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Copa
O circo da seleção
Torcedores
e torcedoras correm atrás dos craques e produzem
cenas incomuns nas ruas européias 
André Fontenelle, de Weggis
Paulo Whitaker/Reuters  |
| Autógrafo na pele da admiradora: animação na arquibancada
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Cada uma das 32 seleções
participantes da Copa do Mundo levará à Alemanha uma delegação
de pelo menos 45 pessoas. Esses pequenos grupos, porém, são acompanhados
por caravanas de milhares de torcedores. Espera-se 1 milhão de visitantes
estrangeiros durante os trinta dias de competição. No Mundial passado,
na Ásia, havia tão poucos turistas que foi preciso organizar torcidas
profissionais com habitantes locais para animar as arquibancadas. Desta vez a
Copa acontece no centro da Europa, onde o esporte tem milhões de aficionados.
Como era de esperar, nenhuma caravana chama mais atenção que a da
seleção brasileira seja pelo entusiasmo das moças
que se atiram sobre os jogadores quando aparece uma oportunidade, seja pelas batucadas
e outras atitudes tidas, no mínimo, como exóticas pelos contidos
europeus.
Fernando Llano/AP  |
| Ziriguidum: a festa verde-amarela nas outrora tranqüilas
ruas de Weggis | Cerca de
10% dos turistas esperados na Alemanha virão da Inglaterra, um país
onde há até uma federação de torcedores. Algumas cidades
alemãs providenciaram áreas de camping para grupos de diferentes
países, de modo a evitar confusão. Também foram tomadas medidas
para barrar os torcedores mais violentos, mas ainda se teme que poloneses, croatas
e ucranianos se envolvam em incidentes. De outros continentes se espera uma torcida
mais simpática. O Equador enviou um xamã para visitar os estádios
alemães e atrair energias favoráveis. Um chefe vodu do Togo anunciou
que fará o mesmo pelo time de seu país.
Fotos Marcelo Régua/AE  |
| Invasão de campo: a torcedora brasileira Sheila Soares
entra no gramado para abraçar Ronaldinho | No
caso do Brasil, o carnaval começou antes mesmo do desembarque da seleção
na Alemanha. Desta vez, a Confederação Brasileira de Futebol transformou
a fase de treinamentos do selecionado, na Suíça, em um rentável
produto. Por 1,2 milhão de dólares, cedeu a uma empresa local o
direito de faturar com a presença do time mais famoso do mundo na estação
turística de Weggis. Os suíços recuperaram o investimento
explorando os dois amistosos da equipe, vendendo ingressos para os treinos (por
40 reais) e alugando barraquinhas em volta do estádio (2 500 reais por
quinze dias, mais 10% do faturamento de cada quiosque). "O frio e a chuva atrapalharam
um pouco o movimento, mas não teremos prejuízo", calcula o diretor
de turismo de Weggis, Dominic Keller.
A presença das estrelas do futebol transformou a rotina de Weggis, cuja
população quintuplicou nas duas semanas de treinos. Casais de aposentados
ingleses deram lugar aos animados torcedores brasileiros, movidos a caipirinha,
samba e futebol. Se os suíços se admiram dos jogadores, espantam-se
ainda mais com os requebrados das brasileiras. A torcida nacional divide-se em
dois grupos: o dos que costumam acompanhar a seleção em todas as
Copas e o da comunidade residente na Suíça. Calcula-se que 40 000
brasileiros morem no país, só um quarto deles em situação
legalizada. Dos clandestinos, a esmagadora maioria é composta de mulheres
que tentam a sorte trabalhando como dançarinas, balconistas de bar ou faxineiras,
entre outras atividades.
Alexia Zuberrer/AP  |
| Isolamento: a equipe francesa sobe a montanha para fortalecer
o espírito de grupo | O tráfico
de mulheres é um sério problema na Suíça uma
rede foi desmantelada na semana passada , mas a prostituição
propriamente dita não é reprimida. A maioria das prostitutas brasileiras
se concentra em Zurique, a 60 quilômetros de Weggis, onde seu ponto mais
conhecido é uma avenida do centro, a Langstrasse. Algumas delas circularam
em Weggis durante as duas semanas de treinos da seleção. "Uma hora
de faxina vale 25 francos (50 reais). Um programa rende dez vezes mais", diz uma
brasileira que trabalha em um bar da Langstrasse. Teme-se que, durante a Copa,
milhares de mulheres de toda a Europa se estabeleçam provisoriamente na
Alemanha. Apesar do oba-oba nas arquibancadas durante os treinos, os jogadores
ficaram quase isolados do público durante os treinos. Deram
autógrafos em raras ocasiões e, à parte uma escapada de alguns
à noite de Lucerna, passaram a maior parte do tempo entre o campo e o hotel.
Outras seleções que optaram pela reclusão tiveram mais problemas.
Os franceses foram para uma estação de esqui nos Alpes, onde escalaram
uma montanha para reforçar a união do grupo. Aparentemente não
deu certo, porque o goleiro reserva Coupet abandonou a concentração,
insatisfeito por não jogar. Depois voltou atrás. |