O Rio de Janeiro
com ares italianos de Taunay: 71 obras reunidas
Nicolas-Antoine
Taunay no Brasil: uma Leitura dos Trópicos (a
partir de terça-feira no Museu Nacional de Belas Artes,
Rio de Janeiro) Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) integrou
a Missão Francesa, como ficou conhecido o grupo de artistas
daquele país que atuaram no Rio de Janeiro nos tempos
de dom João VI. Pintor da França napoleônica
que se exilou no Brasil por razões políticas (e
não por convite da corte portuguesa, como já se
aventou sobre tais artistas), ele retratou os trópicos
sob uma ótica neoclássica. Em suas representações,
as paisagens cariocas ganham ares de vilas italianas, por exemplo.
Essa mostra, com curadoria de Lilia Moritz Schwarcz autora
do recém-lançado livro sobre o tema O Sol do
Brasil , conta com 71 obras de acervos nacionais e
estrangeiros. Veja
galeria de imagens.
LIVROS
Viagem
ao Fundo da Sala,
de Tibor Fischer (tradução de Paulo Reis; Rocco;
256 páginas; 38,50 reais) Oceane adora viajar,
mas detesta sair de casa. Ela "visita" o mundo todo
navegando pela internet e pelos canais internacionais de sua
televisão a cabo. Designer gráfica bem-sucedida,
dá-se ao luxo de ter um apartamento abaixo daquele onde
mora apenas para de vez em quando promover jantares temáticos
em que reproduz costumes exóticos de países distantes.
Sua rotina pacata é interrompida quando ela começa
a receber cartas de um ex-namorado que morreu há dez
anos. Autor de Um Palmo Abaixo e Adoro Morrer,
o inglês Tibor Fischer cria enredos que flertam com o
nonsense para iluminar o absurdo da vida cotidiana. Nesse novo
livro, há até um personagem que morre esmagado
por uma vaca que cai do céu. Leia
trecho.
Divulgação
Max Barry: sátira
corrosiva ao mundo corporativo
A Companhia,
de Max Barry (tradução de Ricardo Silveira; Record;
336 páginas; 37 reais) O romance é dedicado
à Hewlett-Packard, indústria de eletrônicos
para a qual o australiano Barry trabalhou antes de se dedicar
à literatura. A dedicatória é uma evidente
provocação, pois A Companhia é uma
sátira corrosiva ao mundo corporativo. A Zephyr Holdings,
empresa em que transcorre toda a ação do livro,
é uma grande corporação com sede em Seattle.
Seus funcionários se dedicam às pequenas guerras
de poder do escritório, mas nenhum deles faz a mínima
idéia do que a Zephyr produz. Barry é ótimo
nas paródias da linguagem corporativa. Um bom exemplo
é a "missão" da Zephyr, um parágrafo
cheio de chavões como "abordagem estratégica"
e "unidades de negócio" e que não
informa coisa alguma.
DVD
Doane
Gregory/Divulgação
Coisas que Perdemos: a dor da
ausência
Coisas que Perdemos pelo Caminho(Things
We Lost in the Fire, Estados Unidos/ Inglaterra, 2007. Paramount)
Audrey (Halle Berry) sempre detestou Jerry (Benicio del
Toro), o amigo viciado em heroína de seu marido (interpretado
em flashbacks por David Duchovny). Mas, no dia em que fica viúva
de forma trágica e inesperada, ela decide chamar Jerry
para o funeral. Inicia-se aí um relacionamento baseado
em carências e ausências, que vai envolver ainda
os filhos de Audrey, atordoados com a perda do pai, e um vizinho
(o excelente John Carroll Lynch, tirando ouro de um papel pequeno),
que não gosta de absolutamente nada na mulher com quem
se casou. A diretora dinamarquesa Susanne Bier, de Depois
do Casamento, é uma das continuadoras modernas do
melodrama, para o qual demonstra afinação incomum.
A única ressalva é sua lealdade a um elemento
clássico e ultrapassado do gênero:
os desdobramentos e reviravoltas improváveis. Veja
cenas.
TELEVISÃO
Divulgação
Terminator: de filme a série,
com estilo
Terminator: The Sarah Connor Chronicles
(estréia nesta terça-feira, às 22 horas,
no Warner Channel) Ao responder à chamada na sala
de aula, o adolescente John Connor (Thomas Dekker) desencadeia
uma seqüência de horror: o professor arranca uma
pistola de dentro da própria coxa e sai atirando no aluno
à queima-roupa. Só resta ao garoto fugir
e essa será a sina dele e de sua mãe, a Sarah
Connor do título (Lena Headey, de 300), ao longo
desse seriado de ficção científica.
Baseado na série de filmes de sucesso criada por
James Cameron e protagonizada por Arnold Schwarzenegger, Terminator
retoma o mote central da história. Robôs que
dominam a Terra em 2029 enviam andróides ao passado com
o intuito de matar o futuro líder de uma rebelião
dos humanos que vem a ser o filho da durona Sarah.
DISCO
Good
to Be Bad,Whitesnake (Hellion)
David Coverdale, líder do Whitesnake, é
uma das maiores vozes do rock. Esse inglês de 56 anos
tem uma interpretação rascante, calcada no rhythmnblues
e nos agudos de Robert Plant, cantor do Led Zeppelin (seus detratores
dizem que ele é a versão genérica de Plant).
Coverdale, que também foi do lendário grupo Deep
Purple, criou o Whitesnake em 1977. A banda teve diversas formações
e alternou discos inspirados no blues e no rock de raiz com
faixas que parecem ter sido compostas para jingles comerciais.
Mas esse primeiro disco do Whitesnake em onze anos acerta no
equilíbrio entre rocks e hits radiofônicos. Tem
baladas, daquelas que Coverdale adora cantar colocando a mão
no coração (a melhor delas é Summer
Rain), e traz os rocks mais pesados da carreira da banda
caso de Lay Down Your Love, em que o guitarrista
Doug Aldrich se mostra um discípulo aplicado de Jimmy
Page.