Edição 1 652 -7/6/2000

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Vitórias contra a corrupção

Luiz Estevão: na capa de VEJA em novembro de 1999

Estão no ar sinais animadores de que regride o grande veneno da vida pública brasileira, a corrupção. Um ano depois de descoberta a roubalheira de 169 milhões de reais de dinheiro público na obra do TRT paulista, a quadrilha foi desbaratada. O suspeito mais poderoso é um senador da República, Luiz Estevão, de um partido coligado do governo, o PMDB. Pois bem, por seu envolvimento até o pescoço no caso do TRT, ele está a caminho de se tornar o primeiro senador cassado pelos colegas na história do Senado. É razão para otimismo também o fato de os parlamentares terem colocado o corporativismo de lado com o objetivo de investigar e punir o senador Luiz Estevão. Estão preocupados com a própria compostura.

Processos contra outros políticos, autoridades e empresários corruptos correm em praticamente todos os Estados brasileiros. Pelo interior do país já chegam a duas centenas os prefeitos pilhados em atos ilícitos condenados pela Justiça. Tais ações normalmente tramitavam por anos a fio sem maiores conseqüências para os acusados de corrupção. Na maioria dos casos, toda a punição que sofriam era a execração pública pela imprensa. Mesmo assim, durante algum tempo. Quando o escândalo perdia seu combustível de publicidade, o acusado de corrupção voltava à vida pública como se nada tivesse acontecido. Aos poucos a situação está mudando. Se continuarem sendo dados os passos na direção correta, eles podem levar a uma revolução nos costumes nacionais, especialmente no que se refere aos integrantes da classe política. A estabilidade monetária contribuiu para isso. A abertura da economia também, ao exigir um aumento no grau de transparência por parte das autoridades. Esses fatores combinados são encorajadores. Pode estar sendo criado no Brasil, pela primeira vez, um habitat que ao invés de favorecer a prática da corrupção é hostil a ela.