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Edição 2059

7 de maio de 2008
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Polícia
Ele tinha a força

Assessores cobrando propina, malvadezas contra
políticos. A vida não está fácil para o tal Paulinho


Victor De Martino

Sérgio Castro/AE
Paulinho, da Força Sindical: esquema pesado no BNDES

O prestígio político do deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical e do PDT de São Paulo, sofreu um baque grande o suficiente para afastar dele até mesmo o tucano Geraldo Alckmin, com quem mantinha afinidades eletivas e eleitorais. Isso porque Paulinho, como é conhecido, está às voltas com um escândalo de corrupção desvendado pela Polícia Federal. Escutas telefônicas mostram seu ex-assessor João Pedro de Moura combinando a partilha de uma propina de 2,6 milhões de reais com o consultor Marcos Mantovani, que prestava serviços a interessados em obter empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O rachuncho beneficiaria oito pessoas. Uma delas, identificada como RT, seria o advogado Ricardo Tosto, indicado por Paulinho para o conselho de administração do BNDES. Outro beneficiário é referido como PA, sigla que, para os policiais, oculta o nome de Paulinho. De acordo com o inquérito, o grupo teria recebido propina pela concessão de três empréstimos do banco oficial: um para a prefeitura de Praia Grande, em São Paulo, e dois para as Lojas Marisa. Juntos, eles somam 518 milhões de reais. Moura e Mantovani estão na cadeia. Tosto conseguiu um habeas-corpus.

Carol Guedes/Folha Imagem
Serra e Kassab: o sindicalista conspirava contra os dois

Os grampos também revelaram os métodos sórdidos que a turma de Paulinho emprega na política. O ex-coronel da Polícia Militar Wilson Consani, outro assessor de Paulinho preso pela Polícia Federal, diz que o deputado cobrava a publicação de uma reportagem com denúncias contra um certo "GV". Trata-se de Geraldo Vinholi, então secretário de Trabalho do município de São Paulo, que havia sido indicado para o cargo pelo PDT e se recusava a avalizar repasses federais para a Força Sindical. As gravações revelam que Consani chegou a marcar um encontro com um jornalista da Rede Record. A reportagem nunca foi ao ar, mas Vinholi se demitiu em 7 de março. No mesmo dia, o advogado Ricardo Tosto relata em um telefonema os bastidores da demissão de Vinholi. E faz uma revelação: como apoiara Vinholi, o governador de São Paulo, José Serra, seria a próxima vítima de Paulinho – que, meses antes, já havia começado a conspirar contra o prefeito Gilberto Kassab. "A briga virou contra Serra também", diz Tosto, segundo relato da Polícia Federal. "Agora, virá uma carga do Ministério (do Trabalho) contra Serra. Vão aparecer dossiês", acrescenta o advogado na conversa gravada. O titular do Ministério do Trabalho é Carlos Lupi, pedetista amigão de Paulinho. O modo sindicalista de fazer política é mesmo um espanto.



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