos, a Globosat não poderá obter a exclusividade sobre mais que dois dos cinco maiores campeonatos de futebol; ou três, contanto que não acumule os principais deles, o Brasileirão e a Copa do Brasil. Por outro lado, a empresa terá o direito de vender os canais num pacote que inclua outros que produz, como o Globonews e o Multishow.

Há duas semanas, o Cade também aprovou, com restrições, a fusão da Sky com a DirecTV, que dominam o mercado de televisão por satélite no país. Por cinco anos, elas estão proibidas de agir de forma discriminatória no fornecimento de programação. Pelo mesmo período, não poderão ter exclusividade na transmissão dos principais campeonatos de futebol. Somadas, essa decisão e a da semana passada mudam os rumos da TV paga no Brasil.

Jogo aberto

O que muda com a decisão do Cade sobre
a programação esportiva da TV paga

COMO ERA
As operadoras afiliadas à Net tinham exclusividade sobre os canais SporTV e SporTV 2, os únicos que transmitem os principais campeonatos de futebol brasileiros. Só elas ofereciam também os jogos pelo sistema pay-per-view

COMO SERÁ A PARTIR DE AGORA
A Net será obrigada a disponibilizar seus canais esportivos também para as operadoras concorrentes, como a TVA. Com isso, cerca de 1,5 milhão de assinantes – um terço do mercado de TV paga – serão beneficiados

 
 
 
 
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