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Internet Em
cartaz, no seu computador No YouTube
tem de tudo: Ronaldinho jogando, trailer de cinema, propaganda antiga
e até você  Bel
Moherdaui e Laura Ming 
Mais de 15 milhões de pessoas
já viram: ao som de hits da década de 50 até hoje, Judson
Laipply dança que é uma beleza. Chacoalha para cá, rebola
para lá, se joga no chão, pula. O vídeo, amador, fez tanto
sucesso que figura na lista dos mais vistos de todos os tempos no site que o navegador
fã de novidades está acessando todo dia: www.youtube.com.
Espécie de compêndio de vídeos amadores, profissionais e variantes
intermediárias, o site permite que qualquer um compartilhe suas imagens
favoritas. Perdeu a manobra suspeita feita pelo piloto Michael Schumacher no treino
classificatório para o Grande Prêmio de Mônaco? Lá tem.
Ouviu falar das bolas na trave do craque Ronaldinho na propaganda da Nike? Lá
tem também. E Britney Spears quase derrubando o filho no chão? É
só digitar as palavras Britney e baby no espaço de busca. O trailer
do próximo filme do Superman? Tem também. Arnold Schwarzenegger
no Brasil numa época em que muitos dos usuários nem tinham nascido?
Também. A campanha (de verdade, em 1989) do apresentador Silvio Santos
para presidente? Está lá, para ser conferida.
Criação de dois americanos com tempo de sobra, Chad Hurley e Steve
Chen, o YouTube (algo como "você no tubo" da TV ou do computador)
foi inaugurado em fevereiro do ano passado como um serviço em que os usuários
pudessem ver, compartilhar e comentar vídeos facilmente e sem entupir a
caixa de e-mails alheia. "Oferecemos um palco onde qualquer um pode se apresentar
e ser visto", explica Hurley. Para ter a experiência completa, o usuário
se cadastra e, como no onipresente Orkut, cria seu perfil e monta uma rede de
amigos. A diferença principal é que no lugar de fotos os membros
colocam vídeos (próprios, de amigos ou absolutamente estranhos),
montam sua lista de preferidos e comentam aqueles a que assistem. Outra diferença:
quem não faz questão de tudo isso pode simplesmente entrar e ver
os vídeos de acordo com uma pesquisa da comScore, só entre
outubro de 2005 e março deste ano o número de americanos que assistem
a vídeos na internet cresceu 18%. Os filminhos do YouTube precisam estar
gravados no computador, seja capturando-os de algum site, seja transferindo as
imagens de uma câmera de foto ou de vídeo digital, de uma webcam
ou da própria televisão (aí, é necessária uma
placa especial). A maioria dos computadores já vem com uma ferramenta de
edição básica, embora os iniciados prefiram programas profissionais
(veja o
quadro). Uma vez armazenado o vídeo no tal perfil de cada
um, é torcer para fazer sucesso. Em matéria de temas, tudo vale:
gente que não consegue parar de rir, aula de gírias em linguagem
de surdos-mudos, episódios de seriados antigos com roteiro completamente
modificado (Batman e Chaves são vítimas freqüentes), a primeira
risada do filhinho, os primeiros passos da filhinha não há
limite. Ou melhor, há: pornografia pesada é removida pelo próprio
YouTube, por um sistema de bloqueio e checagem próprio ou a partir de alerta
de usuários. O serviço,
com pouco mais de um ano de existência, recebe mais de 35.000 vídeos
novos por dia (em janeiro, eram 8.000), cada um com no máximo dez minutos
de duração. Todo mês, 12 milhões de visitantes assistem
a 1,2 bilhão de filminhos. O webdesigner paulistano Thiago Borbolla, 22
anos, conquistou seus minutos de fama no início de maio, ao figurar na
lista dos mais vistos do dia um feito bastante notável , depois
de colocar no site sua participação em um concurso de "gente que
parece com mutantes" no programa Pânico na TV. "Estranhei quando
me vi no topo. Conforme li os comentários, percebi que o sucesso não
era por minha causa, mas sim devido ao trailer do novo filme X-Men que
aparecia ao fundo", diz ele. De olho nesse público jovem, conectado e muito
ágil, certas empresas que já dominam a linguagem on-line aproveitam
para fazer seu marketing. É o caso da Nike, que colocou algumas de suas
propagandas lá, e de distribuidores de filmes, que têm disponibilizado
trailers de lançamentos. "Um destino já estabelecido como o YouTube
tem milhões de olhos disponíveis instantaneamente. Com um simples
clique, a Nike expande a exibição de seus vídeos por todo
o mundo", disse a VEJA Dean Stoyer, gerente de comunicações da empresa
nos Estados Unidos. Como não são de perder tempo, gigantes como
Microsoft, Yahoo! e Google também já têm seu compartilhador
de imagens. Mas até agora nenhum deles é, assim, um YouTube. |