Edição 1 652 -7/6/2000

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Chico Caruso/O Globo
Profissionais

O técnico Wanderley Luxemburgo examina as condições do gramado


"Desejo um câncer no pulmão para certos jornalistas."
Desiderio Collino, bispo argentino, durante missa dominical, indignado com profissionais de imprensa que considera "mentirosos, caluniadores e difamadores"

"Vamos assaltar na praça, nas universidades. Mas roubar merenda escolar, não."
Lauro Campos, senador (PT-DF), criticando o governo do Distrito Federal

"Eu não tenho problema nenhum de andar sobre tapetes vermelhos, porque já lavei tantos na minha vida."
Benedita da Silva, vice-governadora fluminense, em resposta ao ex-governador Leonel Brizola, que atribuiu a ela o gosto pela pompa do poder

"Tenho de cuidar do meu nariz novo. Eu não vou me meter nessa briga."
Emília Fernandes, senadora (PDT-RS), que acaba de fazer plástica, justificando sua ausência na reunião da Comissão de Ética do Senado que estudava a cassação do colega Luiz Estevão (PMDB-DF)

"Quem vaia Marta Suplicy poderia vaiar até Jesus Cristo."
Cícero de Freitas, deputado estadual (PFL-SP), minimizando os apupos que ele e alguns colegas receberam de funcionários públicos em greve

"Ele sabe que ela é apenas um dinossauro?"
Repórter de Chicago, estranhando o interesse do presidente Bill Clinton em conhecer Sue, o fóssil de uma fêmea de tiranossauro rex do Field Museum, no Estado americano de Illinois

"Sinto-me como uma lagosta."
Arthur Clarke, autor de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, encasacado num calor de 40 graus para receber o título de Cavaleiro do Império Britânico, em uma cerimônia no Sri Lanka

"Ele foi um porco machista."
Sean Lennon, sobre o pai, John Lennon, segundo o livro Lennon in America, de Geoffrey Giuliano

"Da próxima vez que tiver manifestação, também vou levar ovos."
Paulo Renato, ministro da Educação, que pensa em revidar os ataques da oposição ovípara

"Já andei demais nos meus 103 anos de vida."
Barbosa Lima Sobrinho, jornalista, recusando-se a andar depois de ter operado o fêmur

"Quem me encontrar me entregue para Sílvia Pfeifer."
Placa pendurada no pescoço do humorista Millôr Fernandes durante o lançamento de seu site na internet, que contou com a presença da atriz

"É o dia do meu aniversário, e eu vou passar a data cantando para uma cachorra."
Raimundo Pereira, cantor lírico, justificando o cachê que cobrou para cantar no casamento da cachorra "Pepezinha", da socialite Vera Loyola

"Em futebol não há muita explicação: ou a gente tá ou não tá."
Ronaldinho Gaúcho, jogador do Grêmio, provocado a falar de sua não-convocação para a Seleção Brasileira de Futebol

"Liberdade, ainda que tardia."
Luiz Estevão, senador (PMDB-DF), parodiando Tiradentes, em discurso em que se defendeu da cassação

"Pobre, dependendo da iluminação e do ângulo, dá um dinheirão."
Ivan Lessa, jornalista da BBC de Londres, numa referência à fotografia de Sebastião Salgado, especialista em mazelas do Terceiro Mundo

"Tem uma frase de um autor francês chamado Goethe que diz: 'Só os imbecis não voltam atrás'."
Wanderley Luxemburgo, técnico da Seleção Brasileira de Futebol

 

 


Arc* e o ovo

Arc, o marciano, anda confuso com as coisas que nós, os terráqueos, jogamos uns nos outros. Ele já viu gente jogando arroz em cima de noivos, latas de cerveja em juiz de futebol, ovo em ministro, pau de bandeira em governador, beijinhos de apresentador de televisão para o público

– Explica essa mania de jogar coisas na cabeça dos outros.
– Marciano: não confunda coisas positivas, como o arroz e os beijinhos, com atirar ovos, latas de cerveja, pau de bandeira...
aí é agressão.
– E o que acontece com o agressor?
– Nada. Normalmente ele foge, se esconde. Ou, quando aparece, diz que foi um gesto simbólico, não uma agressão.
– Ovo em ministro é símbolo de quê?
– Sei lá, marciano. De protesto, de vontade de que as coisas
mudem, não fiquem como estão...
– Mas, jogando ovo, as coisas mudam?
– Claro que não, Arc. Eu disse que é um gesto simbólico, uma manifestação de inconformismo, entende?
– Claro: quer dizer que sempre que vocês não se conformam com alguma coisa jogam ovo nos outros...
– ...não é bem assim, marciano...
– ...ou seja, vale tudo, pais jogam ovo em filhos, mulher em marido, governo no Congresso, polícia no povo...?
– Arc, chega!


* Arc é marciano e invisível e vem regularmente à Terra – inclusive ao Brasil – para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquanto, ele está achando que não dá....
(arc@bol.com.br)

Teagá

 

 

Editado por Julio Cesar de Barros