Vitórias contra a corrupção
 |
|
Luiz Estevão: na capa de
VEJA em novembro de 1999
|
Estão no ar sinais animadores de que regride o grande
veneno da vida pública brasileira, a corrupção.
Um ano depois de descoberta a roubalheira de 169 milhões
de reais de dinheiro público na obra do TRT paulista,
a quadrilha foi desbaratada. O suspeito mais poderoso é
um senador da República, Luiz Estevão, de
um partido coligado do governo, o PMDB. Pois bem, por seu
envolvimento até o pescoço no caso do TRT,
ele está a caminho de se tornar o primeiro senador
cassado pelos colegas na história do Senado. É
razão para otimismo também o fato de os parlamentares
terem colocado o corporativismo de lado com o objetivo de
investigar e punir o senador Luiz Estevão. Estão
preocupados com a própria compostura.
Processos contra outros políticos, autoridades
e empresários corruptos correm em praticamente todos
os Estados brasileiros. Pelo interior do país já
chegam a duas centenas os prefeitos pilhados em atos ilícitos
condenados pela Justiça. Tais ações
normalmente tramitavam por anos a fio sem maiores conseqüências
para os acusados de corrupção. Na maioria
dos casos, toda a punição que sofriam era
a execração pública pela imprensa.
Mesmo assim, durante algum tempo. Quando o escândalo
perdia seu combustível de publicidade, o acusado
de corrupção voltava à vida pública
como se nada tivesse acontecido. Aos poucos a situação
está mudando. Se continuarem sendo dados os passos
na direção correta, eles podem levar a uma
revolução nos costumes nacionais, especialmente
no que se refere aos integrantes da classe política.
A estabilidade monetária contribuiu para isso. A
abertura da economia também, ao exigir um aumento
no grau de transparência por parte das autoridades.
Esses fatores combinados são encorajadores. Pode
estar sendo criado no Brasil, pela primeira vez, um habitat
que ao invés de favorecer a prática da corrupção
é hostil a ela.