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Dinheiro Por que a Inglaterra
é o país que magnatas
Muitos indianos circunspectos, vários russos extravagantes, alguns nórdicos. Ah, sim, aqui e ali tem até alguns ingleses. A lista das maiores fortunas da Grã-Bretanha publicada na semana passada pelo Sunday Times parece um passeio pelas ruas de Londres tem mais estrangeiros do que nativos. Entre os dez mais ricos, apenas dois nasceram na Inglaterra. No topo do ranking está o indiano Lakshmi Mittal, o rei planetário do aço. Ele ocupa pela quarta vez seguida o posto que até 1994 era da rainha Elizabeth, hoje número 264 da lista, num perfeito retrato de como a economia globalizada produziu fortunas sem precedentes. Algumas construídas a partir do nada, como a do norueguês John Fredriksen, filho de metalúrgico e hoje dono da maior frota de petroleiros do mundo, ou a de Roman Abramovich, neto de judeus lituanos deportados durante o stalinismo, órfão de pai e mãe aos 4 anos e um dos gênios que saíram bilionários com o fim do comunismo na antiga URSS. Como essa gente toda foi acabar na Inglaterra? Quem já fez turismo em libras pode até achar que só mesmo sendo milionário para enfrentar os preços locais. Mas a resposta está numa mistura de ambiente altamente propício aos negócios (foi lá que nasceu o capitalismo, lembram-se?), um regime jurídico que não é exatamente apressado quando se trata de averiguar dinheiro de origem estranha e condições tributárias favoráveis. Estas, naturalmente, são o fator que mais pesa quando um milionário resolve se mudar para a eternamente nublada Londres em lugar de uma ilha no Mediterrâneo. Os estrangeiros que se transferem para a Grã-Bretanha podem solicitar o status de "não domiciliado" ao prestar contas à receita. Como tal, pagam impostos apenas sobre o dinheiro que ganham no país. O restante é irrelevante para o fisco, não importa quantos bilhões foram obtidos em minas na Índia ou em negócios altamente encrencados na Rússia. "Ao não considerar essas rendas, a Inglaterra pode ser facilmente comparada a um paraíso fiscal", disse a VEJA o inglês Chris Mills, analista de impostos da consultoria Grant Thornton, em Londres. A lei que vem desde os tempos do império britânico já foi questionada, aqui e ali, por políticos do Partido Trabalhista, mas nunca foi alterada. Além da facilidade para estrangeiros, as próprias alíquotas estão entre as mais favoráveis da União Européia. Entre os domínios da rainha e um país como a França, onde o imposto sobre grandes fortunas pode chegar a até 70%, não é exatamente difícil escolher. A convivência com os estrangeiros ricos pode ser mais complicada ainda do que a com os pobres, embora a escala das reclamações seja diferente os imigrantes poloneses são acusados de "roubar" empregos nas fatias mais modestas do mercado, enquanto se atribuem aos ricaços russos os preços cada vez mais alucinantes dos imóveis de luxo. "Ricos de todo o mundo querem comprar uma casa em Londres, enquanto em Nova York a demanda é principalmente de americanos", compara Liam Bailey, diretor de pesquisas da corretora imobiliária Knight Frank, especializada em mansões. Segundo a empresa, 61% dos imóveis que custam mais de 13 milhões de reais na área central da cidade são adquiridos por estrangeiros. Outra conseqüência da chuva de ricos é a concorrência eletrizante nos leilões de arte. Nos últimos meses, as tradicionais Sothebys e Christies estão alcançando valores inéditos, principalmente em matéria de obras de arte contemporânea e russas. Além de um time de futebol, todo bilionário russo que se preze tem de ter uma coleção de arte. Em setembro, Alisher Usmanov, russo nascido no Uzbequistão, quinto lugar na lista do Sunday Times e manda-chuva do Arsenal, comprou um leilão inteiro com 450 peças de artistas russos. Nada mais causa espanto no país onde um sujeito chamado Roman Abramovich é dono do Chelsea. Agora chamado, de brincadeira, de Chelski.
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