Edição 1959 . 7 de junho de 2006

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Beleza
Elas vão de creme e botox

O lifting facial perde espaço
para os procedimentos estéticos
mais simples e baratos


Anna Paula Buchalla

Fotos Royalty-free Getty Images, Stephan Hoeck/Getty Images
Rosto marcado para o estica-e-puxa: inevitável apenas para as vaidosas
pós-60


Até cinco anos atrás, o lifting facial era um procedimento obrigatório para as mulheres que recorriam à cirurgia plástica. Mas a procura pela técnica que estica e puxa a pele do rosto vem encolhendo gradativamente desde então. Na meca das operações estéticas, os Estados Unidos, caiu 20%, segundo as estatísticas da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos. No Brasil, a queda também é consistente, de acordo com os médicos. A explicação para o fenômeno não está, evidentemente, na diminuição da vaidade feminina – que continua tão inabalável quanto a passagem do tempo. O motivo principal de o lifting ter perdido terreno é que agora existem tratamentos contra os sinais da idade bem menos invasivos e eficientes. Na linha de frente estão as aplicações de toxina botulínica (cuja marca mais famosa é o Botox), os peelings químicos, os preenchimentos e o uso de laser contra a flacidez. A procura por esses procedimentos aumentou 80% no Brasil, desde 2000. Eles não requerem anestesia geral nem internação e, em média, custam a metade do preço de um lifting facial – cirurgia que ainda tem um inconveniente: o pós-operatório é longo e doloroso. Manchas e hematomas podem levar até um mês para sumir. "Além de mais simples, as alternativas não invasivas oferecem resultados mais naturais", diz o médico Valcenir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética. Apesar do aprimoramento da técnica cirúrgica, que nos últimos anos passou a ser executada com cortes mais sutis, existe o risco de o "efeito esticado" ficar artificial demais.

Há ainda uma outra explicação para as indicações do lifting estarem em queda. Como hoje as mulheres começam a se cuidar mais cedo, isso adia muito a necessidade de uma intervenção plástica. Só não se previne quem é mal informada – ou mal fornida de reais, um tipo de magreza de que ninguém gosta. O arsenal de cosméticos à disposição impressiona, embora eles estejam longe de ser a fonte da eterna juventude apregoada pela propaganda: vai de supercremes que retardam o aparecimento de rugas a filtros com fórmulas mais refinadas, que protegem contra o efeito envelhecedor dos raios solares. "Mas há estragos causados pelo tempo que só mesmo uma operação pode resolver", diz o cirurgião plástico Charles Yamaguchi, de São Paulo. A técnica continua a ser a melhor alternativa quando a flacidez da pele atinge níveis severos. Se quiser rejuvenescer, uma mulher na faixa dos 60 anos dificilmente escapará do bisturi.

 

Botox ganha do bisturi

• Desde 2000, os procedimentos pouco invasivos, como Botox e preenchimentos, tiveram um aumento de 53% nos Estados Unidos

• No mesmo período, as cirurgias estéticas caíram 5% – a queda mais expressiva foi a do lifting: 19%

• No Brasil, a procura por tratamentos feitos em consultório cresceu 80% nos últimos cinco anos

Motivos

• Além de mais simples, os procedimentos menos invasivos são mais baratos. Uma aplicação de Botox custa até dez vezes menos do que um lifting  

• Como as mulheres estão cuidando mais da pele desde cedo, isso retarda a necessidade de uma cirurgia estética no rosto

• Embora o lifting esteja mais aprimorado, com incisões pequenas e cicatrizes menores, o "efeito esticado" da técnica é ainda artificial

Fontes: Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos
e Sociedade Brasileira de Medicina Estética

 
 
 
 
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