Edição 1 652 -7/6/2000

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TELEVISÃO

Terror Universal (segunda a sexta, no Telecine 5) – Entre as décadas de 20 e 40, os filmes de horror da Universal metiam medo em crianças e adultos. Hoje, as cultuadas produções do estúdio americano podem não assustar, mas ainda impressionam graças aos roteiros bem bolados, às interpretações antológicas e ao visual arrojado – sim, eles já eram arrojados nos tempos do preto-e-branco! Nesta semana, a TV por assinatura vai exibir oito decsas fitas em versões restauradas. O ciclo começa na segunda, às 22h, com um alentado documentário sobre o tema. No restante da programação, as principais estrelas do período estão bem representadas. O astro Lon Chaney, conhecido como o homem das mil faces por usar e abusar da maquiagem, é o protagonista do primeiro terror da companhia, O Fantasma da Ópera (1925), atração de segunda, às 23h40. Quase vinte anos mais tarde, seu filho Lon Chaney Jr. encarnou o Lobisomen (1941), que vai ao ar na sexta, às 22h. As faces mais famosas da Universal, contudo, são o húngaro Bela Lugosi e o inglês Boris Karloff. Este último atuou em filmes como A Noiva de Frankenstein (1935), programado para quarta, às 23h15. Lugosi, por sua vez, foi o mais charmoso Drácula (1931) do cinema. No filme (previsto para terça, às 22h), incorporou com tal perfeição o personagem imortalizado pelo escritor irlandês Bram Stoker que nunca mais se livrou dele. Ao morrer, em 1956, na total decadência, foi enterrado com a fantasia do vampiro.

Doutor Katz, o terapeuta: desenho animado inteligente

Dr. Katz (quartas às 15h30 e quintas à 1h, no Multishow) – Este desenho animado artesanal é uma das mais inteligentes produções voltadas para o público adulto. Acompanha a rotina de um terapeuta de meia-idade, o doutor Katz do título, que atende em seu consultório uma clientela meio esquisita. Ele tem uma recepcionista entediada e um filho crescido que não sabe o que fazer da vida. A nova temporada do desenho finalmente está aportando na televisão a cabo – e demorou, já que fazia um ano que o Multishow só colocava reprises no ar. Agora, falta apenas passar o programa num horário mais decente. Dr. Katz é ainda mais divertido para quem faz análise.

 

LIVROS

A Vênus de Botticelli, em A História da Arte: nova edição

A História da Arte, de E.H. Gombrich (tradução de Álvaro Cabral; LTC; 688 páginas; 95 reais) – O historiador e crítico inglês Ernst H. Gombrich escreveu este manual nos anos 50, e desde então a obra virou um instrumento precioso para quem deseja aprofundar-se no assunto. A boa notícia é que, depois de cinco anos fora de catálogo, o livro está retornando às prateleiras numa edição atualizada. Ao narrar a evolução artística da humanidade da Pré-História ao pós-moderno, Gombrich lança mão de um texto claro e conciso. O livro traz mais de 400 ilustrações, reproduzindo obras-primas como O Nascimento de Vênus, de Botticelli

Dois Irmãos, de Milton Hatoum (Companhia das Letras; 268 páginas; 24 reais) – Onze anos atrás, o amazonense Hatoum causou sensação com seu romance de estréia, Relato de um Certo Oriente. Demorou um tempão para lançar sua segunda obra, mas o resultado compensa a espera. A trama é ambientada em Manaus, mas escapa da mesmice que marca o romance regionalista brasileiro. A cidade é apenas o cenário de uma desconcertante fábula sobre o ódio. Os dois irmãos do título são os gêmeos de ascendência libanesa Omar e Yaqub. O temperamento explosivo do primeiro e a vingança calculada do segundo mantêm o leitor grudado no livro até a última página.

 

FILME

O Primeiro Milhão (Boiler Room, Estados Unidos, 2000. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro) – Volta e meia, algum cineasta se debruça sobre o mundo ultracompetitivo das finanças, como em Wall Street e O Sucesso a Qualquer Preço. Agora é a vez de o diretor Ben Younger, de apenas 26 anos, dissecar, com talento e olho clínico, a agressividade de um grupo de jovens corretores de ações – todos milionários, e todos também inescrupulosos a ponto de persuadir incautos a investir o seu dinheiro em papéis falsos. A não ser por Ben Affleck, que faz uma ponta como o brutal instrutor dos novatos que chegam à empresa, o elenco é pouco conhecido, mas desempenha seus papéis com garra.

 

DISCO

Monk Alone – The Complete Columbia Solo Studio Recordings: 1962-1968, Thelonious Monk (Columbia/Sony Music) – Existem dois pontos de referência no piano jazzístico. O primeiro é Art Tatum, mestre da exuberância, com suas cascatas de notas. O segundo é Thelonious Monk, gênio da economia, com seus acordes rarefeitos e silêncios expressivos. Por essas características, Monk é melhor como solista do que tocando em trio. The Complete Studio Recordings é uma coletânea solo que compila composições de uma das fases mais ricas do pianista – quando ele lançou maravilhas do quilate de Monk's Dream e Criss-Cross – e sobras de estúdio. Entre as raridades, o destaque é uma versão pouco conhecida de Round Midnight, assinatura do compositor e um dos mais belos temas do jazz de todos os tempos.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva , Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano. Esta lista não inclui livros vendidos em bancas.