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Beleza Apesar do resultado
exagerado, ou por causa dele,
Segundo os dermatologistas, o aumento de boca é o segundo procedimento mais procurado no consultório só perde para tratamentos anti-rugas. "O mais difícil é controlar os pedidos. Todas querem colocar mais do que deviam", diz Adriana. Muitas conseguem, e tem-se então os deletérios resultados observados no rosto da nada controlada Donatella, 53 anos, com grande vontade de nunca passar dos 20. A estilista italiana é um caso típico de como inflar os lábios pode virar uma espécie de vício: apesar da dor e do preço, elas sempre acabam voltando. Por um preço que varia de 1.000 a 3.000 reais (dependendo do produto), a paciente toma anestesia local e, durante uma hora, submete-se a cerca de dez picadas que injetam em volta dos lábios 1 mililitro (2, para as que não gostam de limites) de um dos preenchedores temporários existentes no mercado. Há preenchimentos com colágeno e com gordura retirada da própria paciente, mas a maioria é feita com produtos à base de ácido hialurônico. Num prazo médio de oito meses, ele é absorvido pelo organismo. Enquanto dura, o ácido ocupa espaço, atrai líquidos e estimula a produção de colágeno, inflando os lábios. A secretária executiva Silmara de Oliveira Freitas, 28 anos, experimentou o ácido hialurônico há três anos. "Nunca tive lábios finos, mas notei que muitas modelos tinham bocão e fiquei com vontade de ter um igual", diz. "Gostei tanto do resultado que, um ano depois, voltei ao consultório para o preenchimento definitivo." Este, feito com uma substância derivada de petróleo chamada polimetilmetacrilato (PMMA), é mais barato e muitíssimo mais arriscado, pela tendência a formar pequenos mas visíveis caroços e pela contradição que cria enquanto o resto do rosto cai, a boca continua ali, inflada e deslocada. Que mulheres comuns queiram ter "boca de modelo" é compreensível, mas por que uma modelo se sente tentada a melhorar o que já é perfeito? "Curiosidade", responde Isabella Fiorentino, 30 anos, um dos rostos mais belos do Brasil. Por causa de um preenchimento definitivo exagerado, feito em 2005, ela já enfrentou duas cirurgias corretivas. "Fiquei com um bocão que não combinava comigo. Também apareceram umas bolinhas no lábio. Passei uns quatro meses esperando diminuir e só então descobri que o produto utilizado tinha sido o polimetilmetacrilato", conta. "Depois de duas cirurgias, acho que ficou bom, mas sinto falta da minha boca de antes, que era mais chique e elegante", lamenta Isabella, tão chique e elegante como sempre, às vesperas de se casar com o empresário Stefano Hawilla. O cirurgião plástico carioca Carlos Fernando Gomes de Almeida diz que já atendeu casos de rostos deformados por causa do polimetilmetacrilato, substância que pode deflagrar processo alérgico e não é recomendada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Mesmo com o preenchimento temporário é preciso cuidado, alerta ele. A sutileza do contorno dos lábios e a harmonia com o resto do rosto são detalhes difíceis de manter. Almeida propõe: "Antes de qualquer coisa, faça um teste. Contorne com lápis um pouco além dos limites naturais, preencha com batom vermelho e avalie o resultado. Em boca e olho, meio milímetro equivale a um quilômetro." O médico é mais liberal com o uso do ácido hialurônico para preencher os sulcos em volta da boca. "Eu mesmo já fiz quatro vezes nos últimos sete anos", diz. Embora não endosse exageros, a dermatologista Adriana Vilarinho também usa os recursos estéticos em proveito próprio: faz preenchimento de lábios com ácido há nove anos, desde os 30, e finaliza com um toque de Botox. "O efeito dura mais e não se formam ruguinhas", explica.
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