Assessores cobrando
propina, malvadezas contra políticos. A vida não está
fácil para o tal Paulinho
Victor
De Martino
Sérgio
Castro/AE
Paulinho,
da Força Sindical: esquema pesado no BNDES
O
prestígio político do deputado Paulo Pereira da Silva, presidente
da Força Sindical e do PDT de São Paulo, sofreu um baque grande
o suficiente para afastar dele até mesmo o tucano Geraldo Alckmin, com
quem mantinha afinidades eletivas e eleitorais. Isso porque Paulinho, como é
conhecido, está às voltas com um escândalo de corrupção
desvendado pela Polícia Federal. Escutas telefônicas mostram seu
ex-assessor João Pedro de Moura combinando a partilha de uma propina de
2,6 milhões de reais com o consultor Marcos Mantovani, que prestava serviços
a interessados em obter empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES). O rachuncho beneficiaria oito pessoas. Uma delas,
identificada como RT, seria o advogado Ricardo Tosto, indicado por Paulinho para
o conselho de administração do BNDES. Outro beneficiário
é referido como PA, sigla que, para os policiais, oculta o nome de Paulinho.
De acordo com o inquérito, o grupo teria recebido propina pela concessão
de três empréstimos do banco oficial: um para a prefeitura de Praia
Grande, em São Paulo, e dois para as Lojas Marisa. Juntos, eles somam 518
milhões de reais. Moura e Mantovani estão na cadeia. Tosto conseguiu
um habeas-corpus.
Carol
Guedes/Folha Imagem
Serra
e Kassab: o sindicalista conspirava contra os dois
Os
grampos também revelaram os métodos sórdidos que a turma
de Paulinho emprega na política. O ex-coronel da Polícia Militar
Wilson Consani, outro assessor de Paulinho preso pela Polícia Federal,
diz que o deputado cobrava a publicação de uma reportagem com denúncias
contra um certo "GV". Trata-se de Geraldo Vinholi, então secretário
de Trabalho do município de São Paulo, que havia sido indicado para
o cargo pelo PDT e se recusava a avalizar repasses federais para a Força
Sindical. As gravações revelam que Consani chegou a marcar um encontro
com um jornalista da Rede Record. A reportagem nunca foi ao ar, mas Vinholi se
demitiu em 7 de março. No mesmo dia, o advogado Ricardo Tosto relata em
um telefonema os bastidores da demissão de Vinholi. E faz uma revelação:
como apoiara Vinholi, o governador de São Paulo, José Serra, seria
a próxima vítima de Paulinho que, meses antes, já
havia começado a conspirar contra o prefeito Gilberto Kassab. "A briga
virou contra Serra também", diz Tosto, segundo relato da Polícia
Federal. "Agora, virá uma carga do Ministério (do Trabalho)
contra Serra. Vão aparecer dossiês", acrescenta o advogado na
conversa gravada. O titular do Ministério do Trabalho é Carlos Lupi,
pedetista amigão de Paulinho. O modo sindicalista de fazer política
é mesmo um espanto.