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Edição 2059

7 de maio de 2008
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Deliciosa burrice

Na sátira Çoletrano, Luciana Gimenez e companhia
mostram por que a estultice tem a força na TV


Sérgio Martins

Fotos Paulo Vitale, Wayne Camargo e divulgação

Duas semanas atrás, Íris Stefanelli, a Siri, se recusou a participar do Çoletrano, quadro de humor da turma do Pânico que satiriza o concurso estudantil de ortografia promovido por Luciano Huck em seu programa na Globo. A ex-big brother e atual apresentadora do TV Fama (da mesma RedeTV! do Pânico) confessou a amigos que não gostaria de ficar com a pecha de "burra". "A Siri até chorou. Ela é traumatizada porque os amigos e um ex-namorado a chamavam assim", entrega Sabrina Sato, que na segunda-feira passada estrelou uma versão do Çoletrano no Superpop, também da emissora, ao lado da apresentadora Luciana Gimenez e do estilista Ronaldo Esper. Menos escolada (com perdão do trocadilho) do que Sabrina e Luciana, Siri ainda não notou que a "burrice" hoje pode ter o peso de um MBA para quem deseja fazer carreira na TV. Longe de serem um poço de cultura, suas duas colegas souberam transformá-la em dinheiro e audiência.

O caso mais emblemático é o de Luciana. Em 2001, quando estreou no Superpop, ela dizia "entertenir" em vez de "entreter" e "instintores", e não "extintores" de incêndio. Tanto fez que recebeu do colunista José Simão, da Folha de S.Paulo, os apelidos de "Morenanta" e "Lucianta". Com o passar dos anos, porém, a apresentadora fez desse limão uma limonada. Hoje até consegue conduzir uma entrevista sem apelar tanto para o ponto eletrônico, aquele aparelho em que o diretor da atração "sopra" o que se deve dizer. Um dos pontos altos de Luciana se deu na semana passada, quando entrevistou Andréia Schwartz, a brasileira que foi expulsa dos Estados Unidos sob a acusação de estar ligada a uma rede de prostituição. Apertada pela apresentadora, Andréia, que até então insistia em falar num inglês macarrônico, perdeu o rebolado – e passou a falar "arrente" em vez de "a gente". "Ela ficou tão nervosa que voltou a ter sotaque capixaba", diz Luciana.

Sabrina Sato não fica atrás. Desde 2003, quando entrou para o Pânico, ela tem de aturar as ofensas de Marcos Chiesa, o Bola, que a chama de "jumento". "O Bola é assim porque tem um monte de coisa na vida dele que não dá certo", diz ela. Em sua mais recente investida, Sabrina foi a Hollywood entrevistar o ator Ashton Kutcher. "Fiz um monte de perguntas indiscretas e ele respondeu a tudo. Só não querem liberar a fita porque não perguntei nada sobre o filme."

No Çoletrano, Sabrina, Luciana e Esper tiveram de acertar a grafia de palavras como "ascensão", "mocassim" e "cemitério" – essa última, uma indireta diretíssima ao estilista, que no ano passado foi preso por roubar vasos num cemitério paulistano. "Ronaldo está bem melhor, né? Acertou no Gardenal", brinca Luciana, referindo-se ao medicamento psiquiátrico. Sabrina e Luciana juram que boa parte dos erros foi de mentirinha. "Minha mãe até me ligou. Achou que não era possível eu não saber a grafia daquelas palavras", diz Luciana.

 



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