Edição 1959 . 7 de junho de 2006

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Copa
O circo da seleção

Torcedores ­ e torcedoras
­ correm atrás dos craques
e produzem cenas incomuns
nas ruas européias


André Fontenelle, de Weggis


Paulo Whitaker/Reuters
Autógrafo na pele da admiradora: animação na arquibancada

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Especial: Copa 2006

Cada uma das 32 seleções participantes da Copa do Mundo levará à Alemanha uma delegação de pelo menos 45 pessoas. Esses pequenos grupos, porém, são acompanhados por caravanas de milhares de torcedores. Espera-se 1 milhão de visitantes estrangeiros durante os trinta dias de competição. No Mundial passado, na Ásia, havia tão poucos turistas que foi preciso organizar torcidas profissionais com habitantes locais para animar as arquibancadas. Desta vez a Copa acontece no centro da Europa, onde o esporte tem milhões de aficionados. Como era de esperar, nenhuma caravana chama mais atenção que a da seleção brasileira – seja pelo entusiasmo das moças que se atiram sobre os jogadores quando aparece uma oportunidade, seja pelas batucadas e outras atitudes tidas, no mínimo, como exóticas pelos contidos europeus.


Fernando Llano/AP
Ziriguidum: a festa verde-amarela nas outrora tranqüilas ruas de Weggis

Cerca de 10% dos turistas esperados na Alemanha virão da Inglaterra, um país onde há até uma federação de torcedores. Algumas cidades alemãs providenciaram áreas de camping para grupos de diferentes países, de modo a evitar confusão. Também foram tomadas medidas para barrar os torcedores mais violentos, mas ainda se teme que poloneses, croatas e ucranianos se envolvam em incidentes. De outros continentes se espera uma torcida mais simpática. O Equador enviou um xamã para visitar os estádios alemães e atrair energias favoráveis. Um chefe vodu do Togo anunciou que fará o mesmo pelo time de seu país.


Fotos Marcelo Régua/AE
Invasão de campo: a torcedora brasileira Sheila Soares entra no gramado para abraçar Ronaldinho

No caso do Brasil, o carnaval começou antes mesmo do desembarque da seleção na Alemanha. Desta vez, a Confederação Brasileira de Futebol transformou a fase de treinamentos do selecionado, na Suíça, em um rentável produto. Por 1,2 milhão de dólares, cedeu a uma empresa local o direito de faturar com a presença do time mais famoso do mundo na estação turística de Weggis. Os suíços recuperaram o investimento explorando os dois amistosos da equipe, vendendo ingressos para os treinos (por 40 reais) e alugando barraquinhas em volta do estádio (2 500 reais por quinze dias, mais 10% do faturamento de cada quiosque). "O frio e a chuva atrapalharam um pouco o movimento, mas não teremos prejuízo", calcula o diretor de turismo de Weggis, Dominic Keller.

A presença das estrelas do futebol transformou a rotina de Weggis, cuja população quintuplicou nas duas semanas de treinos. Casais de aposentados ingleses deram lugar aos animados torcedores brasileiros, movidos a caipirinha, samba e futebol. Se os suíços se admiram dos jogadores, espantam-se ainda mais com os requebrados das brasileiras. A torcida nacional divide-se em dois grupos: o dos que costumam acompanhar a seleção em todas as Copas e o da comunidade residente na Suíça. Calcula-se que 40 000 brasileiros morem no país, só um quarto deles em situação legalizada. Dos clandestinos, a esmagadora maioria é composta de mulheres que tentam a sorte trabalhando como dançarinas, balconistas de bar ou faxineiras, entre outras atividades.


Alexia Zuberrer/AP
Isolamento: a equipe francesa sobe a montanha para fortalecer o espírito de grupo

O tráfico de mulheres é um sério problema na Suíça – uma rede foi desmantelada na semana passada – , mas a prostituição propriamente dita não é reprimida. A maioria das prostitutas brasileiras se concentra em Zurique, a 60 quilômetros de Weggis, onde seu ponto mais conhecido é uma avenida do centro, a Langstrasse. Algumas delas circularam em Weggis durante as duas semanas de treinos da seleção. "Uma hora de faxina vale 25 francos (50 reais). Um programa rende dez vezes mais", diz uma brasileira que trabalha em um bar da Langstrasse. Teme-se que, durante a Copa, milhares de mulheres de toda a Europa se estabeleçam provisoriamente na Alemanha. Apesar do oba-oba nas arquibancadas durante os treinos, os jogadores ficaram – quase – isolados do público durante os treinos. Deram autógrafos em raras ocasiões e, à parte uma escapada de alguns à noite de Lucerna, passaram a maior parte do tempo entre o campo e o hotel. Outras seleções que optaram pela reclusão tiveram mais problemas. Os franceses foram para uma estação de esqui nos Alpes, onde escalaram uma montanha para reforçar a união do grupo. Aparentemente não deu certo, porque o goleiro reserva Coupet abandonou a concentração, insatisfeito por não jogar. Depois voltou atrás.

 
 
 
 
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