Edição 1959 . 7 de junho de 2006

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Internet
Em cartaz, no seu computador

No YouTube tem de tudo: Ronaldinho
jogando, trailer de cinema, propaganda
antiga e até você


Bel Moherdaui e Laura Ming



NESTA REPORTAGEM
Quadro: Faça você mesmo

DA INTERNET
Os cinco vídeos mais vistos
Ninja urbano
A evolução da dança
Tema musical de Pokémon
Solo de guitarra
Dança robótica

Mais de 15 milhões de pessoas já viram: ao som de hits da década de 50 até hoje, Judson Laipply dança que é uma beleza. Chacoalha para cá, rebola para lá, se joga no chão, pula. O vídeo, amador, fez tanto sucesso que figura na lista dos mais vistos de todos os tempos no site que o navegador fã de novidades está acessando todo dia: www.youtube.com. Espécie de compêndio de vídeos amadores, profissionais e variantes intermediárias, o site permite que qualquer um compartilhe suas imagens favoritas. Perdeu a manobra suspeita feita pelo piloto Michael Schumacher no treino classificatório para o Grande Prêmio de Mônaco? Lá tem. Ouviu falar das bolas na trave do craque Ronaldinho na propaganda da Nike? Lá tem também. E Britney Spears quase derrubando o filho no chão? É só digitar as palavras Britney e baby no espaço de busca. O trailer do próximo filme do Superman? Tem também. Arnold Schwarzenegger no Brasil numa época em que muitos dos usuários nem tinham nascido? Também. A campanha (de verdade, em 1989) do apresentador Silvio Santos para presidente? Está lá, para ser conferida.

Criação de dois americanos com tempo de sobra, Chad Hurley e Steve Chen, o YouTube (algo como "você no tubo" – da TV ou do computador) foi inaugurado em fevereiro do ano passado como um serviço em que os usuários pudessem ver, compartilhar e comentar vídeos facilmente e sem entupir a caixa de e-mails alheia. "Oferecemos um palco onde qualquer um pode se apresentar e ser visto", explica Hurley. Para ter a experiência completa, o usuário se cadastra e, como no onipresente Orkut, cria seu perfil e monta uma rede de amigos. A diferença principal é que no lugar de fotos os membros colocam vídeos (próprios, de amigos ou absolutamente estranhos), montam sua lista de preferidos e comentam aqueles a que assistem. Outra diferença: quem não faz questão de tudo isso pode simplesmente entrar e ver os vídeos – de acordo com uma pesquisa da comScore, só entre outubro de 2005 e março deste ano o número de americanos que assistem a vídeos na internet cresceu 18%. Os filminhos do YouTube precisam estar gravados no computador, seja capturando-os de algum site, seja transferindo as imagens de uma câmera de foto ou de vídeo digital, de uma webcam ou da própria televisão (aí, é necessária uma placa especial). A maioria dos computadores já vem com uma ferramenta de edição básica, embora os iniciados prefiram programas profissionais (veja o quadro). Uma vez armazenado o vídeo no tal perfil de cada um, é torcer para fazer sucesso. Em matéria de temas, tudo vale: gente que não consegue parar de rir, aula de gírias em linguagem de surdos-mudos, episódios de seriados antigos com roteiro completamente modificado (Batman e Chaves são vítimas freqüentes), a primeira risada do filhinho, os primeiros passos da filhinha – não há limite. Ou melhor, há: pornografia pesada é removida pelo próprio YouTube, por um sistema de bloqueio e checagem próprio ou a partir de alerta de usuários.

O serviço, com pouco mais de um ano de existência, recebe mais de 35.000 vídeos novos por dia (em janeiro, eram 8.000), cada um com no máximo dez minutos de duração. Todo mês, 12 milhões de visitantes assistem a 1,2 bilhão de filminhos. O webdesigner paulistano Thiago Borbolla, 22 anos, conquistou seus minutos de fama no início de maio, ao figurar na lista dos mais vistos do dia – um feito bastante notável –, depois de colocar no site sua participação em um concurso de "gente que parece com mutantes" no programa Pânico na TV. "Estranhei quando me vi no topo. Conforme li os comentários, percebi que o sucesso não era por minha causa, mas sim devido ao trailer do novo filme X-Men que aparecia ao fundo", diz ele. De olho nesse público jovem, conectado e muito ágil, certas empresas que já dominam a linguagem on-line aproveitam para fazer seu marketing. É o caso da Nike, que colocou algumas de suas propagandas lá, e de distribuidores de filmes, que têm disponibilizado trailers de lançamentos. "Um destino já estabelecido como o YouTube tem milhões de olhos disponíveis instantaneamente. Com um simples clique, a Nike expande a exibição de seus vídeos por todo o mundo", disse a VEJA Dean Stoyer, gerente de comunicações da empresa nos Estados Unidos. Como não são de perder tempo, gigantes como Microsoft, Yahoo! e Google também já têm seu compartilhador de imagens. Mas até agora nenhum deles é, assim, um YouTube.

 
 
 
 
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