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Edição 1 801 - 7 de maio de 2003
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Está tudo errado

Um terapeuta faz sucesso ao pregar que
os meninos devem ser educados de modo
diferente do das meninas

Anna Paula Buchalla

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Trechos do livro

O terapeuta familiar Steve Biddulph é extremamente popular na Austrália, país onde mora desde a adolescência, quando deixou a Inglaterra. Sua fama ganhou o mundo com o manual de auto-ajuda Criando Meninos. Ao todo, foram mais de 2 milhões de cópias vendidas. No Brasil, o livro atingiu a marca de 30.000 exemplares e está na lista de VEJA. A editora Fundamento, que publica os livros de Biddulph no país, acaba de lançar mais quatro títulos do autor. Entre eles, outro best-seller: O Segredo das Crianças Felizes. Juntos, seus cinco livros já somaram 11 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo. Biddulph se tornou um sucesso, entre outros motivos, porque diz a pais e mães que meninos e meninas precisam ser criados de forma diferente, seja em casa ou na escola. É uma ducha de água fria na psicopedagogia moderna, que, desde os anos 60, martela a idéia de que as crianças dos dois sexos devem ter uma educação absolutamente igual. A maior diferença, enfatiza Biddulph, está no processo de desenvolvimento cerebral. No caso dos meninos, ele é mais lento, especialmente no que se refere à verbalização e à habilidade manual. Quando entra na escola, boa parte dos meninos apresenta-se defasada em até um ano em relação às meninas. Por esse motivo, o autor sugere que deveria ser considerada a hipótese de atrasar o ingresso dos garotos na 1ª série.

Criando Meninos parte do princípio de que, se o mundo precisa de homens melhores, é bom que se comece a tratar os meninos com mais compreensão e atenção. O livro avança em temas como os efeitos da testosterona no comportamento dos garotos e a descoberta da masculinidade. Aqui, Biddulph é incisivo: defende a importância de uma presença masculina forte e exemplar na vida dos meninos e afirma que os pais erram ao esperar dos pequenos que eles se tornem homens sozinhos. Pior do que isso, muitos estimulam seus filhos a adotar comportamentos grosseiros, como se isso fosse sinônimo de virilidade. É como se, ao educar um menino para ser gentil, o pai estivesse ferindo os princípios da masculinidade. "Os equívocos cometidos por pais e educadores são tão grandes que já se refletem em aspectos bem concretos", disse Biddulph a VEJA. Para o autor, os erros na formação dos garotos resultam em adultos inseguros emocionalmente e frustrados do ponto de vista profissional. "Os meninos, enfim, estão sendo criados para ser simplesmente máquinas de fazer dinheiro ou estúpidos bebedores de cerveja", resume.

 

ELAS E ELES


Priscila Prade
Pedro Rubens

Quando entram na escola, muitos meninos estão até um ano atrás das meninas no que se refere ao desenvolvimento das habilidades manuais e de expressão verbal. Segundo Steve Biddulph, o ideal é que os pais discutam com os professores da pré-escola se o seu filho deveria esperar mais um ano antes de ingressar na 1ª série.

Como os meninos têm movimentos de sintonia fina menos desenvolvidos do que os das meninas, seus gestos tendem a ser bruscos. Brincadeiras corporais, como as de luta, os ajudam a adquirir autocontrole. É errado tentar aboli-las totalmente.  

Enquanto as meninas vivem rodeadas por mulheres durante o crescimento, os meninos convivem pouco com os homens em geral, são eles que passam mais tempo longe de casa. A falta de referência masculina adulta pode prejudicar a sua formação. Estimule seu filho a passar mais tempo com tios e avôs.



   
 
   
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