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Edição 2059

7 de maio de 2008
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Carta ao leitor
Falta o "grau de negócios"

 

Wilson Pedrosa/AE
Rubens Ricupero, então ministro da Fazenda, com as novas notas do Real em 1994

A agência de avaliação de riscos Standard & Poor’s reclassificou o Brasil para cima, colocando o país na categoria "grau de investimento". Uma reportagem da presente edição de VEJA explica os efeitos imediatos dessa conquista, entre eles a atração de investimentos externos nunca antes sonhados nem mesmo pelos mais otimistas, a queda dos juros básicos e um impulso adicional de 1,5% no crescimento previsto para a economia – que, assim, passaria dos 5% sem a contrapartida inaceitável da inflação.

É, portanto, um motivo de celebração. Mais ainda quando se lembra que essa conquista pertence a toda a sociedade brasileira. A situação privilegiada de agora, em que o Brasil é reconhecido como um lugar seguro para investir, foi sendo construída com muito custo por todos os brasileiros desde que se decidiu, em 1994, com o Plano Real, dar um basta na inflação. Daí, seguiram-se outros passos, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a adoção do câmbio flutuante. Contribuiu, principalmente, a demonstração cabal, dada com a eleição de Lula, de que esses avanços são patrimônio do país e não são negociáveis quando da alternância de poder.

O grau de investimento, como mostra a reportagem, não é uma conquista permanente, a exemplo de um troféu esportivo que se leva para casa. A confiança tem de ser reafirmada dia após dia e o compromisso com a estabilidade demonstrado e aprimorado na prática pelos governos. Para isso, novos passos na direção certa precisam ser dados. Os governos têm de aceitar a realidade aritmética de que não podem aumentar os gastos públicos em ritmo maior que o do crescimento do PIB. É vital agora fazer a reforma trabalhista e a tributária de modo a atingir o "grau de negócios", ou seja, tirar o país da triste posição de 101º no ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation. Com o grau de investimento, o dinheiro vem. Sem o grau de negócios, ele vai embora antes de ajudar a melhorar o padrão de vida da maioria dos brasileiros.



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