Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 801 - 7 de maio de 2003
Geral Comportamento
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
 

Livro ensina como educar os meninos
Os bilionários da nova Rússia
Dono da Amazon entra no turismo espacial
O cabernet de 1,99 dólar
O Oriente nas coleções de inverno
O sucesso do jogo Yu-Gi-Oh entre as crianças
Projetos para as classes C e D
As epidemias globais
Ícones do comunismo são moda na Alemanha
A ioga virou malhação nas academias
A polêmica reposição hormonal
Os novos concorrentes do Viagra

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


 

Na moda em Berlim

Alemães têm saudade de produtos
e músicas do mundo comunista. Mas
não do comunismo

Diogo Schelp, de Berlim


Fotos divulgação
ção
ção
Ícones da RDA: sinal de semáforo, o homenzinho de chapéu ganhou bonés; o símbolo da juventude comunista; e rótulo de bebida com o martelo e o compasso da velha bandeira

O tradutor alemão Heiko Fröhlich, morador de Berlim, está arrependido de ter vendido uma lambreta que nunca funcionou. "Acho essas máquinas simplesmente o máximo", ele explica, referindo-se às IWL, motos que eram produzidas na Alemanha Oriental. Fröhlich nasceu do lado ocidental do muro que seria derrubado em 1989. Não conviveu na infância com a tal lambreta, mas vive com entusiasmo uma fase de culto por objetos e hábitos da antiga República Democrática da Alemanha, como também era chamado o lado comunista. Esse tipo de nostalgia é uma febre que ganhou até um nome, baseado num trocadilho: ostalgia – de ost, leste em alemão.

O fenômeno começou há uma década, na ex-Alemanha Oriental, como uma espécie de reação cultural aos hábitos ocidentais incorporados ao cotidiano depois da reunificação. A cultura consumista, ao mesmo tempo invejada e temida, foi um choque sobretudo para os mais velhos. Pode-se dizer que a ostalgia atingiu o ápice agora, com o recente sucesso de Goodbye, Lenin, um filme visto por 5 milhões de espectadores, campeão de bilheteria na Alemanha por sete semanas. Trata da vida de um rapaz que vive no lado leste de Berlim e cuja mãe estava em coma quando caiu o muro. Para não assustá-la, quando a mulher volta a si o rapaz cria no apartamento uma Alemanha comunista, escondendo da mãe a mudança radical havida no mundo.

Os alemães ocidentais riem das dificuldades do personagem para encontrar nos supermercados produtos com as velhas marcas da Alemanha Oriental, engolidas pela onda capitalista. Muitos dos ex-moradores da RDA, no entanto, se emocionam ao relembrar as músicas e os programas de televisão de então. "Ninguém quer a volta do regime comunista, da censura à imprensa, da perseguição política e de outros abusos", diz Frank Grubitzsch, redator do maior jornal de Dresden. "Mas pessoas como eu, que viveram toda a infância e a juventude na RDA, não podem simplesmente ignorar o que as faz lembrar-se dos melhores anos de suas vidas", afirma Grubitzsch, ele próprio comprador de discos com músicas que foram sucesso naqueles tempos.

Na capital alemã, encontram-se lojas que vendem, quase como suvenires, centenas de produtos orientais, de vassouras a cremes para a pele. Uma exposição inaugurada em março em Berlim mostra peças como a única marca de máquina de escrever da RDA – que precisava ser encomendada com três anos de antecedência. Emocionados, os visitantes recordam o preço abusivo que tinham de pagar pelo equipamento. Nas livrarias, contam-se às dezenas os títulos ostálgicos, incluindo um sobre os recordes batidos (à base de doping) pelos atletas comunistas. Nos bares da moda, a velha bandeira, igual à do lado ocidental mas acrescida de um martelo e um compasso, virou objeto de decoração. Na internet, listas de discussão em sites especializados desenterram até as piadas que só tinham graça sob o regime socialista: "Por que na RDA em toda loja de verdura há um policial? Para ter pelo menos alguma coisa verde dentro dela."

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS