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Alimentos
As preferências nacionais
Pesquisa revela os hábitos
alimentares dos brasileiros

Rosana Zakabi
Acaba de ser concluído um dos maiores
levantamentos já feitos sobre os hábitos alimentares
dos brasileiros. A pesquisa, realizada pelo instituto Toledo &
Associados em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing
(ESPM), ouviu 2.100 pessoas em dez capitais São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador,
Recife, Fortaleza, Belém e Brasília. Uma constatação
surpreendente é a de que o prato principal não mudou
nas últimas décadas. Apesar da urbanização,
da vida agitada e da maior oferta de alimentos industrializados,
a combinação do dia-a-dia continua sendo arroz, feijão,
carne e salada em todas as regiões do país e em todas
as classes sociais o mesmíssimo cardápio de
nossos avós. De modo geral, os pratos regionais só
vão à mesa no café-da-manhã e nos fins
de semana. "O resultado da pesquisa foi uma surpresa, pois esperávamos
que houvesse mais influências regionais e alimentos industrializados
nas refeições", diz Francisco José de Toledo,
diretor-presidente da Toledo & Associados.
Apesar da insistência dos médicos,
é pequena a adesão à chamada dieta saudável,
aquela com pouca gordura e muita verdura, legumes e grãos
integrais. Menos de 15% dos entrevistados no levantamento consomem
produtos rotulados de light ou diet. Os pratos congelados ou semiprontos,
vendidos em supermercados, também entram pouco na dieta da
população. "Mesmo com a falta de tempo dos moradores
das metrópoles, as famílias preferem cozinhar suas
refeições a esquentar o prato pronto no microondas",
afirma a antropóloga Lívia Barbosa, da Universidade
Federal Fluminense, uma das coordenadoras da pesquisa. Na opinião
da maioria dos brasileiros, a comida ideal é a caseira, feita
com ingredientes frescos e temperos naturais.
Alguns hábitos do cotidiano mudaram
de maneira significativa nas últimas cinco décadas.
O almoço em família praticamente desapareceu. Mesmo
aos sábados, quando em teoria todo mundo está em casa,
cada um come num horário. Refeições em família
só ocorrem realmente aos domingos. Apesar disso, a maior
parte dos brasileiros considera o jantar como um momento em que
a família se reúne não em torno da mesa,
mas da televisão. O levantamento também constatou
que a população se preocupa, sim, com o excesso de
peso e com a obesidade. Só que o prazer de comer e das porções
fartas ainda fala mais alto.
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