Edição 1959 . 7 de junho de 2006

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Catástrofe
A pobreza amplia a tragédia

Tremor deixa mais de
6 000 mortos na Indonésia

 
Vicent Thian/AP
Desabrigados em Java: três terremotos em dezessete meses

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Especial: Desastres Naturais

O terremoto que na madrugada de sábado 27 devastou a cidade de Yogyakarta, a capital cultural da ilha de Java, chama a atenção para a forma desproporcional como catástrofes naturais castigam os países mais pobres. O tremor atingiu magnitude de 6,3 pontos na escala Richter, matou 6.200 pessoas e deixou 200.000 desabrigados. Um terremoto de igual intensidade na ilha de Kyushu, no Japão, no ano passado, em área mais densamente povoada, causou a morte de apenas uma pessoa. A disparidade no número de vítimas tem uma explicação: a política de prevenção adotada por países desenvolvidos sujeitos a terremotos, especialmente o Japão e os Estados Unidos.

Nesses países, as edificações são projetadas para suportar tremores fortes e a fiscalização é rigorosa para impedir concentração populacional em áreas de risco. O governo da Califórnia, o estado americano mais vulnerável a abalos sísmicos, anunciou neste ano investimento de 50 bilhões de dólares até 2030 em obras para reforçar a estrutura de mais de 1 100 hospitais públicos, instalações estratégicas para o atendimento das vítimas. O estado mantém um plano de emergência para terremoto, que é atualizado todos os anos. No Japão, jornadas de treinamento reúnem 1 milhão de voluntários uma vez por ano. Faz parte da rotina escolar de Tóquio uma visita à sala de simulação de terremotos, mantida pelo Corpo de Bombeiros. Com uma mobília de isopor que desaba sobre os estudantes, o cenário reproduz os efeitos de um tremor de 7 graus na escala Richter.

Em países pobres, os cuidados preventivos esbarram na falta de dinheiro, na desorganização do Estado e na corrupção. "Governos que não conseguem sequer oferecer água encanada à população não têm como fiscalizar construções irregulares ou fazer planos de emergência para desastres naturais", disse a francesa Maryvonne Plessis-Fraissard, diretora de desenvolvimento urbano do Banco Mundial. O tremor que matou 30.000 pessoas e deixou 2 milhões de desabrigados no Paquistão, oito meses atrás, atingiu mais duramente as construções precárias construídas nos últimos anos nas encostas das montanhas. A maioria das vítimas na Indonésia, na semana passada, dormia na hora do tremor e morreu soterrada com o desabamento da casa. O terremoto foi o terceiro registrado na Indonésia desde o tsunami de dezembro de 2004, que deixou 220.000 mortos em uma dezena de países. Em todas as catástrofes, não fosse a ajuda internacional, o sofrimento teria sido ainda maior.

 

 

 
 
 
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