Edição 1 652 -7/6/2000

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Barra pesada na Barra

Grampo, traição, atentados – e a briga da rainha
das quentinhas, Ariadne Coelho, com a ex-melhor
amiga Thelma vira caso de polícia

Silvio Ferraz

Oscar Cabral

Ariadne nega tudo: não grampeou, não traiu, não armou. "Há milhões rolando nisso", insinua

 

Eles têm home theater, carro blindado e helicóptero. Mas ninguém aperta o botão da máquina e lava sua roupa suja em casa, o que seria bom e recomendável. Insistem em estendê-la à vista do distinto público nos apartamentaços e mansões onde vivem, na Barra da Tijuca, balneário da Zona Oeste do Rio de Janeiro, famoso por seu novo-riquismo. O enredo faria autor mexicano morrer de inveja. Uma mistura suculenta de atentados, amores clandestinos, corrupção, telefones grampeados, dinheiro e muita intriga. Tudo isso deságua na sala do bonachão delegado Napoleão Salgado, o Hercule Poirot da 16ª DP. De um lado, a protagonista é a bela milionária Ariadne, casada com Jair Coelho, o rei das quentinhas, cujo maior negócio é a distribuição de 12.000 marmitas por dia nos presídios cariocas. De outro, Thelma Cabral, sua ex-fiel secretária e amiga. No meio, Alexandre Martins, sedutor empresário do jogador Ronaldinho. O que os move? Dinheiro? Paixão?

Caviar, champanhe e empresas – Ariadne descarta a paixão. Admite que "há milhões rolando nisso". Insinua: "Fiquei na toca para proteger Jair. Nunca fui a Nicéa do meu marido. Mas ele tem de ficar do meu lado, me proteger, porque eu sou uma bomba atômica". E completa: "Jair era escuridão, eu sou o sol da vida dele". Ela suspeita que Thelma queria conquistar seu marido. "Sou muito mais bonita, mas a história da Lady Di mostra que nem sempre isso garante." Na cena 1 desse drama, há três semanas, Ariadne relatou à polícia que seu Mercedes preto foi alvo de um tiro de grosso calibre. Para ela, claro atentado ou, no mínimo, intimidação. A polícia mandou o carro à perícia, mas até hoje o laudo não apareceu. O delegado Napoleão coça a cabeça. Acredita em armação e está ansioso para carimbar um "arquive-se" por falta de provas. Mas aí vem a cena 2: Ariadne é acusada, com base em fitas fornecidas pela ex-amicíssima Thelma, de colocar grampos nos telefones do casal Rubem e Maria Monteiro, promoters de tudo o que é agito entre os novos-ricos. Segundo os Monteiro, o motivo era vingança, por não ter sido convidada para uma recepção.

 
Raimundo Valentim/AE

Alexandre (na foto), o sedutor, e Jair, o marido: no meio do tiroteio, os dois estão na berlinda

Na cena 3, que se desenvolveu na semana passada, vem o capítulo dos amores, que naturalmente está dando o que falar. Ariadne, ao depor na delegacia, deixa escapar que, por causa de futricas de Thelma (sempre ela), o marido, Jair, teria grampeado o telefone do galã Alexandre Martins (depois voltou atrás e disse que foi mal interpretada). Thelma intercepta o míssil e rebate: diz que a loira da Barra está, sim, vivendo tórrida paixão com Alexandre. Ariadne treplica: "Infâmia. Quem se aproximou dele foi Thelma". A essa altura, o empresário de Ronaldinho – que está na Europa e não atende a telefone – tornou-se irresistível. "Só estive com ele porque queria trabalho para meu marido, artista plástico, no apartamento de Ronaldinho. Muito natural", defende-se a ex-secretária. E acelera o carrossel de acusações: "A paixão era tanta que Ariadne trocou seu celular com o do meu marido para poder falar a qualquer hora com Alexandre". Enquanto acusa, brande cópias das contas telefônicas.

Na cena 4, na quinta-feira passada, a inclemente Thelma, vestida de negro com botas malhadas, revela ao delegado (que, a essa altura, compreensivelmente, perdeu o fio da meada) que a ex-amiga se mostrava cada dia mais insatisfeita com o casamento com Jair, mas queria sair dele "milionária". Ariadne, que tem dois filhos com Jair, cobiçaria apartamentos, carros, caviar e o champanhe demi-sec, com seu nome no rótulo. Além de umas empresazinhas, claro. A musa da Barra teria, ainda, procurado o advogado Luiz Fernando Gevaerd, autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça. Montou-se o plano Dunga, pelo qual Ariadne centralizaria o comando das empresas de Jair, em que aparece como sócia-presidente. Um tio de Ariadne, contratado para o Dunga, propôs a Jair passar todas as empresas para a alçada de sua sobrinha. Pretexto: ele poderia, assim, colocar-se ao abrigo da chuva de acusações que vem enfrentando sobre licitações sem concorrências. Jair mandou-o às favas. O plano gorou.

 
Reginaldo Teixeira

Thelma: de amiga inseparável a acusadora implacável

O estrepitoso rompimento entre Ariadne e Thelma ocorreu exatamente no dia 7 de novembro passado. "Thelma levou meu marido ao apartamento de Alexandre para provar meu suposto adultério", conta a rainha. "Mostrou uma série de fotografias minhas que roubara daqui de casa. Jair perguntou: 'Que amante dá fotografia?'. Não deu certo, mas nossa família desabou", lamenta Ariadne. No domingo último, nova perseguição a Ariadne. Um carro emparelhou e o motorista sacou a arma: "Apertei fundo o acelerador até o marginal sumir no retrovisor". Ariadne está triste. Jair, aparentemente, continua sereno, mas já avisou: "Se o divórcio for inevitável, as crianças ficam comigo". A vizinhança, ansiosa, torce as mãos pelo próximo capítulo.

 

ARIADNE ACUSA

"Essa mulher é uma psicopata. É uma adoração que virou ódio."

"Eu nunca andei sem meu marido. Ela é que vivia querendo se infiltrar."

"Thelma me disse que Jair lhe propôs que os dois tivessem um caso."

THELMA ACUSA

"Não vou dar nomes aos bois. Os bois já estão se chifrando."

  "Ariadne usava o celular do meu marido para falar com Alexandre."

"A toda hora tocava o telefone com gente dizendo que ia me matar."