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Edição 1 801 - 7 de maio de 2003
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A Amazon entra em órbita

O dono da livraria virtual mais
famosa do mundo entrou no
ramo do turismo espacial

Jeffrey Bezos, o bilionário americano acionista majoritário da livraria virtual Amazon.com, maior empresa varejista da internet, partiu agora para realizar um sonho da adolescência: viajar para o espaço. Bezos contratou físicos e cientistas que trabalharam na Nasa com o objetivo de projetar foguetes para esse fim. Com uma fortuna calculada em 1,7 bilhão de dólares, ele montou a Blue Origin, empresa de pesquisa espacial com sede em Seattle, nos Estados Unidos. Como revelou a revista Newsweek na semana passada, a Blue Origin existe há três anos. Ela quer entrar no mercado de turismo no espaço. Esse inusitado e exclusivíssimo tipo de turismo foi inaugurado pelo milionário americano Dennis Tito, que pagou 20 milhões de dólares aos russos para viajar em uma nave em 2001. A previsão é que até 2021 diversas empresas privadas de transporte estejam em condições de levar pelo menos 15.000 pessoas por ano ao espaço. A maioria fará apenas uma viagem suborbital, vôo que abandona a atmosfera terrestre mas não chega a entrar em órbita do planeta. Esses passeios custarão por volta de 100.000 dólares e devem durar aproximadamente vinte minutos, quando os passageiros poderão experimentar as condições de gravidade zero. Um grupo bem mais seleto, de cerca de sessenta milionários, já se mostrou disposto a desembolar 20 milhões de dólares para passar uma semana em uma estação aeroespacial.

Na infância, Bezos queria ser astronauta e, em 1982, quando ainda estava cursando o ensino secundário, escrevia sobre a colonização do espaço como uma saída para garantir o futuro da humanidade. Aos 39 anos, ele já conquistou quase tudo o que um homem de negócios poderia desejar. Tornou-se o rei do ciberespaço com a Amazon.com, foi eleito o Homem do Ano pela revista Time, em 1999, e é o centésimo homem mais rico dos Estados Unidos. A aposta do dono da Amazon é que a agilidade do setor privado será mais eficaz que a estatal Nasa. "É muito prematuro dizer qualquer coisa sobre a Blue Origin, porque ainda não fizemos nada que possa ser comentado", disse Bezos à Newsweek.

O sucesso da aventura espacial de Jeff Bezos está ligado ao desempenho de sua empresa. Desde que vendeu seu primeiro livro, em 1995, a Amazon só ocasionalmente teve lucro. Mas, com 30 milhões de clientes e um ritmo de crescimento vigoroso de 66% nos últimos cinco anos, a Amazon continua seduzindo os investidores. O mais recente balanço ainda foi negativo, mas mostra que a empresa está próxima de começar a operar no azul, um feito considerável após o estouro da bolha da internet em 2000. Bezos não é o único magnata do mundo empresarial a cobiçar o espaço. O designer Burt Rutan, da empresa Scaled Composites, é outro exemplo desse tipo de empreendedor. Rutan desenvolveu a SpaceShipOne, que foi apresentada à imprensa em meados de abril e será usada para vôos espaciais. O sul-africano Elon Musk, de 31 anos, entrou nessa corrida no ano passado, com a SpaceX. Musk fez fama e fortuna ao criar programas como o PayPal, sistema de pagamentos on-line comprado pelo site de vendas Ebay em 2002. A empresa de Musk atualmente desenvolve o Falcon, um foguete que deverá ser testado até o fim do ano.

   
 
   
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