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CINEMA
Fotos divulgação
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| Bicicletas
de Pequim: vigoroso |
Bicicletas de Pequim (Shi qi Sui de Dan Che, China/França,
2000. Desde quinta-feira em cartaz em São Paulo) Uma das
gratas surpresas do circuito mundial no fim dos anos 80, o cinema chinês
continua dando mostras inequívocas de vigor com filmes como este
Bicicletas de Pequim, que atualiza para a China urbana e cada vez
mais capitalista o clássico neo-realista Ladrões de Bicicletas.
Guei é um rapaz do interior, taciturno e desconfiado, que consegue
um emprego na cidade grande como mensageiro. Seu orgulho é a bicicleta
moderna e prateada, que será sua quando ele completar um certo
número de entregas. Na véspera de se tornar o dono de seu
instrumento de trabalho, porém, Guei descobre que ele foi roubado.
Empreendendo uma busca por Pequim, ele encontra a bicicleta nas mãos
de um rapaz de sua idade, Jian, para quem ela tem um significado muito
diferente: aceitação social. Os colegas de escola de Jian
são mais afluentes do que ele, que tem em sua pobreza um motivo
de revolta e ressentimento. Guei e Jian travam, então, um cabo-de-guerra
cada vez mais brutal pela bicicleta, até chegarem a um desfecho
arrasador. O diretor Wang Xiaoshuai é, como muitos de seus companheiros,
sistematicamente censurado em seu país, por motivos insondáveis
que só o governo chinês é capaz de entender (se é
que é). O melhor é não perder tempo tentando alinhar
o diretor com esta ou aquela tendência ideológica e aproveitar
a beleza de seu filme.
LIVROS
Insolação,
de Ivan Bunin (tradução de Manoel Paulo Ferreira; Objetiva;
208 páginas; 29,90 reais) Embora tenha sido o primeiro escritor
russo a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1933, Bunin (1870-1953)
ficou proscrito em seu país durante o período soviético.
Filho de aristocratas, ele partiu para o exterior logo depois da Revolução
Comunista de 1917, o que resultou na proibição de suas obras.
Nos últimos anos, contudo, sua reputação vem sendo
rapidamente restabelecida. Ele é considerado um dos maiores escritores
russos da virada do século XX, e comparado a clássicos como
Tchekov. Bunin registrou a decadência do regime aristocrático
na Rússia, mas sua abordagem é menos social que "existencial",
pelo interesse em temas universais como amor e morte. Apesar da tradução
indireta, feita a partir do inglês, essa primeira coletânea
de seus contos no Brasil é uma bela iniciativa e traz textos-chave
como Ida e O Cavalheiro de São Francisco.
Fúria,
de Salman Rushdie (tradução de José Rubens Siqueira;
Companhia das Letras; 304 páginas; 38 reais) Os anos que
Salman Rushdie passou como alvo de uma fatwa (condenação
à morte) dos fundamentalistas religiosos iranianos fizeram dele
uma personalidade política e levaram muita gente a esquecer quão
inventivo e ousado ele pode ser como escritor. Esse romance é prova
renovada de seu talento.O protagonista é Malik Solanka, que, como
o próprio Rushdie, nasceu na Índia, emigrou para a Inglaterra
e depois para os Estados Unidos. Ex-professor universitário, ele
ganhou fama e dinheiro ao criar bonecos animados que se tornam um hit
na televisão. Certo dia, no entanto, ele se pilha segurando uma
faca sobre os corpos adormecidos de sua mulher e de seu filho. Temendo
cometer uma insanidade, Solanka foge para Nova York, onde procura domar
a fúria que ameaça tomar conta dele e, na verdade, do mundo
que fervilha ao seu redor. Leia
trechos do livro.
Erros
Irreversíveis, de Scott Turow (tradução de
Alves Calado; Record; 458 páginas; 45 reais) O pai do thriller
jurídico aborda em seu sexto romance o tema da pena de morte. Às
vésperas de sua execução, o marginal Esquilo retira
a confissão de assassinato que fizera anos antes e se declara inocente.
O Estado designa então o advogado Arthur Raven para impetrar um
último recurso em nome do condenado. Além de compor boas
tramas de suspense, Turow sempre procurou criar personagens sólidos.
Não é diferente nesse livro, que conta com quatro protagonistas
envolvidos em casos amorosos: o advogado Raven e a ex-juíza Gillian
(que cumpriu pena por corrupção), a estrela da promotoria
Muriel e o detetive Larry durão, competente, mas um pouco
sem escrúpulos.
DISCOS
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Os
integrantes do
Blur: rock sem
guitarras
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Think
Tank, Blur (EMI) Rock e guitarra costumam ser tratados
como se fossem indissociáveis. Pois o grupo inglês conseguiu
um feito raro: gravar um disco de rock com presença mínima
desse instrumento. Não há indício de solos. No máximo,
as guitarras entram para criar climas. O feito do Blur se deu por motivos
práticos. Às vésperas da gravação do
álbum, o guitarrista Graham Coxon largou a banda por não
concordar com mudanças de estilo que seus colegas pretendiam levar
a cabo. Ao cantor Damon Albarn restou a missão de empunhar o instrumento.
Think Tank vai do tecno à world music. Muitas faixas lembram
os Gorillaz, banda fictícia que Albarn montou durante um hiato
na carreira do Blur. Um bom exemplo está em Out of Time.
Os admiradores do velho estilo do grupo irão gostar da dançante
Ambulance
e da balada Good Song.
DVDs
Globo Vídeo
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Vestida para Matar: uma homenagem
a Hitchcock |
Vestida para Matar (Dressed to Kill, Estados Unidos, 1980.
Fox) Uma loira assassinada a facadas por uma mulher misteriosa,
um homem que aparenta ser inócuo mas é bem diferente do
que se imagina, uma vítima potencial que precisa encontrar o criminoso
para não morrer: qualquer semelhança com Psicose
de Alfred Hitchcock não é mera coincidência. Nem pense
em usar a palavra plágio, porém. Vestida para Matar,
com Michael Caine e Angie Dickinson, é um dos mais inspirados tributos
do diretor Brian De Palma ao mestre inglês. E é também
um de seus filmes mais duradouros, capaz de manter quem não conhece
a história na beirada da poltrona e de deslumbrar novamente com
sua proficiência arrebatadora quem já o viu. O disco é
pobre em extras, mas essa é uma falha pequena diante da oportunidade
de ver o filme no formato widescreen, livre do encaixotamento a que ele
é submetido nas reprises da televisão.
Ultramar Filmes
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Os Esquecidos: Buñuel em sua fase
mexicana |
Os Esquecidos (Los Olvidados, México, 1950. Versátil)
Filho de latifundiários e educado por jesuítas, o
espanhol Luis Buñuel (1900-1983) fez do ataque à religião,
ao sistema e à moral burguesa sua missão na vida. Os
Esquecidos, sobre um grupo de crianças e jovens miseráveis
que afundam na delinqüência, é da fase em que, depois
de um longo hiato em Hollywood, Buñuel se radicou no México
e retomou esse ideário. Inédito em vídeo no Brasil,
o filme é magnificamente fotografado em preto-e-branco e ainda
mais admirável pela objetividade do olhar do diretor, que foi estraçalhado
pela imprensa local por mostrar um México não exatamente
aprazível. Atenção à seqüência
antológica, e típica de Buñuel, em que o menino Pedro
mistura a culpa por um assassinato e por seus sentimentos dúbios
pela mãe num mesmo sonho.
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