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Internacional
A vitória de Álvaro
Uribe, o anti-Chávez
Políticas responsáveis e mão
firme com o
crime garantem a reeleição na Colômbia

Ruth Costas
Leslie Mazoch/AP
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| Uribe: na contramão de Chávez, Morales e Kirchner
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A reeleição do presidente
colombiano Álvaro Uribe é extraordinária por
mais de um motivo. Primeiro, pela interrupção na recente
tendência sul-americana de escolher governos esquerdistas
ou populistas. Depois, por consolidar a existência de um pólo
de resistência à ambição do venezuelano
Hugo Chávez de ditar os rumos da política na região.
Por fim, pela expressiva votação que recebeu
62% dos votos, quase o triplo do segundo colocado. Os pilares da
popularidade de Uribe são o crescimento econômico e
a grande redução na violência ocorridos em seu
governo. Os dois feitos notáveis decorrem, pode-se dizer,
do fato de Uribe ter adotado em todos esses assuntos posturas diretamente
opostas às de Chávez, seu vizinho e arquiinimigo.
Enquanto o venezuelano vocifera contra os Estados Unidos e usa seus
petrodólares para financiar aventureiros e golpistas em países
vizinhos, Uribe optou por uma política externa pragmática.
Aumentou a cooperação comercial e militar com os americanos,
tornando-se o melhor amigo da Casa Branca na América do Sul.
No campo econômico, mostrou responsabilidade nos gastos públicos
e procurou sanear as contas do Estado, em lugar de esbanjar dinheiro
em projetos populistas, como faz Chávez.
O resultado pode ser medido em
progresso, segurança e distribuição de renda.
No ano passado, a Colômbia recebeu mais de 10 bilhões
de dólares em investimentos externos, três vezes mais
que a Venezuela, e o desemprego, que antes do governo Uribe atingia
quase um quinto dos trabalhadores, caiu para 12%. Graças
à política de linha dura aplicada por Uribe, o número
de seqüestros caiu 72% e o de homicídios, 37%. No ano
passado, os índices de criminalidade colombianos atingiram
os níveis mais baixos dos últimos vinte anos. As guerrilhas
que no fim da década de 90 ocupavam uma zona desmilitarizada
do tamanho do estado do Rio de Janeiro e tinham iniciado uma campanha
terrorista nas grandes cidades foram empurradas para áreas
próximas às fronteiras. Em quatro anos, mais da metade
dos 22.000 guerrilheiros foram presos ou mortos. Um grupo menor,
ELN, já negocia com o governo a entrega das armas. Foram
também desmobilizados 30.000 paramilitares, a tenebrosa milícia
que, a pretexto de proteger as fazendas de ataques guerrilheiros,
aterrorizava o interior do país.
Javier Galeano/AP
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| Polícia antiterror faz blitz em Bogotá: cidades
mais seguras |
O fato de as eleições
terem sido tranqüilas, sem tentativas de sabotagem por parte
dos guerrilheiros, demonstra quanto esses grupos enfraqueceram.
Em 2002, as Farc seqüestraram uma candidata à Presidência
e tentaram assassinar Uribe com um bombardeio de morteiros que deixou
dezenove mortos. Aliás, é bom lembrar que as Farc
assassinaram o pai de Uribe, um fazendeiro, duas décadas
atrás. O presidente colombiano conseguiu reduzir a violência
com investimentos pesados na ampliação das Forças
Armadas e dos efetivos policiais. Também fez aprovar no Congresso
uma lei que permite escutas telefônicas sem mandado judicial.
Com isso, os centros urbanos estão mais seguros e já
é possível transitar nas estradas próximas
à capital, Bogotá, sem ser assaltado por milícias
armadas algo inimaginável quatro anos atrás.
Mas a Colômbia ainda é um país violento, e a
transformação se mostra frágil. Seu interior
continua pouco policiado, e há 2 milhões de colombianos
deslocados pela guerra vivendo na pobreza. O narcotráfico,
a principal fonte de financiamento da guerrilha, mantém-se
firme no controle de 80% da produção mundial de cocaína.
No segundo mandato, Uribe promete continuar a tratar a criminalidade
com mão dura e, paralelamente a isso, investir com maior
vigor numa política social para dar condições
aos colombianos de virar as costas ao narcotráfico e ao crime.
Uma das principais iniciativas
do primeiro mandato de Uribe foi selar um tratado de livre-comércio
com os americanos, que, se aprovado pelo Congresso colombiano, entrará
em vigor em 2007. O Plano Colômbia, projeto de 4,5 bilhões
de dólares bancado pela Casa Branca para combater o narcotráfico,
teve resultados contraditórios. Não serviu para reduzir
a produção de coca (a matéria-prima da cocaína)
porque, tão logo as plantações eram destruídas
em uma região, novas áreas cultivadas surgiam em outras
localidades. Por outro lado, a parceria colombiano-americana contribuiu
para fechar o cerco às milícias e aos guerrilheiros
e, com isso, controlar a violência na Colômbia. Os resultados
poderiam ter sido melhores não fosse o fato de Chávez
fazer vista grossa à presença de guerrilheiros refugiados
em seu país. A Venezuela transformou-se em uma nova rota
da cocaína produzida na Colômbia e vendida nos Estados
Unidos. Em abril, um avião comercial vindo de Caracas foi
apreendido no México com 5,5 toneladas da droga. Enquanto
Uribe busca o fim da violência e o desenvolvimento em seu
país, Chávez cria confusão no continente. Na
semana passada, os colombianos deixaram claro que a primeira estratégia
também pode ser premiada nas urnas.
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MAIS
SEGURO
E MAIS RICO
Desde que Álvaro
Uribe
assumiu a Presidência
da Colômbia, em 2002,
o número de seqüestros caiu 72%
a taxa de homicídios caiu 37%
30 000 paramilitares entregaram as armas
o PIB cresce à média de 4,7%
ao ano
os investimentos externos aumentaram cinco vezes
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