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Oriente na cabeça
e
na cintura
O guarda-roupa
de inverno tem toques
asiáticos e uma exótica estrela: o obi

Silvia Rogar
Fotos Pedro Rubens
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| Obi
estilizado, mangas largas, blusas tipo túnica, mistura de estampado
colorido com golinha oriental: China e Japão dão o tom |
Felizmente,
não tem nada a ver com a pneumonia asiática. O surto oriental
deste inverno em matéria de moda pode ser visto nas vitrines das
lojas. Tanto nas coleções de estilistas moderninhos quanto
nas grifes caríssimas, passando pelas marcas populares que foram
rápidas em detectar a tendência, a inspiração
vinda da China, do Japão e vizinhos sempre aparece. "A moda oriental
usa modelagem e tecidos leves, por isso é muito adequada ao nosso
inverno ameno", diz a estilista paulista Tânia Mortari, uma das
convertidas: sua coleção tem vestidos de mangas enormes,
como os quimonos japoneses. Entre os orientalismos em voga, a maior novidade
é o obi, a faixa larga que fecha o quimono e que, na sua versão
estilizada, é um cinto lindo de ver e muito difícil de usar.
O obi japonês
tradicional, cuja amarração e arremate em laço elaborado
nas costas exigem habilidade e concentração de ritual, era
de brocado de seda e tinha, em média, cerca de 35 centímetros
de largura e 1,5 metro de comprimento. A versão tropical é
mais estreita e feita de cetim, algodão e até couro. "Como
a brasileira é louca por cintura baixa, o obi está sendo
usado quase como um cinto normal", diz Beatriz Cunha, diretora de estilo
da paulista Argentum. O obi estilizado deve ser usado por cima de túnicas
e camisas inspiradas nos quimonos: justinhas, decote trespassado e manga
larga. Também fica bem com saia reta ou calça de cetim afunilada
no tornozelo. Para os pés, há sandálias tipo plataforma
com detalhes bordados e forradas com tecidos asiáticos, mas aí
todo cuidado é pouco: quem exagerar na dose e sair toda oriental
correrá o risco de ficar parecendo figurante de teatro kabuki.
Pagam-se,
em geral, entre 150 e 400 reais por um obi mais sofisticado, e não
é muito fácil descobrir uma maneira prática de usá-lo
até porque é proibidíssimo para quem tem quadris
largos ou seios grandes ou ambos. No Japão, há diversas
formas de amarração, inclusive para diferenciar mulheres
pela idade ou classe social. Na versão da moda, basta cruzar as
pontas nas costas e arrematar com um laço na frente. A grife carioca
Totem, que juntou idéias orientais ao colorido e aos tecidos da
moda praia mistura que ganhou o nome de "japoneguismo", inventou
uma prática calça com obi acoplado. Já a paulistana
Daniele Mabe, 24 anos, neta do artista plástico japonês Manabu
Mabe e estilista compreensivelmente chegada a referências orientais,
usou tachas e tecidos de oncinha para fazer blusas com gola alta, tipo
Mao, e quimonos estilizados. "Ficou uma gueixa punk", diz.
O Oriente
influencia tecidos e estampas no Ocidente desde o século XVIII.
Na era contemporânea, a grande eclosão de orientalismo aconteceu
nos anos 70, quando estilistas japoneses como Issey Miyake e Kenzo, estabelecidos
em Paris, passaram a misturar tradições nipônicas
a idéias européias. A tendência do momento é
menos profunda do que as transformações introduzidas por
esses mestres da costura, que trabalham com formas e conceitos rigorosos.
O orientalismo do momento é alegre, colorido, quase folclórico.
O americano Tom Ford, conhecido disseminador de tendências, usou
obis para arrematar vestidinhos fluidos, batas e paletós de cetim
encorpado na coleção do inverno passado da italiana Gucci.
O inglês John Galliano, inspirado nas viagens que fez à China
e ao Japão, promoveu um delirante desfile-show, com acrobatas e
lutadores de kung fu, em suas criações de alta-costura da
Dior deste verão. No fértil ramo dos acessórios,
a Louis Vuitton chamou o artista Takashi Murakami para desenhar peças
inspiradas nos mangás, os quadrinhos japoneses. As novas bolsas
têm estampa com 33 cores (inclusive o logo, que pela primeira vez
ganha vários tons) e a marca registrada de Murakami, aquele olhão
de personagem de desenho animado. Custam entre 3.600
reais e 9 600 reais, mas não adianta ir à loja procurar.
A fila de espera é de meses.
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