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Educação Os rankings ajudam os
pais num momento decisivo:
Escolher uma escola na qual matricular os filhos sempre foi, no Brasil, um processo mais intuitivo do que propriamente racional. Os pais costumavam tomar essa decisão baseados em visitas aos colégios e ancorados na experiência alheia. O único medidor objetivo no horizonte eram as taxas de aprovação das escolas no vestibular. E só. O cenário começou a mudar três anos atrás, quando o Ministério da Educação (MEC) passou a divulgar o resultado dos colégios no Enem, uma prova de conhecimentos gerais aplicada aos estudantes no fim do ciclo escolar. Com ela, houve um avanço. Tornou-se possível, afinal, comparar as escolas por meio de um ranking. Ele está, de fato, sendo usado com esse fim, segundo aponta um levantamento com base nos três últimos exames. Chamam especial atenção os números relativos aos dez colégios particulares com melhor desempenho desde 2005. Num período em que as matrículas no ensino médio minguaram 9% no país, o número de novos alunos nessas escolas campeãs subiu até 40%. Isso ajuda a mensurar o raio de influência da avaliação oficial na vida de pessoas como o publicitário Randal Soares. O fato de o Vértice, um colégio de São Paulo, ter surgido no topo do ranking nacional foi decisivo para que Soares tomasse a decisão de ali matricular os filhos Fernando, 15 anos, e Isabela, 12. Ele resume um pensamento geral: "Ganhei uma espécie de bússola para rastrear o bom ensino".
O Enem surgiu há dez anos com o propósito de medir o nível de conhecimento dos estudantes e não propriamente para aferir a qualidade das escolas. Ele tem sido usado pelos alunos no ingresso em mais de 500 faculdades no país. Em certos casos, a nota se soma à do vestibular. Em outros, o Enem já substitui a prova tradicional. Os especialistas fazem uma ressalva à aplicação do exame como ferramenta para avaliar os colégios. Diz respeito a seu caráter voluntário. Como só faz a prova quem quer, pode haver distorções nos resultados. Do ponto de vista estatístico, a ponderação faz sentido. O MEC defende a divulgação dos rankings, no entanto, com base em dois argumentos. O primeiro é que os técnicos conseguem minimizar as eventuais distorções por meio de recursos estatísticos. O segundo argumento é que cerca de 80% dos estudantes das boas escolas particulares já comparecem à prova. Esse é, até então, o único indicador disponível e ele tem sido útil a gente como a médica Ivana Freire. Recém-chegada de Mato Grosso a Feira de Santana, na Bahia, ela desconhecia as escolas da cidade. Decidiu, então, matricular a filha Luiza, de apenas 4 anos, no colégio campeão do estado, o Helyos. Em um momento tão crucial para os pais quanto o da escolha de uma escola, os rankings representam, sem dúvida, um grande avanço. Com reportagem de Milena Emilião
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