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Catástrofe A
pobreza amplia a tragédia Tremor
deixa mais de 6 000 mortos na Indonésia Vicent
Thian/AP
 | | Desabrigados
em Java: três terremotos em dezessete meses |
O terremoto que na madrugada de sábado
27 devastou a cidade de Yogyakarta, a capital cultural da ilha de Java, chama
a atenção para a forma desproporcional como catástrofes naturais
castigam os países mais pobres. O tremor atingiu magnitude de 6,3 pontos
na escala Richter, matou 6.200 pessoas e deixou 200.000 desabrigados. Um terremoto
de igual intensidade na ilha de Kyushu, no Japão, no ano passado, em área
mais densamente povoada, causou a morte de apenas uma pessoa. A disparidade no
número de vítimas tem uma explicação: a política
de prevenção adotada por países desenvolvidos sujeitos a
terremotos, especialmente o Japão e os Estados Unidos.
Nesses países, as edificações são projetadas para
suportar tremores fortes e a fiscalização é rigorosa para
impedir concentração populacional em áreas de risco. O governo
da Califórnia, o estado americano mais vulnerável a abalos sísmicos,
anunciou neste ano investimento de 50 bilhões de dólares até
2030 em obras para reforçar a estrutura de mais de 1 100 hospitais públicos,
instalações estratégicas para o atendimento das vítimas.
O estado mantém um plano de emergência para terremoto, que é
atualizado todos os anos. No Japão, jornadas de treinamento reúnem
1 milhão de voluntários uma vez por ano. Faz parte da rotina escolar
de Tóquio uma visita à sala de simulação de terremotos,
mantida pelo Corpo de Bombeiros. Com uma mobília de isopor que desaba sobre
os estudantes, o cenário reproduz os efeitos de um tremor de 7 graus na
escala Richter. Em países pobres,
os cuidados preventivos esbarram na falta de dinheiro, na desorganização
do Estado e na corrupção. "Governos que não conseguem sequer
oferecer água encanada à população não têm
como fiscalizar construções irregulares ou fazer planos de emergência
para desastres naturais", disse a francesa Maryvonne Plessis-Fraissard, diretora
de desenvolvimento urbano do Banco Mundial. O tremor que matou 30.000 pessoas
e deixou 2 milhões de desabrigados no Paquistão, oito meses atrás,
atingiu mais duramente as construções precárias construídas
nos últimos anos nas encostas das montanhas. A maioria das vítimas
na Indonésia, na semana passada, dormia na hora do tremor e morreu soterrada
com o desabamento da casa. O terremoto foi o terceiro registrado na Indonésia
desde o tsunami de dezembro de 2004, que deixou 220.000 mortos em uma dezena de
países. Em todas as catástrofes, não fosse a ajuda internacional,
o sofrimento teria sido ainda maior. |