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A Amazon
entra em órbita
O
dono da livraria virtual mais
famosa do mundo entrou no
ramo do turismo espacial
Jeffrey
Bezos, o bilionário americano acionista majoritário da livraria
virtual Amazon.com, maior empresa varejista da internet, partiu agora
para realizar um sonho da adolescência: viajar para o espaço.
Bezos contratou físicos e cientistas que trabalharam na Nasa com
o objetivo de projetar foguetes para esse fim. Com uma fortuna calculada
em 1,7 bilhão de dólares, ele montou a Blue Origin, empresa
de pesquisa espacial com sede em Seattle, nos Estados Unidos. Como revelou
a revista Newsweek na semana passada, a Blue Origin existe há
três anos. Ela quer entrar no mercado de turismo no espaço.
Esse inusitado e exclusivíssimo tipo de turismo foi inaugurado
pelo milionário americano Dennis Tito, que pagou 20 milhões
de dólares aos russos para viajar em uma nave em 2001. A previsão
é que até 2021 diversas empresas privadas de transporte
estejam em condições de levar pelo menos 15.000 pessoas
por ano ao espaço. A maioria fará apenas uma viagem suborbital,
vôo que abandona a atmosfera terrestre mas não chega a entrar
em órbita do planeta. Esses passeios custarão por volta
de 100.000 dólares e devem durar aproximadamente vinte minutos,
quando os passageiros poderão experimentar as condições
de gravidade zero. Um grupo bem mais seleto, de cerca de sessenta milionários,
já se mostrou disposto a desembolar 20 milhões de dólares
para passar uma semana em uma estação aeroespacial.
Na infância, Bezos queria ser astronauta e, em 1982, quando ainda
estava cursando o ensino secundário, escrevia sobre a colonização
do espaço como uma saída para garantir o futuro da humanidade.
Aos 39 anos, ele já conquistou quase tudo o que um homem de negócios
poderia desejar. Tornou-se o rei do ciberespaço com a Amazon.com,
foi eleito o Homem do Ano pela revista Time, em 1999, e é
o centésimo homem mais rico dos Estados Unidos. A aposta do dono
da Amazon é que a agilidade do setor privado será mais eficaz
que a estatal Nasa. "É muito prematuro dizer qualquer coisa sobre
a Blue Origin, porque ainda não fizemos nada que possa ser comentado",
disse Bezos à Newsweek.
O sucesso da aventura espacial de Jeff Bezos está ligado ao desempenho
de sua empresa. Desde que vendeu seu primeiro livro, em 1995, a Amazon
só ocasionalmente teve lucro. Mas, com 30 milhões de clientes
e um ritmo de crescimento vigoroso de 66% nos últimos cinco anos,
a Amazon continua seduzindo os investidores. O mais recente balanço
ainda foi negativo, mas mostra que a empresa está próxima
de começar a operar no azul, um feito considerável após
o estouro da bolha da internet em 2000. Bezos não é o único
magnata do mundo empresarial a cobiçar o espaço. O designer
Burt Rutan, da empresa Scaled Composites, é outro exemplo desse
tipo de empreendedor. Rutan desenvolveu a SpaceShipOne, que foi apresentada
à imprensa em meados de abril e será usada para vôos
espaciais. O sul-africano Elon Musk, de 31 anos, entrou nessa corrida
no ano passado, com a SpaceX. Musk fez fama e fortuna ao criar programas
como o PayPal, sistema de pagamentos on-line comprado pelo site de vendas
Ebay em 2002. A empresa de Musk atualmente desenvolve o Falcon, um foguete
que deverá ser testado até o fim do ano.
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