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Comportamento
Manual para entender o ciúme Psiquiatra
italiano ensina que ciumentos são diferentes de ciumentas e confirma:
um pouco faz bem 
Roberta Salomone
Ilustrações Orlando  |
Atire o primeiro cinzeiro quem nunca sentiu ciúme,
aquele incômodo que começa lá no fundo da alma e, se não
for contido, pode evoluir até explodir em uma crise irracional. Das ardentes
paixões juvenis ao amor maduro, ele estará presente em algum momento
da vida de praticamente todos os casais. É para esse vastíssimo
público que o italiano Willy Pasini, professor de psiquiatria e psicologia
médica da Universidade de Genebra, na Suíça, e um dos mais
populares sexólogos da Europa, com 3,5 milhões de livros vendidos
e traduzidos em doze idiomas, escreveu Ciúme, a Outra Face do Amor (Rocco;
223 páginas; 32,50 reais), que está sendo lançado nesta semana
no Brasil. A obra, espécie de manual para lidar com o tal "monstro dos
olhos verdes", é uma mescla de pesquisas e estudos científicos com
fatos e testemunhos do cotidiano de cada um, estes últimos recolhidos pelo
próprio Pasini no consultório e na página que mantém
na internet há quatro anos. Alicerçado nessa experiência,
ele ajuda amados e amantes a identificar os diversos tipos de ciúme existentes,
aconselha como lidar com eles e bate, também ele, na conhecida tecla: em
excesso, é prejudicial, mas a total ausência tampouco é desejável
uma pitada de ciúme faz bem, sim, a qualquer relação.
"Todos nós somos ciumentos, em maior ou menor grau. A diferença
está em como cada um encara o sentimento", diz.
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Pasini dedica um esclarecedor capítulo
à forma totalmente diversa como homens e mulheres sentem ciúme e
reagem a ele. Os homens tremem muito mais diante da possibilidade de contato sexual
delas com outro parceiro do que de um envolvimento emocional mais profundo e,
quando se sentem ameaçados, costumam disparar comparações
pessoais e, principalmente (quando há argumentos, claro), profissionais.
Já as mulheres são capazes até de perdoar uma escapada, uma
relação fortuita, mas se descabelam se o que estiver em jogo for
o domínio do coração do parceiro. A reação
mais comum delas é apontar uma a uma as imperfeições físicas
da outra; nas situações de crise, adoecem. Seja qual for a resposta,
porém, afirma o médico, ambos sofrem. "A traição masculina
é mais facilmente aceita, e a feminina ainda é tabu. Mas, com tantas
mudanças e conquistas das mulheres, essa idéia não tem mais
fundamento", diz. Resultado: "O homem está cada vez mais ciumento".
Entre os tipos de ciúme citados no
livro estão o não-sentimental (categoria em que se enquadra, por
exemplo, a sogra que odeia a nora ou o marido que se sente trocado pelo bebê),
o afrodisíaco e o que se converte em distúrbio patológico
e, no limite, em comportamento criminoso. Há ainda o que ele chama de ciberciúme,
originário da enorme janela que a internet abriu para novos encontros.
Para um ciumento, flagrar a mulher na sala de bate-papo numa troca de mensagens
com um desconhecido é motivo certo de briga e cara feia; já ela
pode até disfarçar, embora também leve um choque. Uma das
histórias contadas no livro é a de Valentina, de 32 anos, que descobriu
a senha do e-mail do namorado e lá encontrou dezenas de mensagens comprometedoras.
Ele alegou que era tudo brincadeira; ela não acreditou. Continuam juntos
e Valentina, cada vez mais desconfiada. Com certa razão, ressalta
Pasini: "Se antes a conquista era feita com um buquê de flores, agora pode
ser simplesmente uma troca de mensagens".
Motivos para desconfiança, diga-se, não faltam. Na Itália,
pesquisa da agência Klaus Davi mostrou que 70% das mulheres já foram
infiéis pelo menos uma vez, e outro estudo americano comprovou que nove
em cada dez que traem não têm nenhum sentimento de culpa (a obra,
talvez por considerá-la geral e irrestrita, não menciona dado algum
sobre infidelidade masculina). No Brasil, uma pesquisa feita em 2004 pela psiquiatra
Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, com cerca de
7 000 pessoas, constatou que 51% dos homens e 26% das mulheres já haviam
traído. "É preciso que se fale abertamente do assunto", ensina Pasini,
67 anos, casado, que já foi mais ciumento, mas hoje confia "plenamente"
na mulher. Ele insiste que, sabendo usar, o ingrediente pode estimular favoravelmente
um relacionamento. "Desenvolver o lado sedutor e superar o medo de ficar sozinho
são requisitos fundamentais", afirma. "Mas sem dúvida, educado,
o ciúme pode trazer benefícios."
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