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Edição 1 801 - 7 de maio de 2003
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Duelo de monstros

O sucesso do Yu-Gi-Oh, jogo que
filhos adoram e pais não entendem

Ariel Kostman


Cartas de Yu-Gi-Oh: monstros, mágicas e armadilhas, tudo escrito em inglês

É ver e comprovar: hora do recreio da meninada é hora de grupinhos se formarem, cartas coloridas e escritas em inglês na mão, para uma rodada de joguinho incompreensível aos ouvidos dos adultos ao redor. É Yu-Gi-Oh, nome de um jogo de cartas (card game, na língua oficial do iugionismo) e de um desenho animado transmitido pelos canais Nickelodeon e Globo, cujo enredo conta a história de um franzino e tímido garoto japonês que fica superpoderoso ao disputar um jogo de cartas chamado Duelo de Monstros. É a febre do momento. "Em novembro, os garotos começaram a aparecer na loja perguntando se eu tinha os cards", diz Peter Faustle, dono da loja Forbidden Planet, em São Paulo. "Achei que eram muito caros, mas comprei alguns para experimentar e as vendas foram ótimas." Hoje, Faustle chega a vender 100 baralhos (decks, por favor) por semana, a preços que variam de 75 a 120 reais. "Tenho muitas cartas. Quando cheguei a 100, parei de contar", conta Ariel El Kobbi, 9 anos, todo orgulhoso de seu deck poderoso.

Leo Feltran
Ariel no recreio: deck de mais de 100 cartas

Sucessor do Magic, outro joguinho do gênero que até hoje conta com 120.000 adeptos no Brasil, o Yu-Gi-Oh consiste basicamente em três tipos de carta: monstros, magias e armadilhas. Sentados frente a frente, os jogadores disputam duelos com o objetivo de derrotar os monstros do adversário. As cartas de magia e de armadilha são usadas para aumentar o poder das criaturas. Em dois tempos a garotada de 7 a 14 anos, a faixa dos grandes aficionados, domina a técnica, mesmo quando não entende nada do que está escrito. Algumas lojas organizam torneios para incrementar as vendas. Na Itiban, em Curitiba, cerca de 150 jogadores vindos inclusive do interior e até de Porto Alegre participam das competições nos fins de semana. "Saem em média oito decks por dia", diz a dona da loja, Selma Utrazo. A Itiban também fatura vendendo cartas avulsas consideradas raras, como o cobiçado Dragão Branco de Olhos Azuis (65 reais) e o supra-sumo Exódia (80 reais).

Criado em 1996 pelo desenhista Kazuki Takahashi para ser mangá (história em quadrinhos), o Yu-Gi-Oh virou card game um ano depois. A partir de 2000, com o lançamento da série de desenhos animados, ganhou o mundo (existem ainda duas versões para videogame). Mais de 3 bilhões de cartas, produzidas no Japão e nos Estados Unidos, já foram vendidas. Existem ainda as cópias piratas, vendidas por camelôs pela metade do preço – todas em inglês e, em menor quantidade, em japonês. É bom os pais prepararem o bolso: em agosto, a Devir, livraria de São Paulo especializada em quadrinhos, RPG e cards, planeja lançar as cartas de Yu-Gi-Oh em português.

   
 
   
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