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A
nova invenção
de Steve Jobs
Fundador da Apple reúne grandes
gravadoras e lança sistema pago
de músicas on-line
AP
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Ele
é o herói de nove entre dez jovens americanos que sonharam
enriquecer com poucos recursos e idéias brilhantes, trabalhar o
resto da vida de jeans e camiseta e tocar guitarra nas horas vagas. Steve
Jobs, de 48 anos, inventor dos computadores Macintosh, presidente da Apple
e do estúdio de animação Pixar, voltou à cena
com mais uma surpresa. Na segunda 28, ele inaugurou uma loja virtual que
vende músicas via internet. Ao contrário do Napster, do
KazaA e do Morpheus, acusados de fazer pirataria digital, a Apple Music
Store paga direitos autorais aos músicos e cobra dos internautas
que querem gravar as canções em seus computadores. O serviço
de Steve Jobs já conta com 200.000 títulos e permite ao
usuário baixar a música que quiser pagando 99 centavos de
dólar. Antes de efetuar a compra, podem-se ouvir trinta segundos
das canções, o que permite ao usuário se certificar
de que está comprando exatamente a versão que procura.
A Apple Music Store não é o único serviço
pago de música na internet, mas com certeza é o que está
causando maior furor. Antes de bancar a empreitada, Jobs convenceu as
cinco maiores gravadoras Warner, EMI, Universal, Sony e BMG
a ceder suas canções, feito inédito nesse segmento.
Outras coleções virtuais de música lançadas
recentemente, como a MusicNet e a Pressplay, têm um número
limitado de obras. Além disso, esses serviços cobram uma
mensalidade de cerca de 10 dólares. Ao reunir os gigantes da música,
Jobs conseguiu o que os outros apenas sonhavam. Nas prateleiras virtuais
da Apple Music Store é possível encontrar canções
recentes de artistas como U2, Sheryl Crow e Avril Lavigne. Entre os clássicos
da cultura pop, estão lá Bob Dylan e o grupo Eagles, zelosos
protetores de seus direitos musicais.
Jobs empenhou seu prestígio pessoal para convencer os ídolos
musicais a participar da lojinha virtual. Há cerca de um mês,
ele fez um apelo ao empresário do Eagles, Irving Azoff. "Por favor,
me libere, eu imploro", disse Jobs. Agora, ele tem passado boa parte do
tempo ao telefone com estrelas como Mick Jagger e Keith Richards, dos
Rolling Stones. Por enquanto, os Stones não se convenceram da eficácia
do serviço da Apple. Para Steve Jobs, falar com astros não
é coisa do outro mundo. Primeiro, porque a música sempre
fez parte de sua vida. Apple é também o nome da gravadora
dos Beatles. Segundo, porque Jobs, por causa da aura inovadora dos computadores
Macintosh, tem status de uma estrela pop. "Acho que as pessoas não
se sentem bem roubando música na internet", diz Jobs. A indústria
fonográfica está dando todo o apoio à iniciativa
da Apple. De acordo com a Nielsen SoundScan, a venda de CDs caiu de 712
milhões em 2001 para 680 milhões em 2002 nos Estados Unidos.
Enquanto isso, a venda de aparelhos de MP3, que permitem ouvir as músicas
copiadas da internet, cresceu 56% em relação a 2001. A venda
de CDs virgens foi de 1,7 bilhão de unidades no ano passado. Por
enquanto, o serviço só está disponível para
usuários de Macintosh, uma minoria de 3% do mercado, mas logo o
universo de donos de PC poderá acessá-lo. Uma outra limitação:
a Apple Music Store exige que o comprador tenha um cartão de crédito
com endereço nos Estados Unidos. Em termos de internet, é
um anacronismo que a Apple promete resolver em breve.
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