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Edição 1 801 - 7 de maio de 2003
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A nova invenção
de Steve Jobs

Fundador da Apple reúne grandes
gravadoras e lança sistema pago
de músicas on-line

 
AP

Ele é o herói de nove entre dez jovens americanos que sonharam enriquecer com poucos recursos e idéias brilhantes, trabalhar o resto da vida de jeans e camiseta e tocar guitarra nas horas vagas. Steve Jobs, de 48 anos, inventor dos computadores Macintosh, presidente da Apple e do estúdio de animação Pixar, voltou à cena com mais uma surpresa. Na segunda 28, ele inaugurou uma loja virtual que vende músicas via internet. Ao contrário do Napster, do KazaA e do Morpheus, acusados de fazer pirataria digital, a Apple Music Store paga direitos autorais aos músicos e cobra dos internautas que querem gravar as canções em seus computadores. O serviço de Steve Jobs já conta com 200.000 títulos e permite ao usuário baixar a música que quiser pagando 99 centavos de dólar. Antes de efetuar a compra, podem-se ouvir trinta segundos das canções, o que permite ao usuário se certificar de que está comprando exatamente a versão que procura.

A Apple Music Store não é o único serviço pago de música na internet, mas com certeza é o que está causando maior furor. Antes de bancar a empreitada, Jobs convenceu as cinco maiores gravadoras – Warner, EMI, Universal, Sony e BMG – a ceder suas canções, feito inédito nesse segmento. Outras coleções virtuais de música lançadas recentemente, como a MusicNet e a Pressplay, têm um número limitado de obras. Além disso, esses serviços cobram uma mensalidade de cerca de 10 dólares. Ao reunir os gigantes da música, Jobs conseguiu o que os outros apenas sonhavam. Nas prateleiras virtuais da Apple Music Store é possível encontrar canções recentes de artistas como U2, Sheryl Crow e Avril Lavigne. Entre os clássicos da cultura pop, estão lá Bob Dylan e o grupo Eagles, zelosos protetores de seus direitos musicais.

Jobs empenhou seu prestígio pessoal para convencer os ídolos musicais a participar da lojinha virtual. Há cerca de um mês, ele fez um apelo ao empresário do Eagles, Irving Azoff. "Por favor, me libere, eu imploro", disse Jobs. Agora, ele tem passado boa parte do tempo ao telefone com estrelas como Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones. Por enquanto, os Stones não se convenceram da eficácia do serviço da Apple. Para Steve Jobs, falar com astros não é coisa do outro mundo. Primeiro, porque a música sempre fez parte de sua vida. Apple é também o nome da gravadora dos Beatles. Segundo, porque Jobs, por causa da aura inovadora dos computadores Macintosh, tem status de uma estrela pop. "Acho que as pessoas não se sentem bem roubando música na internet", diz Jobs. A indústria fonográfica está dando todo o apoio à iniciativa da Apple. De acordo com a Nielsen SoundScan, a venda de CDs caiu de 712 milhões em 2001 para 680 milhões em 2002 nos Estados Unidos. Enquanto isso, a venda de aparelhos de MP3, que permitem ouvir as músicas copiadas da internet, cresceu 56% em relação a 2001. A venda de CDs virgens foi de 1,7 bilhão de unidades no ano passado. Por enquanto, o serviço só está disponível para usuários de Macintosh, uma minoria de 3% do mercado, mas logo o universo de donos de PC poderá acessá-lo. Uma outra limitação: a Apple Music Store exige que o comprador tenha um cartão de crédito com endereço nos Estados Unidos. Em termos de internet, é um anacronismo que a Apple promete resolver em breve.

   
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