Edição 1959 . 7 de junho de 2006

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Internacional
A vitória de Álvaro
Uribe, o anti-Chávez

Políticas responsáveis e mão firme com o
crime garantem a reeleição na Colômbia


Ruth Costas


Leslie Mazoch/AP
Uribe: na contramão de Chávez, Morales e Kirchner

A reeleição do presidente colombiano Álvaro Uribe é extraordinária por mais de um motivo. Primeiro, pela interrupção na recente tendência sul-americana de escolher governos esquerdistas ou populistas. Depois, por consolidar a existência de um pólo de resistência à ambição do venezuelano Hugo Chávez de ditar os rumos da política na região. Por fim, pela expressiva votação que recebeu – 62% dos votos, quase o triplo do segundo colocado. Os pilares da popularidade de Uribe são o crescimento econômico e a grande redução na violência ocorridos em seu governo. Os dois feitos notáveis decorrem, pode-se dizer, do fato de Uribe ter adotado em todos esses assuntos posturas diretamente opostas às de Chávez, seu vizinho e arquiinimigo. Enquanto o venezuelano vocifera contra os Estados Unidos e usa seus petrodólares para financiar aventureiros e golpistas em países vizinhos, Uribe optou por uma política externa pragmática. Aumentou a cooperação comercial e militar com os americanos, tornando-se o melhor amigo da Casa Branca na América do Sul. No campo econômico, mostrou responsabilidade nos gastos públicos e procurou sanear as contas do Estado, em lugar de esbanjar dinheiro em projetos populistas, como faz Chávez.

O resultado pode ser medido em progresso, segurança e distribuição de renda. No ano passado, a Colômbia recebeu mais de 10 bilhões de dólares em investimentos externos, três vezes mais que a Venezuela, e o desemprego, que antes do governo Uribe atingia quase um quinto dos trabalhadores, caiu para 12%. Graças à política de linha dura aplicada por Uribe, o número de seqüestros caiu 72% e o de homicídios, 37%. No ano passado, os índices de criminalidade colombianos atingiram os níveis mais baixos dos últimos vinte anos. As guerrilhas – que no fim da década de 90 ocupavam uma zona desmilitarizada do tamanho do estado do Rio de Janeiro e tinham iniciado uma campanha terrorista nas grandes cidades – foram empurradas para áreas próximas às fronteiras. Em quatro anos, mais da metade dos 22.000 guerrilheiros foram presos ou mortos. Um grupo menor, ELN, já negocia com o governo a entrega das armas. Foram também desmobilizados 30.000 paramilitares, a tenebrosa milícia que, a pretexto de proteger as fazendas de ataques guerrilheiros, aterrorizava o interior do país.


Javier Galeano/AP
Polícia antiterror faz blitz em Bogotá: cidades mais seguras

O fato de as eleições terem sido tranqüilas, sem tentativas de sabotagem por parte dos guerrilheiros, demonstra quanto esses grupos enfraqueceram. Em 2002, as Farc seqüestraram uma candidata à Presidência e tentaram assassinar Uribe com um bombardeio de morteiros que deixou dezenove mortos. Aliás, é bom lembrar que as Farc assassinaram o pai de Uribe, um fazendeiro, duas décadas atrás. O presidente colombiano conseguiu reduzir a violência com investimentos pesados na ampliação das Forças Armadas e dos efetivos policiais. Também fez aprovar no Congresso uma lei que permite escutas telefônicas sem mandado judicial. Com isso, os centros urbanos estão mais seguros e já é possível transitar nas estradas próximas à capital, Bogotá, sem ser assaltado por milícias armadas – algo inimaginável quatro anos atrás. Mas a Colômbia ainda é um país violento, e a transformação se mostra frágil. Seu interior continua pouco policiado, e há 2 milhões de colombianos deslocados pela guerra vivendo na pobreza. O narcotráfico, a principal fonte de financiamento da guerrilha, mantém-se firme no controle de 80% da produção mundial de cocaína. No segundo mandato, Uribe promete continuar a tratar a criminalidade com mão dura e, paralelamente a isso, investir com maior vigor numa política social para dar condições aos colombianos de virar as costas ao narcotráfico e ao crime.

Uma das principais iniciativas do primeiro mandato de Uribe foi selar um tratado de livre-comércio com os americanos, que, se aprovado pelo Congresso colombiano, entrará em vigor em 2007. O Plano Colômbia, projeto de 4,5 bilhões de dólares bancado pela Casa Branca para combater o narcotráfico, teve resultados contraditórios. Não serviu para reduzir a produção de coca (a matéria-prima da cocaína) porque, tão logo as plantações eram destruídas em uma região, novas áreas cultivadas surgiam em outras localidades. Por outro lado, a parceria colombiano-americana contribuiu para fechar o cerco às milícias e aos guerrilheiros e, com isso, controlar a violência na Colômbia. Os resultados poderiam ter sido melhores não fosse o fato de Chávez fazer vista grossa à presença de guerrilheiros refugiados em seu país. A Venezuela transformou-se em uma nova rota da cocaína produzida na Colômbia e vendida nos Estados Unidos. Em abril, um avião comercial vindo de Caracas foi apreendido no México com 5,5 toneladas da droga. Enquanto Uribe busca o fim da violência e o desenvolvimento em seu país, Chávez cria confusão no continente. Na semana passada, os colombianos deixaram claro que a primeira estratégia também pode ser premiada nas urnas.

 

MAIS SEGURO
E MAIS RICO

Desde que Álvaro Uribe
assumiu a Presidência
da Colômbia, em 2002,

o número de seqüestros caiu 72%

a taxa de homicídios caiu 37%  

30 000 paramilitares entregaram as armas

o PIB cresce à média de 4,7% ao ano

os investimentos externos aumentaram cinco vezes

 
 
 
 
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