
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
|
|
Duelo de monstros
O sucesso
do Yu-Gi-Oh, jogo que
filhos adoram e pais não entendem

Ariel Kostman
 |
| Cartas
de Yu-Gi-Oh: monstros, mágicas e armadilhas, tudo escrito em inglês
|
É
ver e comprovar: hora do recreio da meninada é hora de grupinhos
se formarem, cartas coloridas e escritas em inglês na mão,
para uma rodada de joguinho incompreensível aos ouvidos dos adultos
ao redor. É Yu-Gi-Oh, nome de um jogo de cartas (card game,
na língua oficial do iugionismo) e de um desenho animado transmitido
pelos canais Nickelodeon e Globo, cujo enredo conta a história
de um franzino e tímido garoto japonês que fica superpoderoso
ao disputar um jogo de cartas chamado Duelo de Monstros. É a febre
do momento. "Em novembro, os garotos começaram a aparecer na loja
perguntando se eu tinha os cards", diz Peter Faustle, dono da loja
Forbidden Planet, em São Paulo. "Achei que eram muito caros, mas
comprei alguns para experimentar e as vendas foram ótimas." Hoje,
Faustle chega a vender 100 baralhos (decks, por favor) por semana,
a preços que variam de 75 a 120 reais. "Tenho muitas cartas. Quando
cheguei a 100, parei de contar", conta Ariel El Kobbi, 9 anos, todo orgulhoso
de seu deck poderoso.
Leo Feltran
 |
| Ariel
no recreio: deck de mais de 100 cartas |
Sucessor
do Magic, outro joguinho do gênero que até hoje conta com
120.000 adeptos no Brasil, o Yu-Gi-Oh consiste
basicamente em três tipos de carta: monstros, magias e armadilhas.
Sentados frente a frente, os jogadores disputam duelos com o objetivo
de derrotar os monstros do adversário. As cartas de magia e de
armadilha são usadas para aumentar o poder das criaturas. Em dois
tempos a garotada de 7 a 14 anos, a faixa dos grandes aficionados, domina
a técnica, mesmo quando não entende nada do que está
escrito. Algumas lojas organizam torneios para incrementar as vendas.
Na Itiban, em Curitiba, cerca de 150 jogadores vindos inclusive do interior
e até de Porto Alegre participam das competições
nos fins de semana. "Saem em média oito decks por dia",
diz a dona da loja, Selma Utrazo. A Itiban também fatura vendendo
cartas avulsas consideradas raras, como o cobiçado Dragão
Branco de Olhos Azuis (65 reais) e o supra-sumo Exódia (80 reais).
Criado em
1996 pelo desenhista Kazuki Takahashi para ser mangá (história
em quadrinhos), o Yu-Gi-Oh virou card game um ano depois. A partir
de 2000, com o lançamento da série de desenhos animados,
ganhou o mundo (existem ainda duas versões para videogame). Mais
de 3 bilhões de cartas, produzidas no Japão e nos Estados
Unidos, já foram vendidas. Existem ainda as cópias piratas,
vendidas por camelôs pela metade do preço todas em
inglês e, em menor quantidade, em japonês. É bom os
pais prepararem o bolso: em agosto, a Devir, livraria de São Paulo
especializada em quadrinhos, RPG e cards, planeja lançar
as cartas de Yu-Gi-Oh em português.
|
|
 |
|
 |

|
 |