Edição 1 652 -7/6/2000

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Beibe, ai lóvi iú

Banidas da MPB por duas décadas,
versões voltam a fazer sucesso

Sérgio Martins

As versões estão de volta. Duas das campeãs atuais das paradas de sucessos são traduções de músicas estrangeiras. Deixaria Tudo, do cantor Leonardo, é na verdade do ídolo romântico porto-riquenho Chayanne. Nada Me Faz Esquecer, estourada nas vozes de Pepê & Neném, é uma adaptação de Wild World, do veteraníssimo Cat Stevens. A dupla Sandy & Junior, que já vendeu 10 milhões de cópias de nove CDs, tem sua carreira calcada em versões. Eles são especialistas na "obra" da canadense Celine Dion. Estouraram nacionalmente cantando em português o tema do filme Titanic, My Heart Will Go On. O disco do ano passado, Quatro Estações, era puxado pela música Imortal, tradução de Immortallity. Os produtores musicais gostam de incluir versões nos discos dos artistas porque elas são uma aposta praticamente certa. "É mais fácil o ouvinte se sentir atraído por uma melodia que já conhece do que por uma música completamente nova", diz Décio Cruz, diretor artístico da editora Warner Chapell.

Durante duas décadas as versões rarearam na música brasileira. Para a politizada MPB dos anos 70, eram sinônimo de "capitulação cultural". O rock nacional da década seguinte copiou tudo das bandas americanas e inglesas – arranjos, coreografias, vestuário –, mas seus compositores faziam questão de criar as próprias letras. As versões ressurgiram timidamente no final dos anos 80, pelas mãos de produtores como Cláudio Rabello. Em cima da melodia da obscura canção romântica The Power of Love, ele criou a letra de O Amor e o Poder, maior sucesso da cantora brega Rosana (o refrão é inesquecível: Como uma deusaaaaaaaaaa/ Você me mantém). Rabello pegou gosto pela coisa e continuou no ramo. O maior hit de sua carreira foi Então É Natal, adaptação de Happy Xmas, de John Lennon, que puxou o CD natalino de Simone em 1995.

 
Fotos João Santos/Rodrigo Lopes
Fotos João Santos/Rodrigo Lopes

Pepê & Neném e Sandy & Junior: traduções ao pé da letra, tão ruins quanto os originais

Fazer versão, no entanto, não dá camisa a ninguém. Na maior parte dos casos, a editora estrangeira só libera a música se o criador da letra em português abrir mão dos direitos autorais. Isso aconteceu com Cláudio Rabello em Então É Natal. "Fiquei só com a honra de ser parceiro de John Lennon", brinca. Em geral, os autores são também produtores musicais, e ganham por esse trabalho. Fazem-se versões na música brasileira desde os tempos de Orlando Silva, que cantava Begin the Beguine, de Cole Porter, com letra de Haroldo Barbosa. No passado, o versionista não costumava ter muito compromisso com a canção original. Hoje em dia é diferente. As músicas cantadas por Leonardo, Sandy & Junior e Pepê & Neném são traduções praticamente literais. Isso não significa que o resultado final seja bom. Existe música ruim em qualquer lugar do mundo – e Deixaria Tudo e Imortal estão, com certeza, à altura dos originais de Chayanne e Celine Dion.