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Cartas
Alimentação equilibrada Excelente a reportagem
"Você é... o que você come" (30
de abril). Concordo que somos o que comemos, que devemos ter
uma dieta equilibrada e nos alimentar de acordo com o ambiente
em que vivemos, com a nossa cultura e genética. Mas nem
todos os brasileiros têm tempo e condições
financeiras para cuidar de sua alimentação corretamente,
variar alimentos e fazer atividades físicas; e nossa
cultura e genética não nos ajudam muito, pois
somos acostumados com comidas gordurosas e em grande quantidade.
Se fôssemos educados para comer corretamente desde pequenos,
não sofreríamos tanto quando nos encontramos com
uns quilinhos a mais. A reportagem está
muito bem redigida, sendo sucinta e responsável em seu
propósito de sugerir um caminho para a alimentação
adequada e saudável. Adorei a matéria e recomendei
a vários pacientes que procurassem lê-la. Os órgãos
do corpo humano feitos de alimentos estão fantásticos. VEJA diz: "Você
é... o que você come". Devorei o texto da
reportagem especial. Foi de grande proveito! Sucinta, objetiva,
clara e gostosa de ler. Fazia tempo não lia uma reportagem
com tanta clareza. Uma ótima idéia
de VEJA abordar esse assunto tão essencial em nossa vida.
Achei muito adequada a parte que fala do cardápio diário
de Gustavo Goose, que serve de exemplo para as pessoas que só
querem comer sanduíche, beber refrigerante etc. Realmente, o chocolate
meio amargo tem uma quantidade um pouco maior de massa de cacau,
e o fato de não existir leite em sua composição
favorece ainda mais a atuação dos flavonóides
no organismo. No entanto, o chocolate meio amargo contém
uma quantidade de gordura saturada até maior que a do
chocolate ao leite comum, contribuindo para aumentar o colesterol
ruim e favorecendo as doenças cardiovasculares. Haja
flavonóides para combater tanta gordura saturada. Uma dieta balanceada
é fundamental para uma vida saudável, mas não
pode virar paranóia. Quando se tem vontade de comer um
hambúrguer, deve-se comer. Não se pode levar uma
dieta balanceada ao extremo. Uma vida saudável também
deve conter os seus prazeres. Notei que as refeições
ou os cardápios dados como exemplo têm pouco pão.
Até na oração do pai-nosso se fala no pão.
E nós, que somos de origem alemã, temos o costume
de comer pão até três vezes por dia. Em
minha família não compramos o pãozinho
francês, feito apenas com farinha de trigo, mas usamos
o pão caseiro, preparado pela dona-de-casa, no qual entra
farelo de trigo ou farinha de centeio. Diz-se que esse pão
é bem mais saudável. Pelo menos nunca trouxe prejuízo
à nossa saúde. A maioria dos obesos
da sociedade brasileira é de baixa renda e não
tem como se alimentar adequadamente. Os próprios pais
fomentam a má alimentação dos filhos tanto
em qualidade como em quantidade. A grande maioria não
se preocupa em ir a um especialista nem procura orientação
sobre uma alimentação apropriada para a manutenção
da boa saúde. Quem ainda não viu, na TV ou em
outros meios de comunicação de massa, pessoas
que declaram estar passando por necessidades, sem fazer uma
refeição diária, mas têm excesso
de peso?
Células-tronco Alguns hipócritas
do catolicismo deveriam perceber o infindável bem que
a utilização de células-tronco embrionárias
traria para a humanidade. Como cientistas já conseguiram
extrair tais células de embriões sem levá-los
à morte, é inexplicável o porquê
de tamanha rejeição às pesquisas. A cura
de doenças que hoje vitimam milhões de pessoas
no mundo seria apenas questão de tempo ("As embrionárias
é que curam", 30 de abril). Se o Supremo Tribunal
Federal permitisse o uso de células embrionárias,
muitas vidas seriam salvas. Com cara feia, o ministro
Carlos Alberto Menezes Direito, do STF, não tem o "direito"
de prejudicar um sem-número de cidadãos brasileiros
que aguardam, há muito, a liberação do
uso de células-tronco embrionárias. Seja honrado,
senhor ministro Direito, e faça com rapidez o que se
espera! É correta a
posição da revista quando afirma que o ministro
do STF Carlos Alberto Menezes Direito vota como quiser, mas
sua independência e sua autoridade não são
ilimitadas, permitindo-lhe abusar da angústia e do desespero
das pessoas doentes. Até quando vai perdurar essa indiferença?
Edmund Phelps Embora Edmund Phelps
tenha ganhado o Prêmio Nobel de Economia, ele prova que
não é necessário ser um profundo conhecedor
dos problemas brasileiros para compreender que nossa legislação
trabalhista ajuda a emperrar o dinamismo do desenvolvimento,
da inovação! É uma pena que nós,
por meio de representantes democraticamente eleitos, continuemos
a perpetuar os erros de um passado cada vez mais distante (Amarelas,
30 de abril). Ótima entrevista.
Espero que os economistas brasileiros, do Banco Central e dos
ministérios da Fazenda e do Planejamento, possam ver
o buraco negro em que estamos, com reservas em dólar
americano e dívida interna em real com juros na estratosfera.
O etanol brasileiro Oportuna, esclarecedora
e com belos gráficos a reportagem sobre o etanol ("Ele
é o falso vilão", 30 de abril). O próprio
secretário da ONU afirmou que não há nada
contra o etanol do Brasil: é a produção
americana de biocombustível que contribui para a alta
no preço dos grãos, não o etanol de cana.
O iraniano Abbassian, economista da FAO há dezessete
anos, também disse, em entrevista a um jornal brasileiro,
que "não temos nada contra o etanol brasileiro".
Não se esqueçam de que, segundo dados apresentados
na Conferência Internacional de Agroenergia (Londrina,
dezembro de 2006), o balanço energético é
positivo no caso da cana e negativo no caso do milho. Essa campanha contra
o etanol, notadamente o de cana-de-açúcar do Brasil,
não é um fato isolado. A declaração
do suíço Jean Ziegler de que "a produção
de biocombustíveis é crime contra a humanidade,
reforçada por Robert Zoellick", faz parte de uma
bem orquestrada operação para detonar o etanol
de cana, com o apoio das grandes petroleiras mundiais, que se
sentem ameaçadas pelos biocombustíveis. A cada
vez maior eficiência brasileira na produção
do etanol, aliada às pesquisas com a hidrólise
celulósica, fará com que as pressões sobre
o energético aumentem cada vez mais. O etanol brasileiro
apresenta grande vantagem em relação ao produzido
nos Estados Unidos. Com uma unidade de energia fóssil
reproduzimos nove de energia verde. Em outros países,
essa relação não chega a um para três.
A produção de energia verde e a escassez de alimentos
estão empanando uma questão maior, que é
o aquecimento global. Essa deveria ser a preocupação
dominante no mundo.
Roraima Excelente a reportagem
"Reserva de insensatez" (30 abril), que retrata magistralmente
a falta de compromisso desse governo entreguista com Roraima.
Sinto-me indignada com tamanho desrespeito para com as famílias
de trabalhadores que tanto contribuíram para o desenvolvimento
dessa terra, como o senhor Joaquim Corrêa de Melo e seu
filho Mário Corrêa, desalojados de suas propriedades
legalmente adquiridas há tantos anos por seus antepassados
e que estão ocupadas por religiosos e ONGs com interesses
obscuros na região. A fazenda do senhor Joaquim abriga
um paradisíaco ponto turístico, o Lago do Caracaranã,
onde várias gerações de roraimenses usufruíram
sua beleza e dedicação da família. O acesso
hoje é restrito aos índios e a seus pretensos
protetores. Expulsos de sua casa, esses desbravadores recebem
quantias ridículas como indenização. É
muito abuso! Espero que a decisão da Justiça mude
essa situação. Será que ninguém
ainda se perguntou qual o motivo de tanto interesse por aquela
área, a ponto de retirar arrozeiros estabelecidos ali
há décadas? Não se duvida do direito dos
indígenas, embora seja questionável entregar 17 000
quilômetros quadrados a somente 19 000 índios.
Parece-nos que existem interesses escusos. Aquela região
fronteiriça é propícia ao tráfico
de drogas, de pedras preciosas e de gasolina (que custa 7 centavos
de real na Venezuela), além da biopirataria. Todos sabem
disso. O mais lamentável é que tudo isso tem o
aval irrestrito do governo. Desde já, o Brasil deve profundos
agradecimentos ao general Augusto Heleno. Com tanto trabalho
a realizar numa extensão de terra superior a vários
países, o comandante militar da Amazônia vai ao
Congresso explicar, "mais uma vez", por que a reserva
Raposa Serra do Sol é ameaça à paz e à
segurança. Senhores congressistas, vejam um vizinho de
fronteira da Raposa Serra do Sol: a Venezuela. Entenderam? É
um despautério! Produtores rurais da região desde
o século XIX são cidadãos brasileiros que
merecem respeito. Ou o defensor das Farc vai administrar a região?
Ciro Gomes Ciro Gomes, o eterno
candidato a presidente da República, deu um nome significativo
àquilo que, segundo ele, acontece quando não ganha
uma eleição: conspiração. Apesar
de vir disputando eleições presidenciais desde
1998, as teorias conspiratórias das elites e da imprensa
são as culpadas por seus fracassos nas urnas. Mesmo tendo
chamado um eleitor de burro, brigado com jornalistas e destratado
empresários, ele, segundo pesquisas, tem mais de 20%
das intenções de voto em todos os cenários
possíveis. Para essa conspiração só
existe uma explicação: enquanto houver capim,
os burros não acabam ("Teoria da conspiração",
30 de abril). Ciro Gomes vive em
devaneios. Tudo para ele é conspiração.
Agora apareceu na mídia novamente para dizer asneira,
que Severino Cavalcanti Mensalinho foi presidente da Câmara
para aplicar um golpe no presidente Lula. Será que ele
não tinha outra pessoa com mais credibilidade? Ciro Gomes
fala da elite como se de fato não pertencesse a ela.
Fala muito da elite de São Paulo, como se ele nunca tivesse
precisado de São Paulo. Isso se chama amor à rejeição.
Preciso dele, mas não gosto dele. Não é
chamando eleitor de burro que ele vai chegar aonde está
querendo. O senhor Ciro Gomes
sempre acha que sabe das coisas. Aqui em minha cidade, Ribeirão
Bonito, nas últimas eleições municipais,
ele apoiou um candidato de seu partido na época (PPS).
Em uma gravação de áudio, disse que conhecia
o candidato que estava apoiando e que seria a melhor opção
para a cidade. O tal candidato, Rubens Gayoso Junior, foi eleito.
Conclusão: foi cassado recentemente pela Câmara
dos Vereadores por improbidade administrativa. Paralelamente
a isso, responde no Ministério Público Estadual
a três ações civis públicas por improbidade
administrativa. Esse Ciro sabe tudo, realmente!
Caso Isabella Parabéns a
VEJA pela reportagem "Ainda mais acuados" (30 de abril),
por mostrar com muita seriedade as constatações
sobre o caso Isabella. É difícil de acreditar
que o casal ainda tente omitir a verdade diante de todas as
provas colhidas até agora contra eles. Esperamos que,
ao menos nesse caso, haja justiça, pois quantas Isabellas
indefesas ainda terão de morrer sem a punição
dos responsáveis? Não existem
palavras que definam o comportamento doentio de Alexandre Nardoni
e Anna Carolina Jatobá. Toda a encenação
pós-crime com participação coadjuvante
de seus familiares foi absolutamente imbecil, digna de uma novela
mexicana, com requintes de crueldade. Merecem apodrecer na cadeia,
para o bem da sociedade e, principalmente, de seus filhos. A voz embargada do
casal Nardoni, a postura de família feliz, as descrições
do dia-a-dia da família, relatadas pelo casal, só
nos fazem sentir mais repugnância. Caso fique comprovado
o envolvimento de ambos na morte da menina, teremos a certeza
de que estávamos diante de dois monstros frios e covardes.
A impunidade está chegando ao fim para os dois. Fico perplexa diante
da defesa do pai do acusado Alexandre. Nem parece que a vítima era
sua netinha. A indiferença sobre a morte da menina
é surpreendente, até as provas contundentes
que a polícia tem tornado públicas não o
fazem repensar o ato bárbaro que abalou todo o país.
Que avô é esse? Como designar o ato
de o pai matar a própria filha? Acredito que o país
inteiro quer justiça, mas qualquer pena é pouco para
esse crime.
Lya Luft Lya Luft, com sua
extrema sensibilidade, captou o que todos nós sentimos
ao ver o vídeo com as imagens dos fatos que ocorreram
logo após o assassinato de Isabela: a ausência
de alguém "que a cobrisse de beijos e que a regasse
de lágrimas". Lya falou por todos nós. Obrigada
("Menina quase morta, sozinha", Ponto de vista, 30
de abril). Fiquei impressionado
com a sua capacidade de revelar a história da perspectiva
de quem sofreu, de quem morreu... sozinha! Finalmente alguém
do seu calibre tem a coragem de propor a prisão perpétua
para assassinos frios que sabem da impunidade. Finalmente
alguém questiona a "ressocialização"
de criminosos extremamente violentos. Penso que não se
trata apenas de "punir" os atos bárbaros de
criminosos, mas de proteger a sociedade dos monstros que andam
por aí. Durante o mês
que transcorreu desde a morte da pequena Isabella, não
havia ouvido ou lido nada que expressasse com tanto sentimento
o fato em si como esse artigo de Lya Luft. Nós, espectadores,
mudamos os canais da televisão procurando novidades
sobre o caso. Estamos adorando ver a atuação da
polícia técnica (muitos de nós nunca haviam
ouvido falar nisso), conversamos nas nossas rodas de amigos
sobre o assunto, e mais nada. Gostamos do circo. Daqui a algum
tempo já teremos esquecido esse caso. Será mais
um. Mas as palavras da Lya ecoaram fundo. A menina ficou sozinha.
Em nenhum momento alguém a pegou no colo e saiu desesperado,
correndo, chorando. Ela ficou lá, esperando a perícia,
a polícia, os fotógrafos, a curiosidade. Agonizando.
Comovente e preciso
o Ponto de vista de Lya Luft. Só mesmo o talento de uma
escritora como ela para restituir ao caso do assassinato da
menina Isabella o que ele possui de trágico, de bárbaro
e, no entanto, de tão humano. Aliás, aproveito
para cumprimentar VEJA pela cobertura sensível e sensata
que tem feito. Quero, no entanto, ressaltar um ponto que considero
de grande importância. Em dado momento, a autora questiona
se quem cometeu essa bestialidade terá seu merecido castigo
neste país das impunidades e das leis atrasadas e frouxas.
Esse é um questionamento que, a meu ver, deveria estar
no centro do debate político atual. No Brasil, que vive
sob a égide de uma legislação penal obsoleta,
a impunidade é um mal. Penso, e já defendi diversas
vezes isso na Assembléia Legislativa de Pernambuco, que
a reforma do direito penal brasileiro é tão ou
mais urgente do que as outras reformas prometidas e nunca concretizadas.
Enquanto não levarmos a sério e a termo o problema,
sobre as tragédias como a de Isabella sempre há
de pairar a dúvida de que a justiça será
feita. E isso é tão bárbaro quanto esse
crime que chocou todo o país. Solucei ao ler as
palavras de Lya Luft, descrevendo Isabella caída naquele
jardim, sua pequena alma atônita e assombrada, no escuro,
ainda presa ao seu corpinho e sem ninguém para abraçá-la,
cobri-la de beijos e em agonia gritar, urrar por socorro. Lya
me fez chorar e pedir a Deus que os assassinos sejam logo condenados
e paguem por tanto mal feito a um pequeno anjo.
Cotas de programas nacionais Parabéns, VEJA,
pela reportagem "Querem invadir sua série"
(30 de abril). É impressionante como nossos governantes
uma vez ou outra têm rompantes de autoritarismo e tentam
controlar os meios de comunicação. Vide Ancinav
e agora esse absurdo que é o PL 29. Houve uma época
em que as rádios também eram obrigadas a tocar
determinado número de músicas brasileiras na programação.
Claro que é importante incentivar a produção
nacional e ter, tanto na TV quanto no cinema, títulos
de qualidade. Mas é um absurdo querer interromper a transmissão
da CNN para a inclusão de conteúdo local! Se eu
pago pelo pacote de canais internacionais é porque quero
ter acesso a conteúdos internacionais. Espero que os
parlamentares que votarão o projeto tenham a sensibilidade
de perceber o atentado à liberdade de expressão
que ele representa e que essa aberração nunca
seja aprovada. Cota é a mais
sincera forma de preconceito. A exemplo das cotas para negros
nas universidades e para deficientes nas empresas, a imposição
de cotas de conteúdo nacional na TV paga demonstra quão
pequeno é este país, que necessita lançar
mão da obrigatoriedade para mostrar que pode produzir
televisão. É um verdadeiro
despautério o PL 29. O jornalista Marcelo Marthe discorreu
sobre o assunto com muita lucidez, porém focado apenas
na imposição das cotas de conteúdo nacional.
O projeto traz uma série de outras imposições,
absurdas da mesma forma, como a transmissão obrigatória
de canais públicos, venda casada de canais, novos tributos
e, o que é pior, a interferência direta da Ancine
para regulamentar e fiscalizar o empacotamento da programação.
Não é possível que esse senhor, Jorge Bittar,
queira interferir tanto assim no mercado alheio protegendo claramente
alguns setores e prejudicando sumariamente outros.
Tecnologia Muito interessante
a reportagem sobre os microprojetores ("Qualquer parede
vira tela", 30 de abril). A possibilidade de exibir as
imagens das minúsculas telas dos aparelhos portáteis
em qualquer parede sem com isso abrir mão de seu tamanho
diminuto e de sua convergência é instigante. Tomara
que a tecnologia pegue e torne os preços acessíveis
a todos. Parabéns pela reportagem.
Paraguai Vejo com bons olhos
a eventual revisão do Tratado de Itaipu, pois será
possível abrir as contas da hidrelétrica e verificar
como ela está gastando seu milionário orçamento
mensal. É grande a probabilidade de o governo paraguaio
ajudar não somente seu povo, mas também o povo
brasileiro, com uma maior transparência nos gastos da
binacional. A Itaipu é uma das maiores financiadoras
da politicagem brasileira, e nós temos de torcer pela
revisão de Lugo e pela transparência da mesma ("Vitória
do hidropopulismo", 30 de abril).
J.R. Guzzo Sábias as palavras
do colunista J.R. Guz-zo ("O arco da fome", 30 de
abril). Real-mente, é compreensível que cause
alvoroço quando um país que vive eternamente em
estado passivo em relação às diretrizes
da economia internacional "subitamente" comece a alçar
vôo rumo, digamos, a uma ínfima parcela de importância
na economia mundial. Esse país é o Brasil, o mais
novo alvo das atenções da mídia internacional,
não pela corrupção, muito menos pela alta
criminalidade ou por outro "probleminha banal", mas
sim por estar contribuindo para o aumento da fome no mundo,
devido à produção do etanol. Nossa! Algo
de muito estranho está acontecendo.
Justiça A recente prisão do
advogado paulista Ricardo Tosto ("Tosto foi tostado",
30 de abril), acusado de engendrar fraudes milionárias no
BNDES, expôs com muita clareza quanto o
estado brasileiro ainda precisa se esforçar
para ingressar no time dos países que respeitam
e fazem valer os direitos humanos. Ora, em qualquer lugar
civilizado o cidadão goza das prerrogativas
de não se auto-incriminar, de ver protegida a sua imagem
e de jamais ser considerado culpado sem o acesso ao devido processo
legal. Aqui, pelo visto, não. O que dizer, afinal,
do uso de algemas quando não há resistência
à prisão? O que dizer de mandados de busca e apreensão
genéricos, executados de tal forma a impedir, não
raras vezes, o normal exercício profissional, pouco interessando
a garantia de sigilo na relação entre advogado
e cliente? O que dizer de interrogatórios que
se arrastam horas a fio? É importante que a polícia
cumpra o seu papel, mas dentro da razoabilidade. Nada, afinal,
traz de volta o patrimônio íntimo atirado
no lamaçal da desmoralização.
Contexto Ao ler a matéria
"E a Justiça Eleitoral, não faz nada?"
(Contexto, 30 de abril), descobre-se facilmente por que as nossas
leis são feitas para o acobertamento do político
da ocasião. Ao estabelecer a multa por crime de propaganda
extemporânea, a mesma lei não impede que o infrator
registre a sua candidatura mesmo estando inadimplente com o
pagamento. E, ao final, o prêmio pela afronta à
legislação é ser eleito posto que
ele fez campanha durante mais tempo e, uma vez no leme
e sob o escudo do poder, dispor dos recursos públicos
para solver a pendência. Muito prático!
Roberto Pompeu de Toledo Quem dera nossos diplomatas
tenham lido o ensaio "Recuerdos de Ypacarai" (30 de
abril). O autor sintetizou as questões que devem ter
relevância no relacionamento Brasil-Paraguai. Para nós,
da Tríplice Fronteira, os mais graves são o tráfico
de drogas e o contrabando.
Correções: ao contrário do que informou a nota "O maior porta-aviões do mundo" (30 de abril), o porta-aviões americano USS George Washington CVN-73 tem 257 pés (78,34 metros) de largura. O produto Digital Skipping Rope, da Reebok, a que se refere o Guia "Ginástica: sem esforço, não dá" (30 de abril), custa R$ 65,00, e não R$ 30,00.
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