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Edição 2059

7 de maio de 2008
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Cartas

"VEJA mais uma vez contribui para a saúde do brasileiro. A alimentação equilibrada é o segredo para uma vida muito mais saudável."
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

Alimentação equilibrada

Excelente a reportagem "Você é... o que você come" (30 de abril). Concordo que somos o que comemos, que devemos ter uma dieta equilibrada e nos alimentar de acordo com o ambiente em que vivemos, com a nossa cultura e genética. Mas nem todos os brasileiros têm tempo e condições financeiras para cuidar de sua alimentação corretamente, variar alimentos e fazer atividades físicas; e nossa cultura e genética não nos ajudam muito, pois somos acostumados com comidas gordurosas e em grande quantidade. Se fôssemos educados para comer corretamente desde pequenos, não sofreríamos tanto quando nos encontramos com uns quilinhos a mais.
Anna Carolina da Costa Silva
Manaus, AM

A reportagem está muito bem redigida, sendo sucinta e responsável em seu propósito de sugerir um caminho para a alimentação adequada e saudável. Adorei a matéria e recomendei a vários pacientes que procurassem lê-la. Os órgãos do corpo humano feitos de alimentos estão fantásticos.
Juliana Saldanha
Nutricionista clínica
Por e-mail

VEJA diz: "Você é... o que você come". Devorei o texto da reportagem especial. Foi de grande proveito!
Renata Pereira
Manaus, AM

Sucinta, objetiva, clara e gostosa de ler. Fazia tempo não lia uma reportagem com tanta clareza.
Alfredo César de Souza
São Paulo, SP

Uma ótima idéia de VEJA abordar esse assunto tão essencial em nossa vida. Achei muito adequada a parte que fala do cardápio diário de Gustavo Goose, que serve de exemplo para as pessoas que só querem comer sanduíche, beber refrigerante etc.
Lucas Assis
Por e-mail

Realmente, o chocolate meio amargo tem uma quantidade um pouco maior de massa de cacau, e o fato de não existir leite em sua composição favorece ainda mais a atuação dos flavonóides no organismo. No entanto, o chocolate meio amargo contém uma quantidade de gordura saturada até maior que a do chocolate ao leite comum, contribuindo para aumentar o colesterol ruim e favorecendo as doenças cardiovasculares. Haja flavonóides para combater tanta gordura saturada.
Tamara C.M. Aragão
Nutricionista
Brasília, DF

Uma dieta balanceada é fundamental para uma vida saudável, mas não pode virar paranóia. Quando se tem vontade de comer um hambúrguer, deve-se comer. Não se pode levar uma dieta balanceada ao extremo. Uma vida saudável também deve conter os seus prazeres.
Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Campos dos Goytacazes, RJ

Notei que as refeições ou os cardápios dados como exemplo têm pouco pão. Até na oração do pai-nosso se fala no pão. E nós, que somos de origem alemã, temos o costume de comer pão até três vezes por dia. Em minha família não compramos o pãozinho francês, feito apenas com farinha de trigo, mas usamos o pão caseiro, preparado pela dona-de-casa, no qual entra farelo de trigo ou farinha de centeio. Diz-se que esse pão é bem mais saudável. Pelo menos nunca trouxe prejuízo à nossa saúde.
Lidia e Georg Fuchs
Belo Horizonte, MG

A maioria dos obesos da sociedade brasileira é de baixa renda e não tem como se alimentar adequadamente. Os próprios pais fomentam a má alimentação dos filhos tanto em qualidade como em quantidade. A grande maioria não se preocupa em ir a um especialista nem procura orientação sobre uma alimentação apropriada para a manutenção da boa saúde. Quem ainda não viu, na TV ou em outros meios de comunicação de massa, pessoas que declaram estar passando por necessidades, sem fazer uma refeição diária, mas têm excesso de peso?
Diógenes Pereira da Silva
Uberlândia, MG

 

Células-tronco

Alguns hipócritas do catolicismo deveriam perceber o infindável bem que a utilização de células-tronco embrionárias traria para a humanidade. Como cientistas já conseguiram extrair tais células de embriões sem levá-los à morte, é inexplicável o porquê de tamanha rejeição às pesquisas. A cura de doenças que hoje vitimam milhões de pessoas no mundo seria apenas questão de tempo ("As embrionárias é que curam", 30 de abril).
José Mendes Mesquita Neto
Teresina, PI

Se o Supremo Tribunal Federal permitisse o uso de células embrionárias, muitas vidas seriam salvas.
Lucimara Lima Monção
Montes Claros, MG

Com cara feia, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do STF, não tem o "direito" de prejudicar um sem-número de cidadãos brasileiros que aguardam, há muito, a liberação do uso de células-tronco embrionárias. Seja honrado, senhor ministro Direito, e faça com rapidez o que se espera!
Edivelton Tadeu Mendes
São Paulo, SP

É correta a posição da revista quando afirma que o ministro do STF Carlos Alberto Menezes Direito vota como quiser, mas sua independência e sua autoridade não são ilimitadas, permitindo-lhe abusar da angústia e do desespero das pessoas doentes. Até quando vai perdurar essa indiferença?
Adib Miguel Eid
São Paulo, SP

 

Edmund Phelps

Embora Edmund Phelps tenha ganhado o Prêmio Nobel de Economia, ele prova que não é necessário ser um profundo conhecedor dos problemas brasileiros para compreender que nossa legislação trabalhista ajuda a emperrar o dinamismo do desenvolvimento, da inovação! É uma pena que nós, por meio de representantes democraticamente eleitos, continuemos a perpetuar os erros de um passado cada vez mais distante (Amarelas, 30 de abril).
Mateus Alexandre Castanho
Brasília, DF

Ótima entrevista. Espero que os economistas brasileiros, do Banco Central e dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, possam ver o buraco negro em que estamos, com reservas em dólar americano e dívida interna em real com juros na estratosfera.
Nabil Kardous
Rio de Janeiro, RJ

 

O etanol brasileiro

Oportuna, esclarecedora e com belos gráficos a reportagem sobre o etanol ("Ele é o falso vilão", 30 de abril). O próprio secretário da ONU afirmou que não há nada contra o etanol do Brasil: é a produção americana de biocombustível que contribui para a alta no preço dos grãos, não o etanol de cana. O iraniano Abbassian, economista da FAO há dezessete anos, também disse, em entrevista a um jornal brasileiro, que "não temos nada contra o etanol brasileiro". Não se esqueçam de que, segundo dados apresentados na Conferência Internacional de Agroenergia (Londrina, dezembro de 2006), o balanço energético é positivo no caso da cana e negativo no caso do milho.
Francisco E. Lapido-Loureiro
Rio de Janeiro, RJ

Essa campanha contra o etanol, notadamente o de cana-de-açúcar do Brasil, não é um fato isolado. A declaração do suíço Jean Ziegler de que "a produção de biocombustíveis é crime contra a humanidade, reforçada por Robert Zoellick", faz parte de uma bem orquestrada operação para detonar o etanol de cana, com o apoio das grandes petroleiras mundiais, que se sentem ameaçadas pelos biocombustíveis. A cada vez maior eficiência brasileira na produção do etanol, aliada às pesquisas com a hidrólise celulósica, fará com que as pressões sobre o energético aumentem cada vez mais.
Humberto Viana Guimarães
Salvador, BA

O etanol brasileiro apresenta grande vantagem em relação ao produzido nos Estados Unidos. Com uma unidade de energia fóssil reproduzimos nove de energia verde. Em outros países, essa relação não chega a um para três. A produção de energia verde e a escassez de alimentos estão empanando uma questão maior, que é o aquecimento global. Essa deveria ser a preocupação dominante no mundo.
Manuel Souza Neto
Fortaleza, CE

 

Roraima

Excelente a reportagem "Reserva de insensatez" (30 abril), que retrata magistralmente a falta de compromisso desse governo entreguista com Roraima. Sinto-me indignada com tamanho desrespeito para com as famílias de trabalhadores que tanto contribuíram para o desenvolvimento dessa terra, como o senhor Joaquim Corrêa de Melo e seu filho Mário Corrêa, desalojados de suas propriedades legalmente adquiridas há tantos anos por seus antepassados e que estão ocupadas por religiosos e ONGs com interesses obscuros na região. A fazenda do senhor Joaquim abriga um paradisíaco ponto turístico, o Lago do Caracaranã, onde várias gerações de roraimenses usufruíram sua beleza e dedicação da família. O acesso hoje é restrito aos índios e a seus pretensos protetores. Expulsos de sua casa, esses desbravadores recebem quantias ridículas como indenização. É muito abuso! Espero que a decisão da Justiça mude essa situação.
Janete Araújo Gomes
Boa Vista, RR

Será que ninguém ainda se perguntou qual o motivo de tanto interesse por aquela área, a ponto de retirar arrozeiros estabelecidos ali há décadas? Não se duvida do direito dos indígenas, embora seja questionável entregar 17 000 quilômetros quadrados a somente 19 000 índios. Parece-nos que existem interesses escusos. Aquela região fronteiriça é propícia ao tráfico de drogas, de pedras preciosas e de gasolina (que custa 7 centavos de real na Venezuela), além da biopirataria. Todos sabem disso. O mais lamentável é que tudo isso tem o aval irrestrito do governo. Desde já, o Brasil deve profundos agradecimentos ao general Augusto Heleno.
Anderson Almeida
Brasília, DF

Com tanto trabalho a realizar numa extensão de terra superior a vários países, o comandante militar da Amazônia vai ao Congresso explicar, "mais uma vez", por que a reserva Raposa Serra do Sol é ameaça à paz e à segurança. Senhores congressistas, vejam um vizinho de fronteira da Raposa Serra do Sol: a Venezuela. Entenderam? É um despautério! Produtores rurais da região desde o século XIX são cidadãos brasileiros que merecem respeito. Ou o defensor das Farc vai administrar a região?
Lílian Glauce Rossi
Bela Vista de Goiás, GO

 

Ciro Gomes

Ciro Gomes, o eterno candidato a presidente da República, deu um nome significativo àquilo que, segundo ele, acontece quando não ganha uma eleição: conspiração. Apesar de vir disputando eleições presidenciais desde 1998, as teorias conspiratórias das elites e da imprensa são as culpadas por seus fracassos nas urnas. Mesmo tendo chamado um eleitor de burro, brigado com jornalistas e destratado empresários, ele, segundo pesquisas, tem mais de 20% das intenções de voto em todos os cenários possíveis. Para essa conspiração só existe uma explicação: enquanto houver capim, os burros não acabam ("Teoria da conspiração", 30 de abril).
Izabel Avallone
São Paulo, SP

Ciro Gomes vive em devaneios. Tudo para ele é conspiração. Agora apareceu na mídia novamente para dizer asneira, que Severino Cavalcanti Mensalinho foi presidente da Câmara para aplicar um golpe no presidente Lula. Será que ele não tinha outra pessoa com mais credibilidade? Ciro Gomes fala da elite como se de fato não pertencesse a ela. Fala muito da elite de São Paulo, como se ele nunca tivesse precisado de São Paulo. Isso se chama amor à rejeição. Preciso dele, mas não gosto dele. Não é chamando eleitor de burro que ele vai chegar aonde está querendo.
Luiz Buzetti Filho
Paranaíba, MS

O senhor Ciro Gomes sempre acha que sabe das coisas. Aqui em minha cidade, Ribeirão Bonito, nas últimas eleições municipais, ele apoiou um candidato de seu partido na época (PPS). Em uma gravação de áudio, disse que conhecia o candidato que estava apoiando e que seria a melhor opção para a cidade. O tal candidato, Rubens Gayoso Junior, foi eleito. Conclusão: foi cassado recentemente pela Câmara dos Vereadores por improbidade administrativa. Paralelamente a isso, responde no Ministério Público Estadual a três ações civis públicas por improbidade administrativa. Esse Ciro sabe tudo, realmente!
Pedro Sergio Ronco
Ribeirão Bonito, SP

 

Caso Isabella

Parabéns a VEJA pela reportagem "Ainda mais acuados" (30 de abril), por mostrar com muita seriedade as constatações sobre o caso Isabella. É difícil de acreditar que o casal ainda tente omitir a verdade diante de todas as provas colhidas até agora contra eles. Esperamos que, ao menos nesse caso, haja justiça, pois quantas Isabellas indefesas ainda terão de morrer sem a punição dos responsáveis?
Amanda Ciorlin, Henrique Almeida e Livea Lorena Carvalho
Nova Esperança, PR

Não existem palavras que definam o comportamento doentio de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Toda a encenação pós-crime com participação coadjuvante de seus familiares foi absolutamente imbecil, digna de uma novela mexicana, com requintes de crueldade. Merecem apodrecer na cadeia, para o bem da sociedade e, principalmente, de seus filhos.
Tiana Amorim Andrade
Itabuna, BA

A voz embargada do casal Nardoni, a postura de família feliz, as descrições do dia-a-dia da família, relatadas pelo casal, só nos fazem sentir mais repugnância. Caso fique comprovado o envolvimento de ambos na morte da menina, teremos a certeza de que estávamos diante de dois monstros frios e covardes. A  impunidade está chegando ao fim para os dois.
Rafael N. Pinto
Campinas, SP

Fico perplexa diante da defesa do pai do acusado Alexandre. Nem parece que a vítima era sua netinha. A indiferença sobre a morte da menina é surpreendente, até as provas contundentes que a polícia tem tornado públicas não o fazem repensar o ato bárbaro que abalou todo o país. Que avô é esse?
Rejane de Oliveira Barros
João Pessoa, PB

Como designar o ato de o pai matar a própria filha? Acredito que o país inteiro quer justiça, mas qualquer pena é pouco para esse crime.
João Elias Chami
Londrina, PR

 

Lya Luft

Lya Luft, com sua extrema sensibilidade, captou o que todos nós sentimos ao ver o vídeo com as imagens dos fatos que ocorreram logo após o assassinato de Isabela: a ausência de alguém "que a cobrisse de beijos e que a regasse de lágrimas". Lya falou por todos nós. Obrigada ("Menina quase morta, sozinha", Ponto de vista, 30 de abril).
Vera Elisabeth Zahar de Souza
Presidente Prudente, SP

Fiquei impressionado com a sua capacidade de revelar a história da perspectiva de quem sofreu, de quem morreu... sozinha! Finalmente alguém do seu calibre tem a coragem de propor a prisão perpétua para assassinos frios que sabem da impunidade. Finalmente alguém questiona a "ressocialização" de criminosos extremamente violentos. Penso que não se trata apenas de "punir" os atos bárbaros de criminosos, mas de proteger a sociedade dos monstros que andam por aí.
Flávio Fachinelli
Bento Gonçalves, RS

Durante o mês que transcorreu desde a morte da pequena Isabella, não havia ouvido ou lido nada que expressasse com tanto sentimento o fato em si como esse artigo de Lya Luft. Nós, espectadores, mudamos os canais da televisão procurando novidades sobre o caso. Estamos adorando ver a atuação da polícia técnica (muitos de nós nunca haviam ouvido falar nisso), conversamos nas nossas rodas de amigos sobre o assunto, e mais nada. Gostamos do circo. Daqui a algum tempo já teremos esquecido esse caso. Será mais um. Mas as palavras da Lya ecoaram fundo. A menina ficou sozinha. Em nenhum momento alguém a pegou no colo e saiu desesperado, correndo, chorando. Ela ficou lá, esperando a perícia, a polícia, os fotógrafos, a curiosidade. Agonizando.
Tânia Dian
Cachoeiro de Itapemirim, ES

Comovente e preciso o Ponto de vista de Lya Luft. Só mesmo o talento de uma escritora como ela para restituir ao caso do assassinato da menina Isabella o que ele possui de trágico, de bárbaro e, no entanto, de tão humano. Aliás, aproveito para cumprimentar VEJA pela cobertura sensível e sensata que tem feito. Quero, no entanto, ressaltar um ponto que considero de grande importância. Em dado momento, a autora questiona se quem cometeu essa bestialidade terá seu merecido castigo neste país das impunidades e das leis atrasadas e frouxas. Esse é um questionamento que, a meu ver, deveria estar no centro do debate político atual. No Brasil, que vive sob a égide de uma legislação penal obsoleta, a impunidade é um mal. Penso, e já defendi diversas vezes isso na Assembléia Legislativa de Pernambuco, que a reforma do direito penal brasileiro é tão ou mais urgente do que as outras reformas prometidas e nunca concretizadas. Enquanto não levarmos a sério e a termo o problema, sobre as tragédias como a de Isabella sempre há de pairar a dúvida de que a justiça será feita. E isso é tão bárbaro quanto esse crime que chocou todo o país.
Augusto Coutinho
Líder dos Democratas na Assembléia Legislativa de Pernambuco
Recife, PE

Solucei ao ler as palavras de Lya Luft, descrevendo Isabella caída naquele jardim, sua pequena alma atônita e assombrada, no escuro, ainda presa ao seu corpinho e sem ninguém para abraçá-la, cobri-la de beijos e em agonia gritar, urrar por socorro. Lya me fez chorar e pedir a Deus que os assassinos sejam logo condenados e paguem por tanto mal feito a um pequeno anjo.
Nilce Manzi
Bebedouro, SP

 

Cotas de programas nacionais

Parabéns, VEJA, pela reportagem "Querem invadir sua série" (30 de abril). É impressionante como nossos governantes uma vez ou outra têm rompantes de autoritarismo e tentam controlar os meios de comunicação. Vide Ancinav e agora esse absurdo que é o PL 29. Houve uma época em que as rádios também eram obrigadas a tocar determinado número de músicas brasileiras na programação. Claro que é importante incentivar a produção nacional e ter, tanto na TV quanto no cinema, títulos de qualidade. Mas é um absurdo querer interromper a transmissão da CNN para a inclusão de conteúdo local! Se eu pago pelo pacote de canais internacionais é porque quero ter acesso a conteúdos internacionais. Espero que os parlamentares que votarão o projeto tenham a sensibilidade de perceber o atentado à liberdade de expressão que ele representa e que essa aberração nunca seja aprovada.
Eliana Paschoalin
São Paulo, SP

Cota é a mais sincera forma de preconceito. A exemplo das cotas para negros nas universidades e para deficientes nas empresas, a imposição de cotas de conteúdo nacional na TV paga demonstra quão pequeno é este país, que necessita lançar mão da obrigatoriedade para mostrar que pode produzir televisão.
Fabio Cruz
São José dos Campos, SP

É um verdadeiro despautério o PL 29. O jornalista Marcelo Marthe discorreu sobre o assunto com muita lucidez, porém focado apenas na imposição das cotas de conteúdo nacional. O projeto traz uma série de outras imposições, absurdas da mesma forma, como a transmissão obrigatória de canais públicos, venda casada de canais, novos tributos e, o que é pior, a interferência direta da Ancine para regulamentar e fiscalizar o empacotamento da programação. Não é possível que esse senhor, Jorge Bittar, queira interferir tanto assim no mercado alheio protegendo claramente alguns setores e prejudicando sumariamente outros.
Jussara Sacomanne
Por e-mail

 

Tecnologia

Muito interessante a reportagem sobre os microprojetores ("Qualquer parede vira tela", 30 de abril). A possibilidade de exibir as imagens das minúsculas telas dos aparelhos portáteis em qualquer parede sem com isso abrir mão de seu tamanho diminuto e de sua convergência é instigante. Tomara que a tecnologia pegue e torne os preços acessíveis a todos. Parabéns pela reportagem.
Luiz Fernando Natal
Jacarezinho, PR

 

Paraguai

Vejo com bons olhos a eventual revisão do Tratado de Itaipu, pois será possível abrir as contas da hidrelétrica e verificar como ela está gastando seu milionário orçamento mensal. É grande a probabilidade de o governo paraguaio ajudar não somente seu povo, mas também o povo brasileiro, com uma maior transparência nos gastos da binacional. A Itaipu é uma das maiores financiadoras da politicagem brasileira, e nós temos de torcer pela revisão de Lugo e pela transparência da mesma ("Vitória do hidropopulismo", 30 de abril).
Vanderlei Luiz Ferri
Foz do Iguaçu, PR

 

J.R. Guzzo

Sábias as palavras do colunista J.R. Guz-zo ("O arco da fome", 30 de abril). Real-mente, é compreensível que cause alvoroço quando um país que vive eternamente em estado passivo em relação às diretrizes da economia internacional "subitamente" comece a alçar vôo rumo, digamos, a uma ínfima parcela de importância na economia mundial. Esse país é o Brasil, o mais novo alvo das atenções da mídia internacional, não pela corrupção, muito menos pela alta criminalidade ou por outro "probleminha banal", mas sim por estar contribuindo para o aumento da fome no mundo, devido à produção do etanol. Nossa! Algo de muito estranho está acontecendo.
Antônio Soares Júnior
Sítio Novo, MA

 

Justiça

A recente prisão do advogado paulista Ricardo Tosto ("Tosto foi tostado", 30 de abril), acusado de engendrar fraudes milionárias no BNDES, expôs com muita clareza quanto o estado brasileiro ainda precisa se esforçar para ingressar no time dos países que respeitam e fazem valer os direitos humanos. Ora, em qualquer lugar civilizado o cidadão goza das prerrogativas de não se auto-incriminar, de ver protegida a sua imagem e de jamais ser considerado culpado sem o acesso ao devido processo legal. Aqui, pelo visto, não. O que dizer, afinal, do uso de algemas quando não há resistência à prisão? O que dizer de mandados de busca e apreensão genéricos, executados de tal forma a impedir, não raras vezes, o normal exercício profissional, pouco interessando a garantia de sigilo na relação entre advogado e cliente? O que dizer de interrogatórios que se arrastam horas a fio? É importante que a polícia cumpra o seu papel, mas dentro da razoabilidade. Nada, afinal, traz de volta o patrimônio íntimo atirado no lamaçal da desmoralização.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

 

Contexto

Ao ler a matéria "E a Justiça Eleitoral, não faz nada?" (Contexto, 30 de abril), descobre-se facilmente por que as nossas leis são feitas para o acobertamento do político da ocasião. Ao estabelecer a multa por crime de propaganda extemporânea, a mesma lei não impede que o infrator registre a sua candidatura mesmo estando inadimplente com o pagamento. E, ao final, o prêmio pela afronta à legislação é ser eleito – posto que ele fez campanha durante mais tempo – e, uma vez no leme e sob o escudo do poder, dispor dos recursos públicos para solver a pendência. Muito prático!
Waldercy Ribeiro da Cunha
Minaçu, GO

 

Roberto Pompeu de Toledo

Quem dera nossos diplomatas tenham lido o ensaio "Recuerdos de Ypacarai" (30 de abril). O autor sintetizou as questões que devem ter relevância no relacionamento Brasil-Paraguai. Para nós, da Tríplice Fronteira, os mais graves são o tráfico de drogas e o contrabando.
José Elias Aiex Neto
Foz do Iguaçu, PR

 

Correções: ao contrário do que informou a nota "O maior porta-aviões do mundo" (30 de abril), o porta-aviões americano USS George Washington CVN-73 tem 257 pés (78,34 metros) de largura.O produto Digital Skipping Rope, da Reebok, a que se refere o Guia "Ginástica: sem esforço, não dá" (30 de abril), custa R$ 65,00, e não R$ 30,00.

 

Outra visão sobre as cotas

Joedson Alves/AE
Bittar: "O projeto não é autoritário"


O deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ), com toda a razão, reclama de não ter sido ouvido por VEJA para fazer a reportagem "Querem invadir sua série" (30 de abril). A reportagem defende a tese de que seria um erro a idéia de adotar cotas de programas nacionais na TV paga. Bittar é o relator do substitutivo ao projeto de lei que cria tais cotas e que está para ser votado na Câmara dos Deputados. Em seu blog na internet, ele publicou uma carta aberta indignada com a posição defendida pela reportagem. Em uma conversa com VEJA na semana passada, o deputado expôs suas divergências e defendeu o projeto, o PL 29.

"A proposta não é intervencionista, não é autoritária nem foi concebida por uma única cabeça. O substitutivo é fruto de uma ampla interlocução com todos os setores da sociedade, que contou inclusive com a participação do Grupo Abril", diz o deputado. "Ao longo de mais de um ano, as idéias contidas no substitutivo têm sido debatidas e enriquecidas em reuniões e audiências públicas com representantes da socie-dade civil, dirigentes de empresas de radiodifusão e de telecomunicações, produtores e programadores de conteúdo audiovisual, aí incluídos os independentes, operadores de TV por assinatura, estudiosos do assunto, brasileiros e estrangeiros, e deputados de vários partidos."

O deputado diz que a reportagem de VEJA ignorou o fato de que as cotas, nos moldes propostos por ele, foram adotadas com sucesso na Europa, na Austrália e no Canadá, entre outros. Bittar afirma que o substitutivo permitirá injetar 500 milhões de reais anuais no financiamento da indústria do audiovisual brasileiro. O deputado diz que, na essência, o projeto contempla importantes questões econômicas e culturais. Ao abrir o mercado de TV por assinatura também para as empresas de telecomunicações, o que se pretende é estimular a concorrência, criar mais empregos e beneficiar diretamente o usuário com preços muito menores. Bittar conclui: "Com o estímulo à produção nacional através de mais recursos para financiamento e o aumento da base de assinantes, que poderá passar dos atuais 5 milhões para até 30 milhões, vai se chegar também ao barateamento do preço das assinaturas".

 

 

Uma idéia de jerico?

A idéia do ator Paulo César Pereio de desencadear uma campanha para demolir o Cristo Redentor, recentemente eleito uma das maravilhas do mundo moderno ("O Cristo atrapalha o visual", 30 de abril), deixou três dezenas de leitores indignados. "O senhor Pereio estava sóbrio ou no seu estado normal?", bateu pesado Emir Nunes Moreira, de Curitiba. Outros leitores também bateram: "Só mesmo um ser como esse, ele sim sem nenhum valor artístico (vide sua obra, de péssima qualidade), para falar tanta besteira" (Celso Gutemberg Souza); "Pela idéia, dá para ver que ele está mais pra lá do que pra cá. Mais do que nunca, deveria se agarrar ao Cristo" (Sueli Maria, de Bonito, MS); "Além de ateu e ex-comunista, pode-se declarar alucinado e gagá. Se bem que alucinado... Bem, deixa pra lá" (George De Marco, Nilópolis, RJ); "Uma boa coisa você já fez, Pereio: deixou de ser comunista" (José Wanderley da C. Fernandes); "Esse maluco, pela cara, não deve bater bem da idéia" (Klaus Schossland, Joinville, SC); "Por que esse idiota não explode a cabeça dele?" (Dimas Biág-gio, Santa Bárbara d’Oeste, SP). Mas a indignação com Pereio não foi unanimidade. Oito leitores apoiaram a idéia. "Ele está coberto de razão. A estátua do Cristo Redentor é um verdadeiro entulho que atrapalha a paisagem do Rio de Janeiro" (Francisco Beserra Filho, Maceió, AL); "Finalmente alguém com bom gosto. Abaixo o Cristo!" (Carlos Augusto Rogério, Palmitos, SC); "Acuado pela dengue e pela violência, o Rio merecia pelo menos a caridade urbanística de se livrar daquela monstruosidade" (Renzo Mora, Guarujá, SP); "O pior é que os cristos redentores estão se multiplicando pelas cidades. Sobre qualquer montinho de terra colocam um; alguns deles são terrivelmente feios, mas mostrados como pontos turísticos do lugar" (Perola Soares Zambrana, São Paulo, SP). É, Pereio, não se pode agradar a todos.



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